Sínodo 2016 |
Membros sinodais
O Sínodo Diocesano de Lisboa em testemunhos
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“A comunidade mobilizou-se bastante na oração pelo Sínodo”

O Patriarcado de Lisboa viveu o seu último Sínodo Diocesano em 1640, há 376 anos, o que trazia expectativas acrescidas aos 137 membros convocados pelo Cardeal-Patriarca. “Não há ninguém vivo que tenha participado no último Sínodo e isso, só de si, é uma expectativa muito grande sobre o que vai acontecer”, referia, no primeiro dia, o cónego Daniel Batalha Henriques, que participou no Sínodo Diocesano na qualidade de membro do Cabido (Cónegos da Igreja Catedral). “O Sínodo Diocesano é já uma certeza, uma realidade que está a acontecer. É um culminar e será, em larga medida, aquilo que tem sido esta caminhada sinodal, de empenho e de esforço”, apontava ainda este sacerdote, assumindo ser “uma responsabilidade” levar a sua “experiência de padre e de vida cristã” ao Sínodo Diocesano, como forma de “enriquecer os trabalhos”.

Atual pároco de Torres Vedras, onde chegou há cerca de dois meses, o cónego Daniel Batalha Henriques viveu praticamente toda a caminhada sinodal nas suas duas anteriores paróquias, Algés e Cruz Quebrada, e destaca “as duas dimensões da caminhada, em grupos de partilha, de reflexão e de oração, e numa expressão comunitária orante”. “A comunidade mobilizou-se bastante na oração pelo Sínodo, mas por vezes foi difícil manter o empenho e entusiasmo original. Mas foi muito rico e muito proveitoso”, garantia este membro da Assembleia Sinodal.

 

“Que o Espírito Santo nos ilumine”

Os leigos foram também parte integrante entre os 137 membros da Assembleia Sinodal. Adelina Almeida é presidente do Conselho Central de Lisboa da Sociedade de São Vicente de Paulo e participou na Assembleia Sinodal por escolha direta do Cardeal-Patriarca. No primeiro dia de Sínodo Diocesano, referia ser “apenas um grão de areia entre os 137 elementos” da Assembleia Sinodal e manifestava “sentimentos de incerteza” para o que iria viver neste momento histórico para a Diocese de Lisboa, que não acontecia desde 1640. “Só espero que o Espírito Santo nos ilumine e só com o Senhor. Sem Ele, nada conseguimos fazer”, desejava, na noite do dia 320 de novembro.

Esta vicentina salienta que durante os quase três anos de caminhada sinodal procurou sempre “motivar todas as Conferências Vicentinas na Diocese de Lisboa” à participação no Sínodo Diocesano. “Fizemos uma caminha no sentido de os mil vicentinos da diocese terem ideia e concretizarem e saberem o que estamos a fazer para ajudar os que mais necessitam, que cada vez são em maior número”, recordava.

 

“Um acontecimento importante para a diocese”

Rui Moniz, da paróquia de Algueirão - Mem Martins - Mercês, foi o representante laical da Vigararia de Sintra e considerou que o Sínodo Diocesano foi “um acontecimento importante para a diocese”, que “já vem a ser preparado há muito tempo”. “A Assembleia Sinodal tem a particularidade de ser o resultado do contributo de muitas pessoas, que ao longo deste tempo estiveram a trabalhar para que se chegasse até aqui”, lembrava este jovem leigo, recordando-se dos mais de dois anos de caminhada sinodal que as paróquias, congregações, movimentos e outras realidades eclesiais presentes na diocese iniciaram em setembro de 2014. Rui espera agora que “este percurso traga resultados práticos para o dia-a-dia da diocese, das paróquias e de cada cristão”.

Na sua paróquia, Rui Moniz salienta “os grupos que foram criados para estudar os guiões”. “Essa discussão, depois, acabou por ser feita mais nos grupos e movimentos que já existiam, como a catequese, os centros de preparação para o Matrimónio ou os grupos de jovens”, frisa.

 

“Não podemos deixar tudo na mesma”

Entre os 137 membros do Sínodo Diocesano de Lisboa há a convicção de que após esta Assembleia Sinodal devem sair linhas orientadoras para a vida pastoral da diocese. “Ouviu-se muito que não pode ficar tudo na mesma. É o perceber que há um caminho a percorrer e que, a partir de agora, vamos caminhando e não podemos deixar tudo como está”, salientava, durante a Assembleia Sinodal, o padre Valter Malaquias, pároco de Santos-o-Velho e de São Francisco de Paula.

Este sacerdote, que participou como representante da Vigararia de Lisboa III, frisa ainda que o Sínodo Diocesano correu “muito bem”. “As expetativas estão a ser superadas em relação ao que estávamos à espera. Hoje [sexta-feira] é um dia mais de trabalho, pois estamos a ver, ponto a ponto, o Documento de Trabalho. Está a ser interessante porque nós vamos aportando coisas e vamos trazendo um pouco do que é a experiência quer dos padres, quer dos leigos”, assegurava então o padre Valter, destacando “o caminho conjunto” que estava a ser vivido pelos membros. “Estamos a fazer um pouco parte da história da diocese”, salienta.

 

“Trabalho verdadeiramente inspirado pelo Espírito Santo”

Nuno Fortes foi o representante da Vigararia de Alenquer na Assembleia Sinodal e considera que os trabalhos sinodais no Centro Diocesano de Espiritualidade, no Turcifal, decorreram com uma “grande participação” por parte de todos os membros e inspirada pelo Espírito Santo. “Foi um trabalho muito rico, verdadeiramente inspirado pelo Espírito Santo. Sentimos que a reflexão frutificou com base nos trabalhos que foram realizados por muitas pessoas que, na preparação desta assembleia, estiveram a refletir nas suas comunidades – foram mais de vinte mil pessoas! – e a reflexão que estamos a fazer aqui, acompanhada pelo Espírito Santo, sentimos que está a dar frutos”, referia este leigo. Dos dias de Assembleia Sinodal, Nuno Fortes destaca “a centralidade do Espírito Santo a soprar nos diferentes carismas, a olhar para a realidade da Igreja e, a partir desta metodologia do ver, julgar e agir, propor caminhos concretos para a realização da ação pastoral”.

Este leigo, que integra também o Sector da Pastoral Familiar do Patriarcado de Lisboa, assume que poder participar no Sínodo Diocesano foi algo que o “arrepiou”, por sentir que “é um momento único na vida da Igreja diocesana”. “No seguimento daquilo que é a renovação proposta pelo Concílio Vaticano II, a Igreja precisa de fazer este caminho de trabalhar em conjunto, de caminhar em sinodalidade e, a partir daqui, fazer uma reflexão para a ação pastoral. É uma oportunidade quase única poder participar nesta Assembleia Sinodal que, acredito, fará o seu próprio caminho nos próximos anos. Desejo para a Igreja de Lisboa que este caminho sinodal se volte a repetir, não daqui a 376 anos mas daqui a menos tempo”, desejou Nuno Fortes.

 

“Que a Igreja de Lisboa seja mesmo uma Igreja em saída”

Fátima Nunes diz que foram “muito interessantes” os trabalhos do Sínodo Diocesano. “Esta Assembleia Sinodal é uma ideia muito importante para a nossa diocese. É um trabalho necessário perceber que a Igreja de Lisboa tem características muito próprias, muito específicas, em que por vezes há divergência de conceitos de Igreja – ou pelo menos como a Igreja deve viver a Palavra de Deus e a mensagem de Jesus Cristo – em situações muito concretas. Há um apelo muito grande à comunhão, para irmos todos a caminhar na mesma direção”, apontava.

Esta leiga, que participa na Assembleia Sinodal por escolha direta do Cardeal-Patriarca, diz esperar que “este novo caminho do Sínodo abra a perspetiva de novidade e de desafio” para que os cristãos “caminhem nesta comunhão de Igreja, em que Jesus Cristo é o mesmo e é a cabeça”. “Não viver a fé de uma forma egoísta, no meu cantinho… É muito importante a comunhão”, garantia.

Fátima apelou ainda a uma Igreja diocesana que evangelize. “Que o sonho do Papa, de chegar a todos, seja nosso também. Que a Igreja de Lisboa seja mesmo uma Igreja em saída. Não temos de ficar na nossa capelinha, na nossa caixinha, na nossa paróquia, na nossa comunidade. Há que ir ter com os outros que estão ávidos e ansiosos por alguém que lhes fale de Jesus Cristo. Temos um caminho a fazer, que tem de ser feito em conjunto”, alertava ainda Fátima Nunes, assegurando que “a Assembleia Sinodal está atenta a esses sinais dos tempos”.

 

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Secretariado do Sínodo

Durante os dias de Assembleia Sinodal, no Turcifal, o Secretariado do Sínodo assegurou toda a logística no Centro Diocesano de Espiritualidade. O secretariado foi liderado pelo padre Rui Pedro Carvalho, secretário do Sínodo Diocesano, e além dos 4 redatores, que analisavam as propostas dos 12 grupos ao Documento de Trabalho, era composto por uma leiga, Cláudia Lourenço, diretora do Serviço da Juventude do Patriarcado de Lisboa, e ainda por sete seminaristas.

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