Missão |
Irmão João Soares
“É na simplicidade que se descobrem as grandes coisas!”
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O Ir. João Soares nasceu no dia 13 de maio de 1993, em Guimarães, e é natural da freguesia de Vila-Fria (concelho de Felgueiras), no distrito e diocese do Porto. Nasceu no seio de uma família católica e no dia 13 de setembro de 2009 começou a sua caminhada no seminário menor da Congregação da Missão (Sociedade de S. Vicente de Paulo). Em junho deste ano partiu por três meses para Moçambique em missão.

 

Estar perto de Deus para toda a vida!

Fez a sua formação básica no concelho de Felgueiras, ingressando no 11º ano na Escola Secundária de S. Mamede Infesta devido á sua “entrada no Seminário Menor da Congregação da Missão”. Em 2011 começou os seus estudos teológicos na Universidade Católica do Porto, depois fez um ano de Seminário Interno (noviciado) em Nápoles e retomou os estudos em Salamanca na Universidade Pontifícia onde frequenta atualmente o 5º ano de Teologia. No seio da sua família aprendeu os rudimentos da fé. “A vida eclesial era obrigatória e a missa dominical não podia faltar. Eu e os meus irmãos não gostávamos muito daquela ‘fé imposta’, mas lá íamos em sentido, sob a voz dos nossos pais. Sentava-me no coro (parte superior da igreja) com o meu pai e o meu irmão mais velho, enquanto as minhas irmãs sentavam-se na parte baixa do templo, com a minha mãe. Gostava muito de estar com o meu pai. O que mais me despertava na missa era que, para comungar, tinha de sair da Igreja e ver as minhas irmãs- Tudo o resto me parecia aborrecido… Era tudo tão adulto que não chegava a perceber o que ali se fazia”, partilha. Aos 14 anos entrou no grupo de acólitos por se sentir fascinado pelo facto de “poder fazer alguma coisa” e foi aí que descobriu que “estar perto de Deus poderia ser para toda a vida. Queria ser Padre! Celebrar não só ao Domingo, mas todos os dias”. “O meu pároco, Pe. Albertino Gonçalves, C.M., no final de umas laudes de Semana Santa perguntou-me se eu queria ir para o seminário. Eu, sem pensar, disse que sim. A sua reação foi tão normal que foi como se ele soubesse desde logo que isso era o meu desejo”, diz-nos.

 

“E porque não?”

Conta que a pregunta chave que guiou e guia a sua caminhada vocacional é “e porque não?” e está por isso convencido de que é isso que Deus o chama a ser e a viver. Entrou no seminário no dia 13 de setembro de 2009 e começou a sua caminhada no seminário menor da Congregação da Missão. “O meu desejo tinha um preço bastante alto: deixar tudo, família, projetos e possibilidades para seguir. Recordo da pergunta do meu diretor, Pe. Fernando Soares, C.M.: queres dar a tua vida a Deus? Eu disse: “sim, eu quero!”. Uma resposta humanamente inconsciente, mas que aos olhos de Deus ganhou a consistência necessária para fazer dela o meu projeto de vida. A partir daqui começa o meu caminho nesta pequena companhia dos sacerdotes da missão. Com 20 anos e depois de 4 anos de postulantado, no dia 14 de setembro de 2013, data da minha vocação, sou admitido à Congregação da Missão. No dia 11 de setembro de 2014 emito o meu bom propósito (votos provisórios). Hoje estou a caminho e em preparação para minha incorporação definitiva na Comunidade. Confesso que não é um caminho fácil, mas sustem-se pelo facto de que tudo aquilo que sou e faço é em prol d’Aquele que me chamou. As dúvidas vão-se iluminado nos pequenos acontecimentos que a vida me vai proporcionando. Sou feliz, muito feliz, pelo caminho feito e gosto muito de olhar para trás, não com saudosismo ou arrependimento, mas de olhar e perceber que em toda a minha vida nada foi por acaso. Até mesmo as minhas quedas foram motivo de aprendizagem. É esta a norma que tem guiado a minha vida”, diz-nos.

 

Amar sem exigências e a dar-se sem condições

Considera-se um jovem de desafios que gosta de arriscar, de ver o mundo e de conhecer coisas novas. “O horizonte da minha janela é grande, por isso sempre pensei que poderia abraçar o mundo. Aceitei sempre os desafios e é por isso que já são quatro os anos que estou fora de Portugal”, partilha. O seu último desafio foi a missão em Moçambique. “Fazer missão foi fruto de um desafio e, ao mesmo tempo, de uma inquietude. Muitos eram aqueles missionários que passaram por essa terra de Deus e todos me contavam maravilhas sobre aquela gente. Fascinavam-me as histórias que contavam com tanto entusiasmo e alegria. O “por que não” surgiu outra vez! Juntando à minha vontade de uma experiência profunda de Deus, propus ao meu Visitador (provincial) uma experiência em Moçambique e foi aceite. No dia 13 de junho de 2016 chego a Moçambique para uma experiência de três meses. Foi uma experiência de Deus. Resumir esta experiência seria praticamente impossível, tudo o que eu diga ficará aquém daquilo que lá vivi. Foram três meses onde me senti, de forma plena, como instrumento de Deus. Foi uma viragem na minha vida! A minha visão do mundo, das pessoas, não será a mesma. Ali, aprendi o que significa generosidade, luta, paz, guerra, camaradagem, serviço… Aprendi o valor das pequenas coisas. A Amar sem exigências e a dar-me sem condições. Aprendi o valor da pobreza e a vivê-lo não como um propósito, mas como uma realidade. Aprendi que os gestos são maiores que as palavras e que a palavra de Deus é tão real e encarnada que basta abrir os olhos. Foi uma conversão, confesso! E a mão de Deus esteve sempre lá. Quando assumi ser pai de 60 miúdos que viviam no nosso internato, quando ia às comunidades celebrar a Palavra de Deus, quando visitava os doentes, quando realizei funerais, quando catequizava… Tudo isto foram experiências de aprendizagem, que se dão na humildade de alguém que apenas vem para servir. Parti em junho e regressei em setembro. Foram três meses intensos. Como Seminarista, pensei que já conhecia tudo e que tinha todas as lições bem estudadas, que não necessitava de aprender mais nada. Uma certa autossuficiência pessoal fez com que Moçambique se tornasse, para mim, numa experiência diferente e marcante. (…) Viver o Evangelho de forma profunda, foi algo de sublime. Isto não se aprende nas universidades, mas na vida. (…) Deus está aqui! Ele está vivo! Basta abrir os olhos. (…) É na humildade que se vão construindo as relações e é na simplicidade que se descobrem as grandes coisas. A verdade é que quem vê a miséria desta gente não tem como não se sentir interpelado. Mas sabem o que é mais gratificante? É que, mesmo o pouco que tem é partilhado. E isso é das coisas mais bonitas. Ser generoso não é dar o que sobra, mas sim o que se tem. Aqui, pude ver que esta definição não só faz sentido como se realiza plenamente na vida deste povo”, partilha e termina dizendo: “Kanimambo!” Apenas peço que rezem por mim…”

texto por Catarina António, FEC – Fundação Fé e Cooperação
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