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Filipinas: três anos depois, ninguém esquece o Tufão Haiyan
180 minutos de terror
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Foi tremendo. Ventos que sopraram a quase 400 km por horas deixaram um rasto de destruição e morte. Cerca de 10 mil pessoas perderam a vida e aproximadamente 4,3 milhões ficaram sem casa, sem nada. Foram momentos trágicos. Mas a solidariedade aconteceu. O relato, na primeira pessoa, do Arcebispo de Palo.

 

Há datas que ficam impressas na memória. O dia 8 de Novembro de 2013, uma sexta-feira, será para sempre recordado pelo povo Filipino pela devastadora passagem do tufão Haiyan. Ainda hoje, três anos depois, não se sabe ao certo quantas pessoas perderam a vida quando os ventos sopraram a mais de 380 km por hora e arrastaram quase tudo à sua passagem. O Arcebispo John Forrosuelo Du estava na Catedral de Palo onde várias dezenas de pessoas se tinham refugiado, quando o telhado voou como se fosse quase uma simples folha de papel. O terror apoderou-se de todos. Foram momentos de pânico que ninguém gosta de recordar, mas que ninguém consegue esquecer. “Estávamos aterrorizados, porque o vento nos atingiu com toda a força e arrancou o tecto da catedral. Todos os que lá estavam tiveram de fugir e procurar outros refúgios. Só consigo descrever os ventos como um ‘anjo da morte’, todo branco, que entrou e destruiu a porta e arrancou o telhado…” O rugido do vento misturava-se com os gritos alarmados das pessoas, de mães à procura de filhos, de crianças em lágrimas, de pessoas perdidas. Foram instantes trágicos. “Andávamos a correr de um lado para o outro, a esconder-nos, para salvar as nossas vidas”, descreve o prelado. Nas zonas mais baixas de Palo, as águas encrespadas pelo vento estavam cheias de lixo, de pessoas que procuravam desesperadamente agarrar-se a alguma coisa para não serem levadas pelas correntes, e de cadáveres. “Eu vi pessoas a ficarem submersas, a voltarem à superfície e novamente a afundar-se. Sentíamo-nos impotentes e sem saber o que fazer.”

 

Uma ilha que sangrava

Foram três horas, mais ou menos 180 minutos de terror até o tufão começar a diminuir de força, acalmando as rajadas, os sopros de vento, o barulho das árvores, a agitação da paisagem. Só então as pessoas começaram a compreender a vastidão do desastre, a dimensão incrível da tragédia. O edifício da catedral era apenas o símbolo da ruína daquelas pessoas, daquela região. “Havia cadáveres espalhados por todo o lado”, lembra D. John Forrosuelo. “Eu não sabia o que fazer. Queria recolher os cadáveres, mas eram tantos… A única coisa que fiz foi abençoar os corpos…” O vento acalmou após três horas de tempestade. O que ficou foi uma imagem imensa de devastação que ninguém soube descrever com palavras apropriadas. Depressa, o Arcebispo de Palo juntou os seus sacerdotes e as irmãs, assim como os seminaristas, e todos começaram a organizar grupos de ajuda às populações mais atingidas. Estavam completamente isolados. A tempestade tinha sido tão forte que destruiu comunicações, estradas, tudo. A Diocese de Palo era como uma ilha que sangrava. “Nos primeiros dias, tivemos que partilhar tudo o que tínhamos: comida, roupa, medicamentos. A coisa mais bonita que aconteceu depois do tufão foi a entreajuda e a solidariedade entre as pessoas, independentemente da classe social.” Eram todos náufragos. Estavam todos unidos na mesma tragédia. As igrejas, tal como a maior parte das casas, ficaram destruídas, mas nem por um dia se deixou de escutar o Pai Nosso por aqueles lugares. “As igrejas ficaram destruídas e sem telhado, mas continuou a celebrar-se a Missa. Eu disse aos meus sacerdotes que tínhamos de continuar…”

 

A visita de Nossa Senhora

Foi então que se deu a visita mais inesperada. Ao terceiro dia depois da passagem do Tufão Haiyan, apareceu em Palo, levada por um grupo de Irmãos do Anjo da Paz, uma imagem peregrina de Nossa Senhora de Fátima. “Quando, logo pela manhã, me trouxeram a imagem, a minha primeira reacção foi de surpresa e de preocupação… pois eram mais oito pessoas para eu alimentar e não tínhamos já comida em casa. Mas quando olhei para a imagem, quase chorei porque senti, no meu coração, que Nossa Senhora estava comigo e me ajudava. Foi uma grande consolação!” No meio da mais profunda devastação, a imagem de Nossa Senhora de Fátima foi como que um raio de luz, um sinal de esperança para aquelas pessoas. E foram muitos os que se mobilizaram em favor da população das Filipinas. A Fundação AIS desencadeou logo uma enorme campanha internacional de ajuda e foi possível dar resposta a todos os que foram afectados pela violência da natureza. Todas as zonas atingidas pelo tufão Haiyan receberam apoio de emergência e hoje, três anos depois do infortúnio, praticamente todas as igrejas afectadas foram já recuperadas. Tal como a Catedral de Palo. Aos poucos, a vida tem regressado à normalidade. Em todos os lados, porém, ainda há sinais da tragédia causada naqueles 180 minutos de tempestade, mas ninguém esquece a enorme onda de solidariedade pelo povo Filipino. Uma onda de solidariedade que teve também uma enorme expressão no nosso país. O Arcebispo John Forrosuelo Du não esquece a ajuda dos benfeitores e amigos portugueses da Fundação AIS. “Sinto-me em dívida para com todas as pessoas e, especialmente em nome da Diocese de Palo, gostaria de agradecer a generosidade de todos os que nos têm ajudado para podermos recuperar e recomeçar de novo.”

texto por Paulo Aido, Fundação Ajuda à Igreja que Sofre
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