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Papa exprime dor por motim em prisão no Brasil
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O Papa Francisco renovou o apelo para que as prisões sejam lugares de reinserção social. Na semana em que escreveu uma carta aos bispos de todo o mundo, o Papa fez um elogio às mães e evocou os “povos que vivem atribulados pela guerra”.

 

1. O Papa manifestou a sua dor e preocupação face ao motim na prisão de Manaus, no Brasil, apelando à oração. “Chegaram do Brasil notícias dramáticas do massacre que ocorreu na prisão de Manaus, onde um violentíssimo confronto entre bandos rivais causou dezenas de mortos. Exprimo dor e preocupação pelo que aconteceu. Convido a rezar pelos defuntos, pelos seus familiares, por todos os detidos daquela prisão e por quantos lá trabalham”, salientou o Papa, na audiência-geral de quarta-feira, 4 de janeiro. Na Aula Paulo VI, no Vaticano, Francisco pediu ainda que as prisões sejam reais lugares de reeducação e de reinserção: “Renovo o apelo para que os institutos penitenciários sejam lugares de reeducação e de reinserção social e para que as condições de vida dos detidos sejam dignas de pessoas humanas”.

Antes, na habitual catequese, o Papa convidou a olhar Cristo no crucifixo. “Quando  alguém vem ter comigo com perguntas difíceis, como por exemplo: “Padre, diga-me, porque sofrem as crianças?”, na verdade, não sei responder; digo apenas: “Olha para o crucifixo. Deus deu-nos o seu Filho, Ele sofreu e, talvez encontres aí a resposta”. Mas respostas, não existem. Só olhando para o amor de Deus que dá o seu Filho, que oferece a sua vida por nós, é que se pode encontrar algum caminho de consolação. É por isso que dizemos que o Filho de Deus entrou na dor dos homens, partilhou e acolheu a morte; a sua Palavra é definitivamente palavra de consolação porque nasce do pranto”, referiu o Papa, sublinhando ainda que “para falar de esperança a quem está desesperado, é preciso compartilhar o seu desespero; para enxugar as lágrimas do rosto de quem sofre, é preciso unir o nosso pranto ao seu”.

 

2. Numa carta aos bispos católicos de todo o mundo, o Papa convida os prelados a lutar pelos direitos das crianças e reforça a “tolerância zero” para casos de abusos sexuais. “Revistamo-nos da coragem necessária para promover todos os meios necessários e proteger em tudo a vida das nossas crianças, para que tais crimes nunca mais se repitam. Assumamos, clara e lealmente, a determinação ‘tolerância zero’ neste campo”, apela Francisco, numa missiva assinada a 28 de dezembro, dia em que a Igreja celebra a festa dos Santos Inocentes, e divulgada na passada segunda-feira, 2 de janeiro.

A carta evoca o sofrimento dos menores que foram abusados sexualmente por sacerdotes, falando num pecado que “cobre de vergonha” a Igreja Católica. “Deploramos isso profundamente e pedimos perdão. Solidarizamo-nos com a dor das vítimas e, por nossa vez, choramos o pecado: o pecado que aconteceu, o pecado de omissão de assistência, o pecado de esconder e negar, o pecado de abuso de poder”, escreve o Papa, pedindo “empenho total” de todos os responsáveis católicos para que tais “atrocidades” não voltem a acontecer.

O texto recorda ainda os sofrimentos de milhões de crianças vítimas da fome, da guerra, das migrações forçadas e do tráfico humano, e conclui com um apelo a “proteger a vida, especialmente a dos santos inocentes de hoje”, para que não lhes “roubem a alegria”.

 

3. O Papa Francisco fez um elogio às mães, durante a Missa na Solenidade de Santa Maria, Mãe de Deus. “Aprendi muito com as mães que, tendo os filhos na prisão ou estendidos numa cama de hospital ou subjugados pela escravidão da droga, esteja frio ou calor, faça chuva ou sol, não desistem e continuam a lutar para lhes dar o melhor; ou com as mães que, nos campos de refugiados ou até no meio da guerra, conseguem abraçar e sustentar, sem hesitação, o sofrimento dos seus filhos. Mães que dão, literalmente, a vida para que nenhum dos filhos se perca. Onde estiver a mãe, há unidade, há sentido de pertença: pertença de filhos”, assinalou Francisco, no passado dia 1 de janeiro.

Neste 50º Dia Mundial da Paz, o Papa lamentou, durante o Angelus, o atentado na Turquia, na noite de passagem de ano, apelando à luta contra o terrorismo e à adoção da não-violência como estilo de vida: “A violência voltou a atingir-nos, nesta noite de festa e esperança. Pesaroso, exprimo a minha proximidade ao povo turco, acompanho com a oração os muitos defuntos e feridos e todo a nação enlutada. Peço ao Senhor que apoie todos os homens de boa vontade que, corajosamente, dão as mãos para enfrentar a praga do terrorismo, esta mancha de sangue que envolve o mundo numa sombra de medo e de confusão”. A resposta a esta “praga”, segundo o Papa Francisco, é uma inversão da lógica e a aposta na não-violência como estilo de vida. “É assim que se constrói a paz: dizendo ‘não’ – com os factos – ao ódio e à violência e ‘sim’ à fraternidade e à reconciliação”.

 

4. No Dia de Natal, o Papa denunciou o sofrimento causado pela guerra civil na Síria, pedindo o fim definitivo do conflito, em particular na cidade de Alepo. “É tempo que as armas se calem definitivamente, e a comunidade internacional se empenhe ativamente para se alcançar uma solução negociada e restabelecer a convivência civil no país”, declarou Francisco, na sua Mensagem de Natal, proferida na varanda da Praça de São Pedro. A tradicional intervenção de 25 de dezembro, que antecede a bênção ‘urbi et orbi’ [à cidade (de Roma) e ao mundo], evocou os “povos que vivem atribulados pela guerra e duros conflitos” e sentem mais intensamente o “desejo da paz”.

Na Missa do Galo, na Basílica de São Pedro, o Papa lembrou as crianças que morrem a tentar fugir da guerra, que passam fome ou são órfãos. “Deixemo-nos interpelar pelo Menino na manjedoura, mas deixemo-nos interpelar também pelas crianças que, hoje, não são reclinadas num berço nem acariciadas pelo carinho de uma mãe e de um pai, mas jazem nas miseráveis ‘manjedouras de dignidade’: no abrigo subterrâneo para escapar aos bombardeamentos, na calçada de uma grande cidade, no fundo de um barco sobrecarregado de migrantes. Deixemo-nos interpelar pelas crianças que não se deixam nascer, as que choram porque ninguém lhes sacia a fome, aquelas que na mão não têm brinquedos, mas armas”, pediu Francisco, no dia 24 de dezembro.

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