Missão |
Tomás Câmara Pestana, da Equipa d’África
“Voltei uma pessoa diferente, sobretudo uma pessoa mais feliz!”
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Tomás Câmara Pestana nasceu a 13 de maio de 1993, em Lisboa, e é atualmente o responsável pela ONGD Equipa d’África. É licenciado em Gestão pelo ISEG e terminou recentemente um MBA em Empreendedorismo e Sistemas de Informação. Em agosto esteve em missão em Maúa, na Província do Niassa em Moçambique.

 

A fé e a vontade de crescer

Cresceu com uma educação cristã muito presente “através sobretudo dos testemunhos dos meus avós maternos, da minha mãe e do escutismo”. Foi batizado no dia 8 de dezembro de 1993, fez o percurso catequético normal e depois de fazer a Profissão de Fé percebeu que não estava preparado para fazer o Crisma e por isso decidiu sair da catequese, mantendo no entanto uma forte ligação com a fé, tendo sido escuteiro católico durante 14 anos. Em 2015 sentiu que estava finalmente pronto para receber o Sacramento do Crisma. “Depois de muitos anos como escuteiro, como voluntário da Santa Casa da Misericórdia apoiando numa escola primária na Abóboda, depois de criar e coordenar a Iniciativa Jovem (grupo de jovens da Paróquia da Parede), surgiu em mim uma vontade de procurar outro desafio. De procurar algo que me desse as ferramentas para continuar a crescer”, diz-nos.

 

Descobrir que se quer mais da missão!

 Foi então que aceitou o desafio de conhecer e entrar na Equipa d’África como nos conta: “Surgiu então o convite da Maria Lagos, que já era minha amiga dos escuteiros e que ia entrar nesse ano para a Equipa d’África e lá fui à reunião de apresentação. Depois de um primeiro ano intenso, com, como costumo dizer tantas vezes, uma ‘overdose de crescimento’, parti em missão para o Gavião, uma bonita aldeia no interior de Portugal. Foi a minha primeira missão pela Equipa d’África e uma missão que me mudou muito. Voltei com um enorme desejo de servir ainda mais, de ser ainda mais, de me entregar ainda mais. Em 2016, meu segundo ano na EA (é assim que falamos da Equipa d’África), fui descobrindo a pouco e pouco que queria mais de missão. Que queria sair de portas, que queria ir para Moçambique e abraçar aquela que prometia ser uma das maiores e mais bonitas aventuras da minha vida. E assim veio a suceder.”

 

“Missão é ir e voltar!”

No dia 11 de agosto partiu para Maúa (Província do Niassa) em Moçambique. Na primeira pessoa, relata-nos essa experiência: “Ainda me é muito difícil falar de Maúa, falar de missão, abrir tantas ‘gavetas’ que se abriram com este mês e meio de partilha, oração, entrega, serviço e tanta e tão boa vida em comunidade. Mas a pouco e pouco vou sendo capaz de ir ‘arrumando o coração’. Aqueles dias vividos em Maúa foram dos dias mais felizes de toda a minha vida! Fiquei verdadeiramente apaixonado por aquele povo, pela sua alegria, pela sua arte de tão bem receber, pela sua fé tão forte e expressada com tanta música, cor e simplicidade. Recordo como se fossem hoje aquelas missas às cinco da manhã, que começavam de noite e terminavam com um soberbo e vermelho nascer do sol. As missas de Domingo cheias de gente e danças, os passeios pelas estradas e estradinhas de Maúa, as primeiras palavras em Macua, as mudanças nas expressões faciais das crianças aos adultos, quando viam um branco a andar pela sua terra, primeiro um olhar desconfiado, depois o maior dos sorrisos, seguido sempre de uma conversa e de uma tentativa de ensinar a sua língua. Dei por mim a dar aulas de Português, Matemática, Inglês, Francês, mas ao mesmo tempo a ter aulas de Macua e sobretudo a levar grandes lições de humildade e humanidade. Ainda estão tão presentes as brincadeiras com as crianças, as tardes de futebol com os jovens, as orações diárias com os Padres, as danças à luz da Lua ou da fogueira e ao som dos batuques, aquelas refeições sempre tão animadas na missão com aquela que se tornou a nossa família, as aventuras tecnológicas com a Irmã Silvéria, os “safaris” na despensa do Papá Paulo… São muitas as lembranças que trago no coração, mas sobretudo as pessoas. “Aqueles que passam por nós não vão sós, deixam um pouco de si e levam um pouco de nós”. Sinto mesmo que esta frase representa a missão que vivi em Maúa. Parti com a Marta, Joana e Antonieta, mas também com toda a Equipa d’África, Jesus e a minha família. A verdade é que não só voltei com essas pessoas que partiram comigo, como trouxe comigo muitas mais. Acho que é esta a magia de partir para O servir, de partir para os outros, de viver para os outros. Voltei uma pessoa diferente, sobretudo uma pessoa mais feliz, com um coração bem mais cheio por ter ‘bebido’ de tão grandes testemunhos, mais humilde, com uma fé ainda mais forte e com a certeza de que como dizia um dos Padres da nossa missão: “Missão é ir e voltar”. Que eu consiga voltar completamente e viver a missão que será sempre a mais desafiante e difícil de todas, a missão do dia-a-dia”.

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