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Ano Santo da Misericórdia termina este Domingo
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O Papa Francisco vai encerrar a Porta Santa da Basílica de São Pedro. Na semana em que falou das obras de misericórdia, o Papa exortou a Igreja dos Estados Unidos a “abater os muros e construir pontes”, celebrou o Jubileu da Misericórdia com os sem-abrigo e visitou jovens que deixaram o sacerdócio.

 

1. Neste Domingo, 20 de novembro, Solenidade de Cristo Rei, vai ser encerrada a Porta Santa da Basílica de São Pedro, depois de por lá terem passado mais de 20 milhões de peregrinos. Será o encerramento oficial do Ano Santo da Misericórdia, com o Papa Francisco, na Praça de São Pedro, numa Eucaristia que vai ter início pelas 10 horas de Roma.

No sábado, dia 19, decorre também, no Vaticano, o Consistório, convocado pelo Santo Padre para a criação de novos cardeais. O Cardeal-Patriarca de Lisboa, D. Manuel Clemente, vai estar presente em Roma.

 

2. O Papa Francisco associou-se à celebração do Dia Mundial pelos Direitos da Infância e da Adolescência, que se celebra este Domingo e assinala anualmente a assinatura da Convenção sobre os Direitos da Criança, adotada pela Assembleia Geral nas Nações Unidas em 1989. “Faço um apelo à consciência de todos, instituições e famílias, para que as crianças sejam sempre protegidas e o seu bem-estar, tutelado, para que jamais caiam em formas de escravidão, recrutamento em grupos armados e maus-tratos. Faço votos de que a comunidade internacional possa proteger as suas vidas, garantindo a cada menino e menina o direito à escola e à educação, para que o seu crescimento seja sereno e olhem com confiança para o futuro”, desejou o Papa, no final da audiência-geral de quarta-feira, 16 de novembro.

Durante este encontro público semanal, Francisco propôs uma catequese sobre a obra de misericórdia espiritual ‘suportar com paciência as fraquezas do próximo’. “Somos todos muito bons em identificar a presença de alguém que nos pode importunar. Mas fazemos um exame de consciência para ver se somos nós que importunamos?”, questionou. “Deus ensina-nos a ser pacientes e misericordiosos”, garantiu o Papa, lembrando ainda outras duas obras de misericórdia: ‘ensinar os ignorantes’ e ‘corrigir os que erram’. “Num mundo marcado pela superficialidade, pela busca de satisfações imediatas e efêmeras, é muito importante saber dar conselho, admoestar e ensinar. Contudo, isso é também um apelo à humildade, para que não caiamos no erro de apontar o cisco no olho do irmão, ignorando a trave que está no nosso”, apontou.

 

3. O Papa Francisco exortou a Igreja dos Estados Unidos da América a “abater os muros e construir pontes”, numa mensagem-vídeo à Assembleia Geral da Conferência Episcopal dos Estados Unidos, que decorreu em Baltimore, Maryland, de 14 a 17 de novembro. “O nosso grande desafio é criar uma cultura do encontro, que encoraje cada pessoa e cada grupo a partilhar a riqueza das suas tradições e experiências, a abater os muros e a construir pontes. Comunhão entre nós, com os outros cristãos e com todos aqueles que buscam um futuro de esperança. Devemo-nos tornar sempre, mais plenamente, uma comunidade de discípulos missionários, repletos de amor pelo Senhor Jesus e de entusiasmo pela difusão do Evangelho”, referiu. Francisco considerou ainda que “a Igreja nos Estados Unidos, como em outras partes do mundo, é chamada a sair da sua comodidade”. Os católicos devem ser “mensageiros de boas notícias na sociedade, sujeita a desconcertantes mudanças sociais, culturais e espirituais, além de uma crescente polarização”.

Antes, no dia 11 de novembro, o Papa tinha recusado fazer um juízo pessoal sobre o presidente eleito dos Estados Unidos, Donald Trump. Numa entrevista ao jornal ‘La Repubblica’, Francisco disse estar apenas interessado no impacto das opções dos políticos nos pobres. “Trump? Não julgo. Só me interessa se faz sofrer os pobres. Não faço julgamentos sobre pessoas ou políticos. Apenas quero compreender que sofrimentos as suas opções e comportamento poderão causar nos pobres e excluídos”, afirmou.

 

4. Na Missa que concluiu a celebração do Jubileu da Misericórdia com os sem-abrigo, no Vaticano, o Papa Francisco alertou para a “esclerose espiritual” que leva a ignorar os pobres. “Como nos faz mal fingir que não nos apercebemos do Lázaro que é excluído e descartado. É afastar o rosto de Deus. Temos um sintoma de esclerose espiritual, quando o interesse se concentra nas coisas a produzir, em vez de ser nas pessoas a amar”, salientou, na homilia da celebração, cujas primeiras filas da assembleia incluíam vários sem-abrigo e outras pessoas em situação de exclusão social e marginalização. Francisco alertou para a “dramática contradição” do aumento do número de pobres num mundo em que crescem “o progresso e as possibilidades”. “É grave que nos habituemos a este descarte; é preciso ficar preocupado quando a consciência se anestesia, não fazendo caso do irmão que sofre ao nosso lado nem dos problemas sérios do mundo, que se reduzem a um refrão já ouvido nos sumários dos telejornais”, lamentou. Entre os participantes esteve uma delegação portuguesa, que levou a Roma 160 pessoas, sem-abrigo e técnicos de Cáritas Diocesanas, Comunidade Vida e Paz e Misericórdia de Lisboa.

Na sexta-feira anterior, na primeira audiência do Jubileu das Pessoas Socialmente Marginalizadas, o Papa pediu perdão por todos os que ignoram a pobreza, deixou apelos e agradeceu. “Obrigado pelo exemplo que vocês dão. Ensinem a todos nós, que temos teto e a quem não falta comida ou medicamentos, a não estarmos satisfeitos. Com os vossos sonhos, ensinem-nos a sonhar desde o Evangelho, onde vocês estão. Desde o coração do Evangelho”, apelou Francisco aos sem-abrigo.

 

5. Na última ‘Sexta-Feira de Misericórdia’, a 11 de novembro, o Papa fez uma visita-surpresa a sete jovens que deixaram o sacerdócio ao longo do último ano. De acordo com a Sala de Imprensa da Santa Sé, o objetivo de Francisco foi levar “proximidade e afeto” a quem escolheu um caminho diferente para a sua vida, mesmo “contra o acordo dos seus colegas e da família”. “Após anos de dedicação ao ministério sacerdotal, esses homens depararam-se com a solidão, a incompreensão e o cansaço provocado pelas tarefas pastorais, passando a questionar a sua entrada na vida eclesiástica. Com isso, decidiram abandonar a batina para formar uma família”, realça a nota do Vaticano. Entre os antigos padres que receberam a visita do Papa Francisco, estão quatro que estavam em missão na Diocese de Roma, um na Sicília, outro em Madrid (Espanha) e outro na América Latina.

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