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Carta Pastoral da Conferência Episcopal Portuguesa no Centenário das Aparições de Nossa Senhora em Fátima
‘Fátima, sinal de esperança para o nosso tempo’
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Os bispos portugueses reafirmaram “a atualidade” da mensagem das aparições da Virgem Maria em Fátima para a “revitalização” da fé e do “compromisso evangelizador”. Intitulada ‘Fátima, sinal de esperança para o nosso tempo’, a Carta Pastoral da Conferência Episcopal Portuguesa foi divulgada a 16 de dezembro, dia em que o Vaticano confirmou a presença do Papa Francisco no Santuário de Fátima, nos dias 12 e 13 de maio de 2017.

 

Ao longo de quatro capítulos – ‘O centenário das aparições de Fátima’, ‘Uma bênção para a Igreja e para o mundo’, ‘O dom e o convite da mensagem de Fátima’ e ‘Fátima no futuro da Igreja, de Portugal e do mundo’ –, a mais recente Carta Pastoral do episcopado português começa por fazer o contexto das aparições: “As aparições tiveram lugar na Cova da Iria, no ano de 1917, com três crianças entre os sete e os dez anos de idade, Lúcia, Francisco e Jacinta, como protagonistas. O contexto nacional e internacional era dramático: Portugal atravessava uma crise política, religiosa e social profunda e a Europa estava, como nunca antes na sua história, imersa numa guerra mundial, em que também o nosso país estava envolvido”. O documento recorda que “em 13 de maio de 1917, foram testemunhas da aparição da Senhora «mais brilhante que o sol» [Lúcia de Jesus, ‘Memórias da Irmã Lúcia’] no cimo de uma azinheira”. “Convidou-as a regressar àquele mesmo lugar no dia 13 dos meses seguintes, até outubro. E ao longo destes encontros, comunicou-lhes uma mensagem de misericórdia e paz, depois transmitida através dos interrogatórios a que as crianças desde o princípio foram submetidas e das Memórias escritas pela Lúcia anos mais tarde”, lembra o texto, sublinhando que “a última [aparição] deu-se a 13 de outubro, na presença de cerca de setenta mil pessoas, umas crentes, outras céticas, para verem o sinal prometido pela Virgem, o chamado “milagre do sol”, divulgado pela imprensa da época”.

Nos 15 pontos da Carta Pastoral, a Conferência Episcopal Portuguesa (CEP) destaca igualmente a receção do acontecimento e da mensagem de Fátima.O povo de Deus começou desde muito cedo a reunir-se ao pé da azinheira para rezar. E em 1919 torna possível a edificação de uma capelinha, como havia pedido Nossa Senhora. É ele quem responde com atos de desagravo aos ataques e profanações dos adversários, de que é exemplo a dinamitação da capelinha, em 6 de março de 1922. A capela foi novamente reerguida e consagrada em 13 de janeiro de 1923. Paulatinamente, foram-se ampliando e consolidando o culto e as práticas de piedade naquele lugar. Finalmente, o bispo de Leiria, D. José Alves Correia da Silva, apoiando-se no Relatório de uma Comissão Canónica por ele nomeada, publicou, em 13 de outubro de 1930, a Carta Pastoral «A Providência Divina» sobre o Culto de Nossa Senhora de Fátima, declarando como dignas de crédito as visões das três crianças e permitindo oficialmente o culto de Nossa Senhora do Rosário de Fátima. Nas palavras do cardeal D. Manuel Gonçalves Cerejeira, «não foi a Igreja que impôs Fátima, foi Fátima que se impôs à Igreja» [Manuel Gonçalves Cerejeira, ‘Fátima e a Igreja’]. De facto, a devoção a Nossa Senhora do Rosário de Fátima e a espiritualidade que brota da sua mensagem rapidamente passaram a marcar a pastoral da Igreja em Portugal e em todo o mundo”, apontam os bispos, destacando que “a mensagem é essencialmente um dom inefável de graça, misericórdia, esperança e paz”, que “chama ao acolhimento e ao compromisso”. “Em sintonia com a piedade do nosso povo e sob a iluminação do Espírito Santo, nós, os bispos, sentimos a responsabilidade de aprofundar o significado deste acontecimento, de destacar a sua atualidade para a nossa vida cristã e de explicitar as suas potencialidades para nutrir a nossa conversão espiritual, pastoral e missionária”, frisam.

 

Bênção e interpelação

O segundo capítulo da Carta Pastoral recorda “a bênção” que as aparições foram “para a humanidade inteira”. “Essa bênção era a motivação de quanto estava a acontecer e permite-nos penetrar no núcleo da iniciativa de Deus que, na presença cheia de luz e de beleza da Virgem Maria, mostrava a sua proximidade misericordiosa, junto do seu povo peregrino. No meio de situações verdadeiramente dramáticas, quando muitos contemporâneos estavam dominados pela angústia e a incerteza, quando a força do mal e do pecado parecia impor o seu domínio, a Virgem Maria faz brilhar em todo o seu esplendor a vontade salvífica de Deus, uma bênção que revela a extensão da sua ternura a todas as criaturas. O seu convite à conversão, à oração e à penitência pretende desbloquear os obstáculos que impedem os seres humanos de experimentar uma bondade que procede de Deus e foi depositada no coração humano”, destaca o texto.

Os bispos portugueses sublinham, por isso, que as aparições de Nossa Senhora em Fátima foram uma “bênção e interpelação para a Igreja em Portugal” e que “o Santuário de Fátima converteu-se no coração espiritual” do país. “Esta singular ligação da Igreja em Portugal a Fátima tornou-se patente na consagração de Portugal ao Imaculado Coração de Maria, em 13 de maio de 1931, por ocasião da primeira peregrinação nacional. E manifestou-se mais recentemente, de 13 de maio de 2015 a 13 de maio de 2016, quando a Imagem Peregrina percorreu as nossas dioceses”, salientam. Mas foi também, segundo os prelados, “bênção e interpelação para a Igreja Universal” – “é para nós uma graça o reconhecimento das aparições de Fátima pelos sucessivos papas na sua ligação a Nossa Senhora do Rosário de Fátima” – e “para o mundo inteiro” – “a mensagem da Senhora de Fátima agita as nossas consciências para que reconheçamos a tarefa desta hora histórica: a tarefa de não nos deixarmos cair na indiferença diante de tanto sofrimento; de respeitarmos a memória de tantas vítimas inocentes; de não deixarmos que o nosso coração se torne insensível ao mal tantas vezes banalizado”.

 

Contemplação, compaixão e anúncio

‘O dom e o convite da mensagem de Fátima’ é o título do terceiro capítulo da Carta Pastoral. “A mensagem de Fátima mostra-nos uma experiência universal e permanente: o confronto entre o bem e o mal que continua no coração de cada pessoa, nas relações sociais, no campo da política e da economia, no interior de cada país e à escala internacional. Cada um de nós é interpelado a corresponder ao chamamento de Deus, a combater o mal a partir do mais íntimo de si mesmo, a compreender o sentido da conversão e do sacrifício em favor dos outros, como fizeram os três pastorinhos, na sua pureza e inocência”, observa o texto, convidando a “voltar a centrar o olhar em Deus Trindade”.

O documento destaca igualmente a contemplação, a compaixão e o anúncio como sendo os carismas dos videntes. “Os diferentes carismas de cada um marcarão profundamente a espiritualidade de Fátima e continuam a atrair e a contagiar os peregrinos. Francisco reconhece simultaneamente a transcendência de Deus e o júbilo pela sua presença. (…) Jacinta era especialmente sensível a Cristo crucificado, que para ela condensava o amor de Deus e suscitava, por isso, uma imensa gratidão. (…) Lúcia assumirá como missão da sua vida transmitir a todos o amor de Deus manifestado no Coração Imaculado de Maria”, aponta.

A mensagem de Fátima é “um veemente apelo à conversão e à penitência”, ainda segundo este capítulo: “O pedido repetido para que os homens não ofendam mais a Deus, a tristeza de Nossa Senhora como expressão da não indiferença diante dos pecados cometidos, o convite à oração e ao sacrifício pelos pecadores são simultaneamente denúncia do mal, apelo à conversão e afirmação categórica do amor de Deus”.

 

Compromisso com o bem

O quarto e derradeiro capítulo da Carta Pastoral da Conferência Episcopal Portuguesa no Centenário das Aparições de Nossa Senhora em Fátima tem como título ‘Fátima no futuro da Igreja, de Portugal e do mundo’ e destaca que “na sua dupla dimensão mística e profética, Fátima – na sua mensagem e no seu Santuário – tem uma missão a cumprir na Igreja e no mundo: ser farol e estímulo para a conversão pastoral da Igreja e critério e bússola a orientar o compromisso dos cristãos nos conflitos do nosso mundo”. “A espiritualidade de Fátima, que acompanha e sustém as peregrinações, purifica e eleva atitudes puramente naturais da religiosidade para as transformar em atitudes filiais”, salienta o documento, reforçando que “é particularmente significativa a atenção que em Fátima se dá aos mais frágeis e vulneráveis – as crianças, os doentes, os idosos, as pessoas com deficiência, os migrantes – que neste lugar e na sua proposta espiritual encontram hospitalidade, cuidado, rumo e energia”.

Os bispos portugueses apelam ainda a uma Igreja com rosto mariano. “A mensagem de Fátima inspira a Igreja a encontrar e a aprofundar os traços do seu rosto mariano. Acolhendo esta interpelação, a Igreja, sacramento universal da salvação, é levada a acolher com Maria e como ela a missão que procede de Deus, a seguir Jesus como discípula fiel e crente, a ser sensível às necessidades dos próximos e aos clamores dos distantes, a estar disposta a permanecer junto à cruz, a assumir o peso da incompreensão e da perseguição, a irradiar a glória e as primícias da ressurreição, a ser “hospital de campanha” que sai ao encontro dos feridos e não “alfândega” que fecha as portas”, lembram, garantindo que Maria “é para cada cristão um modelo do ser humano, convidando-o à conversão pessoal” e que “a Igreja encontra, assim, em Nossa Senhora do Rosário de Fátima, da Senhora do Coração Imaculado, e na sua mensagem um valioso instrumento catequético para a sua vida e missão de evangelizadora no nosso milénio”.

A Carta Pastoral, com data de 8 de dezembro de 2016, Solenidade da Imaculada Conceição da Virgem Santa Maria, termina no ponto 15 onde é sublinhado que “a mensagem de Fátima alimenta também o compromisso profético com o mundo presente face às injustiças e a todos os fenómenos de exclusão, qualquer que seja a sua raiz”. “Desde a sua génese, o acontecimento de Fátima revela os desígnios de misericórdia que Deus desejava realizar através dos pastorinhos sob o olhar maternal da Mãe de Jesus. Concluído o Ano Santo da Misericórdia, é necessário conservar e desenvolver este manancial, dar o primado à misericórdia, numa cultura contemporânea que a quer erradicar, como dizia São João Paulo II e o papa Francisco nos recorda na Bula Misericordiae vultus”, lembram. Neste sentido, fiel “ao carisma de Fátima”, a Igreja é chamada “a acolher o convite à promoção e defesa da paz entre os povos, denunciando e opondo-nos aos mecanismos perversos que enfrentam raças e nações”. “Fátima ergue-se como palavra profética de denúncia do mal e compromisso com o bem, na promoção da justiça e da paz, na valorização e respeito pela dignidade de cada ser humano”, apontam os bispos, frisando que “a missão dos cristãos manifesta-se no esforço por tentar tudo fazer, para que o poder do mal seja detido e continuem a crescer as forças do bem”.

O centenário das aparições em Fátima é um momento de júbilo para a Igreja: “No trilho da imensa multidão dos peregrinos que desejam beber do Evangelho nas fontes de Fátima e se confiam ao cuidado materno da Senhora do Rosário, a Igreja rejubila com o dom do acontecimento de Fátima neste seu centenário. O seu Santuário continua como lugar de refontalização da fé e de vivência eclesial. A sua mensagem interpela-nos e incita-nos a seguirmos o caminho da renovação interior, apoiados na afirmação de Jesus, o filho de Maria: «Tem confiança: Eu já venci o mundo» (Jo 16,33). Na medida em que por ela se deixar habitar, a comunidade dos crentes pode oferecer ao mundo a Luz de Deus que preenche o Coração cheio de graça e misericórdia da Virgem Mãe, custódia da inabalável esperança no triunfo do amor sobre os dramas da história”, termina a Carta Pastoral ‘Fátima, sinal de esperança para o nosso tempo’.

 

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 Carta Pastoral na íntegra

Veja em www.conferenciaepiscopal.pt/v1/documentos

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