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Papa aos luteranos: “Não nos podemos resignar à distância que a separação criou entre nós”
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O Papa Francisco visitou a Suécia, celebrou a Solenidade de Todos os Santos neste país escandinavo e no regresso a Roma reafirmou a posição da Igreja sobre a ordenação de mulheres. Na semana em que Itália sofreu novo sismo, o Papa mostrou o desejo de visitar o Sudão do Sul.

 

1. O Papa Francisco desafiou católicos e luteranos a não se resignarem à distância que a separação criou entre as duas comunidades. No seu primeiro discurso na visita à Suécia, precisamente para participar num evento ecuménico de comemoração dos 500 anos da publicação das teses de Lutero, Francisco começou por sublinhar que a unidade dos cristãos é vontade de Cristo e disse que protestantes e católicos atravessam um momento histórico que deve ser aproveitado para ultrapassar controvérsias do passado. “Não podemos resignar-nos com a divisão e o distanciamento que a separação gerou entre nós. Temos a possibilidade de reparar um momento crucial da nossa história, superando controvérsias e mal-entendidos que nos impediram frequentemente de nos compreendermos uns aos outros”, afirmou o Papa, na passada segunda-feira, 31 de outubro.

A caminhada conjunta rumo à unidade obriga a um olhar crítico sobre o passado, salientou o Papa. “Também nós devemos olhar, com amor e honestidade, para o nosso passado e reconhecer o erro e pedir perdão, pois só Deus é o juiz. E, com a mesma honestidade e amor, temos de reconhecer que a nossa divisão se afastava da intuição originária do povo de Deus”, frisou Francisco, acrescentando que “havia, de ambos os lados, uma vontade sincera de professar e defender a verdadeira fé, mas estamos conscientes também de que nos fechamos em nós mesmos com medo ou preconceitos relativamente à fé que os outros professam com uma acentuação e uma linguagem diferentes”. As diferenças atuais entre a Igreja Católica e a Luterana são profundas, tendo a ver sobretudo com três áreas: o entendimento sobre a Eucaristia, sobre a natureza e estrutura da Igreja e sobre o ministério. Outra área importante de divergência tinha a ver com a doutrina da justificação, isto é, como se opera a salvação das almas dos crentes, mas que já foi alvo de um documento conjunto que ultrapassa os diferentes entendimentos.

A oração comum que, naquela tarde, teve lugar na catedral de Lund teve sempre um tom penitencial, com os luteranos e católicos a pedir perdão pela incompreensão e pelos maus exemplos dados no passado.

 

2. O Papa concluiu, na terça-feira, 1 de novembro, a visita à Suécia com uma Missa com a comunidade católica, na Solenidade de Todos os Santos, elogiando a santidade de quem se entrega aos outros. “Animo-vos a viver a vossa fé na oração, nos sacramentos e no serviço generoso a quem passa necessidade e sofre. Encorajo-vos a ser sal e luz, nas circunstâncias concretas onde viveis, com o vosso modo de ser e agir segundo o estilo de Jesus e com grande respeito e solidariedade para com os irmãos e irmãs doutras Igrejas e comunidades cristãs e todas as pessoas de boa vontade”, salientou, no final desta Eucaristia. Francisco presidiu à celebração no Estádio Swedbank de Malmo, perante várias delegações ecuménicas e responsáveis políticos. A homilia centrou-se no sentido da Solenidade de Todos os Santos, que evoca os que “viveram a sua vida cristã na plenitude da fé e do amor através duma existência simples e reservada”, sem terem sido canonizados oficialmente pela Igreja Católica. “Celebramos, pois, a festa da santidade. Aquela santidade que, às vezes, não se manifeste em grandes obras nem em sucessos extraordinários, mas que sabe viver, fiel e diariamente, as exigências do Batismo. Uma santidade feita de amor a Deus e aos irmãos”, precisou o Papa.

 

3. O Papa não acredita que a proibição da ordenação de mulheres pela Igreja Católica venha a ser alterada no futuro. A agência Reuters define esta declaração como uma das mais definitivas feitas por Francisco sobre este tema. Francisco falava a bordo do avião que o transportava de regresso a Roma, vindo da Suécia, durante a tradicional conferência de imprensa. Após uma repórter sueca referir que quem recebeu o Papa na Suécia foi a líder da Igreja Luterana, que é uma mulher, perguntou a Francisco se no futuro o mesmo poderia acontecer com a Igreja Católica. “O Papa João Paulo II foi claro quando falou sobre este assunto, e o que ele disse mantém-se”, referiu o Papa, referindo-se a um documento datado de 1994, escrito pelo Papa polaco, que fechava a porta à ordenação de mulheres. A jornalista perguntou se “para sempre, é para sempre?” e Francisco respondeu que se se ler com cuidado os escritos de João Paulo II é esse o sentido das suas palavras.

 

4. O Papa Francisco agradeceu, no passado Domingo, o apoio prestado no socorro às populações afetadas pelo sismo que fez novamente tremer o centro de Itália e teve uma magnitude de 6,6 na escala de Richter. “Manifesto a minha proximidade às populações da Itália central atingidas pelo terramoto. Ainda esta manhã, houve um forte abalo. Rezo pelos feridos e pelas famílias que sofreram maiores danos, bem como pelo pessoal empenhado nas operações de socorro e assistência”, afirmou na Praça de São Pedro, no dia 30 de outubro, onde centenas de fiéis se reuniram para a oração do Angelus.

 

5. O Papa Francisco recebeu, a 27 de outubro, os membros do Instituto João Paulo II, afirmando que só se compreende a dignidade do homem e da mulher reconhecendo as diferenças entre eles. A família é a “chave de ouro” que permite ler o mundo, a sua história e até o mais íntimo do amor de Deus, considera o Papa Francisco, defendendo que, por isso, a Igreja tem a obrigação de ajudar os homens e as mulheres a preservar esta “extraordinária invenção” de Deus.

Ainda neste dia o Papa recebeu, no Vaticano, uma delegação ecuménica de líderes cristãos do Sudão do Sul, tendo manifestado de visitar este país que se encontra em guerra civil. “Ele aceitou o nosso convite e disse que em princípio quer mesmo muito ir”, disse à Reuters o reverendo Peter Gai Lual Marrow, da Igreja Presbiteriana do Sudão do Sul.

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