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Liberdade religiosa – Relatório da Fundação AIS
A maior ameaça
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Nunca, como nos dias de hoje, foi tão arriscado, em tantos países, alguém professar livremente a sua religião. A Fundação AIS publica, esta semana, o novo Relatório sobre a Liberdade Religiosa no Mundo, avaliando os anos de 2014 a 2016. As conclusões não podiam ser mais inquietantes.

 

Nos últimos dois anos, nos 196 países analisados pela Fundação AIS, quase quatro dezenas revelaram práticas inequívocas de violações significativas da liberdade religiosa. Desde que o último relatório foi publicado (período de 2012 a 2014), a situação piorou claramente em 14 países, e manteve-se estagnada noutros 21. Apenas em 3 países se pode dizer que melhorou consideravelmente: Egipto, Butão e Catar. Entre os lugares do mundo onde há mais perseguição religiosa, destacam-se, pelas piores razões, o Afeganistão, a Arábia Saudita, Coreia do Norte, a Iraque, a Nigéria, a Síria e a Somália.

 

Radicalismo islâmico

Os ataques à liberdade religiosa são, essencialmente, o resultado do radicalismo islâmico, de países autoritários e da actividade de grupos fundamentalistas. O radicalismo islâmico, por exemplo, está presente em 24 países onde vivem actualmente cerca de 1,4 mil milhões de pessoas. A expansão das actividades terroristas inspiradas directa ou indirectamente por grupos jihadistas, tem-se afirmado também como a maior ameaça à liberdade religiosa em países como a Líbia, a Indonésia, a Quénia, a Tanzânia ou a Iémen.

 

Genocídio

As atrocidades cometidas em muitos destes países sobre as pessoas que pertencem às minorias religiosas, como cristãos ou yazidis, por exemplo, com assassinatos, tortura e até a escravização, levaram inclusivamente as próprias Nações Unidas – além dos parlamentos de diversos países, como Portugal – a classificaram-nas como “genocídio”, num retrocesso civilizacional a fazer lembrar os tempos da II Guerra Mundial. O Relatório da Fundação AIS permite concluir que, no período entre os anos de 2014 e de 2016, o Cristianismo continuou a ser a religião mais perseguida do mundo, afectando dramaticamente a vida de 334 milhões de pessoas.

 

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Iraque

Ekhlas, a adolescente escravizada

Ekhlas é uma adolescente que pertence à minoria religiosa yazidi, uma comunidade religiosa que tem sido particularmente perseguida pelos jihadistas no Iraque e na Síria. Ela vivia com a família em Sinjar, no Iraque, quando os terroristas do auto-proclamado Estado Islâmico conquistaram a região. O seu pai e um irmão foram assassinados à sua frente, e ela, assim como todas as raparigas com mais de 8 anos da sua comunidade, foi raptada, encarcerada e violada. Entretanto, Ekhlas conseguiu fugir e decidiu contar a sua história ao mundo. No Parlamento britânico, as suas palavras foram decisivas para que os deputados votassem, por unanimidade, que os jihadistas estavam a cometer genocídio contra a humanidade.

 

Quénia

148 mortos na universidade

No início de Abril de 2015, um comando islamita do Al-Shabaab, atacou o Colégio Universitário de Garissa, no nordeste do Quénia, tendo como alvo preferencial os estudantes cristãos. Percorrendo todo o ‘campus’, os terroristas procuraram identificar os não-muçulmanos, assassinando-os ou fazendo-os reféns. Os militantes extremistas separavam os estudantes por religião, permitindo assim salvar os muçulmanos. Os outros eram executados. As forças de segurança atacaram o local mas não impediram que 148 jovens, na sua maioria cristãos, fossem mortos a tiro pelos terroristas do Al-Shabaab.

 

Reino Unido

A última Páscoa de Shah

Shah, um muçulmano amadi, simpático, de 40 anos, que tinha uma loja de conveniência em Shawlands, Glasgow, foi assassinado em Março deste ano depois de ter desejado a todos os seus vizinhos uma “Páscoa feliz”, numa mensagem publicada no ‘facebook’. Isso bastou para que outro muçulmano, Tanveer Ahmed, o tenha assassinado, esfaqueando-o brutalmente. Shah era paquistanês e todos o estimavam ali, em Shawlands, onde fazia questão de cumprimentar sempre clientes e amigos. A sua morte chocou a comunidade local e centenas de pessoas homenagearam-no, depois, junto à sua loja, no local onde foi assassinado, numa vigília que acabaria por marcar as cerimónias da Páscoa.

 

China

Apagar os símbolos das igrejas

É muito complexa a situação dos Cristãos na China, havendo uma clara perseguição a todos os que se mantêm fiéis ao Papa e ao Vaticano, e que fazem parte da chamada “Igreja Clandestina”. No entanto, em alguns lugares, a perseguição aos Cristãos é assumidamente assunto do Estado e as autoridades não têm embaraço em exercer o poder, recorrendo para isso até à própria legislação que fazem aprovar sem dificuldade. É o caso da província de Zhejiang onde foram introduzidos novos regulamentos para os edifícios, o que tem permitido a remoção ou demolição de cruzes e de outros símbolos cristãos nas igrejas. Calcula-se que, só até Março deste ano, mais de 2.000 cruzes foram destruídas nesta província chinesa.


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Saiba mais em: www.religion-freedom-report.org

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texto por Paulo Aido, Fundação Ajuda à Igreja que Sofre
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