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“Deus está a chegar”
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O Papa Francisco lembrou que o Natal convida à esperança. Na semana em que foi publicada a mensagem para o 50° Dia Mundial da Paz, o Papa rezou pela Síria, encontrou-se com autarcas, incluindo o de Lisboa, e rezou aos pés da Imaculada.

 

1. “Quando tudo parece perdido, quando, à vista de tantas realidades negativas, se torna difícil acreditar e vem a tentação de dizer que já nada tem sentido, faz-se ouvir a Boa Nova: Deus está a chegar, para realizar algo de novo, instaurar um Reino de paz, vem trazer liberdade e consolação”, frisou o Papa Francisco, na audiência-geral de quarta-feira, 14 de dezembro. O Natal, segundo o Papa, convida à esperança: “O mal não triunfará para sempre, acabará a tribulação. E nós somos chamados a ser homens e mulheres de esperança, que proclamam a vinda deste Reino feito de luz e destinado a todos. Esta mensagem é urgente! Devemos também nós correr, como o mensageiro sobre os montes de que fala o profeta, porque o mundo não pode esperar, a humanidade tem fome e sede de justiça e paz”.

 

2. O Papa propõe a “não-violência” para resolver as crises político-militares. Na sua mensagem para o Dia Mundial da Paz de 2017 (1 de janeiro), com o tema ‘A não-violência: estilo de uma política para a paz’, Francisco apela à abolição das armas nucleares. “A violência não é o remédio para o nosso mundo dilacerado. Responder à violência com a violência leva, na melhor das hipóteses, a migrações forçadas e a sofrimentos atrozes” e, “no pior dos casos, pode levar à morte física e espiritual de muitos, se não mesmo de todos”, escreve. O Papa refere que as “grandes quantidades de recursos” destinadas a fins militares retiram capacidade de investimento, aos Estados, para responder às “exigências do dia-a-dia dos jovens, das famílias em dificuldade, dos idosos, dos doentes, da grande maioria dos habitantes da terra”. O documento apresenta a não-violência como “estilo duma política de paz”, a nível pessoal e comunitário, dando como exemplo as pessoas que sabem resistir à “tentação da vingança”, protagonizando assim “processos não-violentos de construção da paz”. Francisco retoma os seus alertas sobre a “terrível guerra mundial aos pedaços” que considera estar em curso neste momento, com “guerras em diferentes países e continentes; terrorismo, criminalidade e ataques armados imprevisíveis; abusos sofridos pelos migrantes e as vítimas de tráfico humano; devastação ambiental”.

A mensagem alude ainda ao ensinamento de Jesus Cristo sobre a violência e a paz, a partir do “coração humano”, e pede aos católicos que adiram a esta “proposta de não-violência”.

 

3. O Papa deixou, no passado Domingo, 11 de dezembro, um novo apelo ao fim das hostilidades na Síria. Na celebração do Angelus, no Vaticano, Francisco disse que todos os dias está “próximo da gente de Alepo, sobretudo pela oração”. Numa altura em que são muitos os apelos internacionais a um cessar-fogo, o Papa afirma que “não nos devemos esquecer que Alepo é uma cidade e que lá existe gente: famílias, crianças, idosos, pessoas doentes”. “Infelizmente, já nos habituámos à guerra e à destruição, mas não podemos esquecer que a Síria é um país cheio de história, de cultura e de fé. Não podemos aceitar que isto seja negado pela guerra, que é o cúmulo de abusos e falsidades. Faço um apelo para que todos se empenhem a favor de uma opção de civilização: não à destruição, sim à paz, sim à gente de Alepo e da Síria”, apelou o Santo Padre, pedindo ainda orações pelas vítimas dos ataques terroristas em vários países, como a Turquia ou o Egipto.

Também neste dia foi divulgado o documentário ‘Papa Francesco: come Dio comanda’, na Sky Atlantic, um canal privado italiano, para assinalar o 80º aniversário do Papa, que é cumprido neste sábado, 17 de dezembro. Apesar de não ter inéditos, nem qualquer intervenção direta de Francisco, o filme recupera episódios de viagens já realizadas, encontros e entrevistas, com imagens oficiais e outras realizadas pelos próprios fiéis com os seus telemóveis, em diferentes países e continentes, como Rio de Janeiro, Tacloban (nas Filipinas), Istambul, Ciudad Juarez (no México) ou Assis. O lado mais íntimo de Francisco volta a ser revelado em excertos de conversas gravadas em vários momentos desde que foi eleito, onde, por exemplo, admite que o seu pontificado será breve (uns quatro ou cinco anos), reconhece que todos precisam de conversão, incluindo o próprio Papa, e que sempre que se emociona fecha-se e defende-se, talvez por um certo pudor machista.

 

4. O presidente da Câmara de Lisboa lamentou, no Vaticano, a falta de “vontade política” para acolher refugiados na Europa. Num encontro com cerca de 80 autarcas de todo o mundo, promovido pela Santa Sé, Fernando Medina, segundo a Rádio Vaticano, foi “duro” contra a falta de vontade política e recordou que, no passado, alguns Estados europeias acolheram grande número de refugiados. No Vaticano esteve também Rui Marques, da Plataforma de Apoio aos Refugiados (PAR), e o presidente da Câmara Municipal da Batalha, Paulo Batista dos Santos, que viu nesta viagem um “reconhecimento” pelo trabalho que está a ser feito no concelho, onde foram recebidas duas famílias iraquianas, de origem palestina.

Organizado pela Academia Pontifícia para as Ciências, este encontro internacional com o tema ‘Os refugiados são nossos irmãos e irmãs’, decorreu nos dias 9 e 10 de dezembro e pretendia alertar para a situação dos mais de 125 milhões de refugiados no mundo. A primeira sessão de trabalho contou com intervenções dos autarcas de Roma, Virginia Raggi, que agradeceu ao Papa pelo seu “grande papel de estímulo e de persuasão moral” no campo dos refugiados, e de Barcelona, Ada Colau, para quem estas populações são a “esperança” para a Europa cujos valores “entraram profundamente em crise”.

 

5. Na Solenidade da Imaculada, a 8 de dezembro, o Papa Francisco dirigiu-se à Praça de Espanha, no centro de Roma, para renovar o tradicional ato de homenagem e de oração aos pés de Nossa Senhora: “Ó Maria, nossa Mãe Imaculada, no dia de tua Festa venho a Ti, e não venho sozinho: trago comigo todos aqueles que o teu Filho me confiou, nesta cidade de Roma e em todo o mundo, para que Tu os abençoe e os salve dos perigos (…) Faz que não cedamos ao desencorajamento, mas, confiando na tua constante ajuda, nos empenhemos a fundo para renovar nós mesmos, esta Cidade e o mundo inteiro”.

Aura Miguel, jornalista da Renascença, à conversa com Diogo Paiva Brandão
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