Juventude |
Missão LX, em Marvila
Não tenham medo!
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A atividade juvenil que reuniu mais de 40 jovens para um “fim de ano diferente”, na Paróquia de Marvila, em Lisboa, continua a dar frutos. O Serviço da Juventude publica o testemunho do jovem Fábio Carvão, que “largou o sofá”, para “encarar Cristo como uma realidade”, ao participar na Missão LX, entre 28 de dezembro de 2016 e 1 de janeiro de 2017.

 

O final de ano diferente, longe da boémia da meia-noite, e junto daqueles que não têm relógio, não têm tempo nem espaço, onde simplesmente se vê o mais belo dos “foguetes” a arder, a vela… já pensaste que para a vela iluminar a noite tem de se sacrificar? Talvez tenha sido esse o Sentido de Deus ao chamar-nos aqui, o sacrifício de largar o sofá, o conforto diário, o zapping no facebook e ser missionário, ir às periferias que o Papa Francisco tanto nos tem falado…

Chegados de Paialvo (aldeia perto de Tomar), eu e a Maria Pestana, não sabíamos para o que vínhamos, mas tínhamos certeza que vínhamos disponíveis e que Deus providenciaria tudo…. Maioritariamente jovens de Lisboa, estávamos para servir, com o tema “Não tenhais medo”. Começámos o primeiro dia com discussão e amadurecimento do tema, o que envolveu criação de laços entre os participantes, bem como reflexão bíblica. Os dias eram preenchidos com a oração da manhã, onde pedíamos por nós missionários, mas também por outras inquietações que trazíamos...

A partilha era uma constante, quer fosse em volta de uma mesa, quer na rua, quer mesmo no interior da igreja de Marvila, que tão bem nos acolheu. Fomos desafiados a ter Eucaristia diariamente com a comunidade, que logo de início pensei que fosse maçudo, mas viria a descobrir que fazia sentido, já que entregávamos o dia a Deus, tudo o que tinha corrido bem e menos bem, comungando assim D’ele e com Ele… Fomos, ao longo dos dias, distribuídos por vários serviços, desde lares, centros de dia, em que visitámos idosos que há algum tempo não vêm os seus familiares, ou mesmo os acamados que muitas vezes não dão conta aos dias, sempre no mesmo espaço. De repente, um som de uma guitarra e vozes de uns jovens que não conheciam de lado nenhum, mas que chegaram ali através de Cristo, mudava o dia e foi essa a nossa missão: tentar transmitir o AMOR que Deus, por intermédio de Jesus, nos tinha dado. Visitámos ainda a creche, fizemos missão porta-a-porta, com músicas e conversas para alegrar o dia do outro, sentindo que afinal eram as pessoas que estavam a fazer missão connosco, pelas ruas de Marvila…

Fomos muito bem acolhidos na paróquia. Eu fiquei em casa do Senhor Manuel e da Dona Adelaide, que prontamente disponibilizaram tudo. É incrível como alguém se dispõem a acolher jovens, vindos de outros locais, com vivências distintas… Aí percebi que a frase do Papa João Paulo II fazia sentido: “Abri as portas a Cristo e não tenhais medo do amor de Deus”.

Houve momentos particularmente marcantes: a oração em casa dos nossos “pais” de Marvila, em que eu e o Gonçalo (seminarista que vivia comigo) tínhamos de preparar uma noite de oração para a nossa família de acolhimento. Quando reparas que os vizinhos vêm deixando o conforto de suas casas para rezar com dois miúdos que estão ali só durante uma semana, e que uma senhora de 90 anos sobe e desce 2 vezes um prédio para rezar connosco, é reconfortante e apercebemos que a nossa missão, ali, tem um propósito.

O momento da reconciliação (confissão) tocou-me bastante, juntamente com o estar disponível para acolher, a oração de final de ano, à meia-noite, às escuras, dentro de uma igreja. Nesse momento, apercebes-te que há um frenesim imenso, por causa de uma mudança de ano e que tu estás a tomar a melhor parte, ao jeito de Jesus, que se retira para orar. Conseguir dar estes passos na caminhada, é brutal! Percebes que os foguetes no teu coração são maiores e mais duráveis que o investimento de milhões de euros em fogo-de-artifício, que traz frutos e não é apenas uma passagem de ano, não é um momento isolado… Esta missão fez com que, neste momento, tenha uma vida de oração quase diária! Desafio: Sair de casa, largar o sofá, e encarar Cristo como uma realidade e não como uma lenda.

Não tenham medo!

 

Fábio Carvão,

Juventude Mariana Vicentina de Paialvo

 

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Carta do Papa Francisco aos jovens, por ocasião da apresentação do Documento Preparatório para a XV Assembleia Geral Ordinária do Sínodo dos Bispos

 

Caríssimos jovens!

 

É-me grato anunciar-vos que em outubro de 2018 se celebrará o Sínodo dos Bispos sobre o tema «Os jovens, a fé e o discernimento vocacional». Eu quis que vós estivésseis no centro da atenção, porque vos trago no coração. Exatamente hoje é apresentado o Documento preparatório, que confio também a vós como «bússola» ao longo deste caminho.

 

Vêm-me à mente as palavras que Deus dirigiu a Abraão: «Sai da tua terra, deixa a tua família e a casa do teu pai, e vai para a terra que Eu te mostrar!» (Gn 12, 1). Hoje estas palavras são dirigidas também a vós: são palavras de um Pai que vos convida a «sair» a fim de vos lançardes em direção de um futuro desconhecido, mas portador de realizações seguras, ao encontro do qual Ele mesmo vos acompanha. Convido-vos a ouvir a voz de Deus que ressoa nos vossos corações através do sopro do Espírito Santo.

 

Quando Deus disse a Abraão «Sai!», o que é que lhe queria dizer? Certamente, não para fugir dos seus, nem do mundo. O seu foi um convite forte, uma provocação, a fim de que deixasse tudo e partisse para uma nova terra. Qual é para nós hoje esta nova terra, a não ser uma sociedade mais justa e fraterna, à qual vós aspirais profundamente e que desejais construir até às periferias do mundo?

 

Mas hoje, infelizmente, o «Sai!» adquire inclusive um significado diferente. O da prevaricação, da injustiça e da guerra. Muitos de vós, jovens, estão submetidos à chantagem da violência e são forçados a fugir da sua terra natal. O seu clamor sobe até Deus, como aquele de Israel, escravo da opressão do Faraó (cf. Êx 2, 23).

 

Desejo recordar-vos também as palavras que certo dia Jesus dirigiu aos discípulos, que lhe perguntavam: «Rabi, onde moras?». Ele respondeu: «Vinde e vede!» (cf. Jo 1, 38-39). Jesus dirige o seu olhar também a vós, convidando-vos a caminhar com Ele. Caríssimos jovens, encontrastes este olhar? Ouvistes esta voz? Sentistes este impulso a pôr-vos a caminho? Estou convicto de que, não obstante a confusão e o atordoamento deem a impressão de reinar no mundo, este apelo continua a ressoar no vosso espírito para o abrir à alegria completa. Isto será possível na medida em que, inclusive através do acompanhamento de guias especializados, souberdes empreender um itinerário de discernimento para descobrir o projeto de Deus na vossa vida. Mesmo quando o vosso caminho estiver marcado pela precariedade e pela queda, Deus rico de misericórdia estende a sua mão para vos erguer.

 

Na inauguração da última Jornada Mundial da Juventude, em Cracóvia, perguntei-vos várias vezes: «As coisas podem mudar?». E juntos, vós gritastes um «Sim!» retumbante. Aquele brado nasce do vosso jovem coração, que não suporta a injustiça e não pode submeter-se à cultura do descartável, nem ceder à globalização da indiferença. Escutai aquele clamor que provém do vosso íntimo! Mesmo quando sentirdes, como o profeta Jeremias, a inexperiência da vossa jovem idade, Deus encoraja-vos a ir para onde Ele vos envia: «Não deves ter [...] porque Eu estarei contigo para te libertar» (cf. Jr 1, 8).

 

Um mundo melhor constrói-se também graças a vós, ao vosso desejo de mudança e à vossa generosidade. Não tenhais medo de ouvir o Espírito que vos sugere escolhas audazes, não hesiteis quando a consciência vos pedir que arrisqueis para seguir o Mestre. Também a Igreja deseja colocar-se à escuta da vossa voz, da vossa sensibilidade, da vossa fé; até das vossas dúvidas e das vossas críticas. Fazei ouvir o vosso grito, deixai-o ressoar nas comunidades e fazei-o chegar aos pastores. São Bento recomendava aos abades que, antes de cada decisão importante, consultassem também os jovens porque «muitas vezes é exatamente ao mais jovem que o Senhor revela a melhor solução» (Regra de São Bento III, 3).

 

Assim, inclusive através do caminho deste Sínodo, eu e os meus irmãos Bispos queremos, ainda mais, «contribuir para a vossa alegria» (2 Cor 1, 24). Confio-vos a Maria de Nazaré, uma jovem como vós, à qual Deus dirigiu o seu olhar amoroso, a fim de que vos tome pela mão e vos guie para a alegria de um «Eis-me!» pleno e generoso (cf. Lc 1, 38).

 

Com afeto paterno,

FRANCISCO

Vaticano, 13 de janeiro de 2017

 

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Papa quer conhecer expectativas e condições de vida dos jovens

 

No documento preparatório para o Sínodo dos Bispos de 2018, dedicado aos jovens e ao “discernimento vocacional”, foi anunciado a realização de um inquérito online dirigido à juventude de todo o mundo.

 

“Está prevista uma consulta a todos os jovens, através da internet, com um questionário sobre as suas expectativas e a sua vida”, adianta o documento, disponibilizado pela sala de imprensa da Santa Sé. Os chamados ‘lineamenta’ incluem já um questionário próprio, com 30 perguntas sobre a relação entre jovens, Igreja e sociedade; o acompanhamento espiritual e vocacional dos mais novos, por parte dos responsáveis católicos; a pastoral juvenil vocacional; e um conjunto de questões específicas para os vários continentes.

A Santa Sé questiona os jovens e os responsáveis católicos sobre o descontentamento perante o atual sistema político, económico e social na Europa: “Como ouvem este potencial de protesto, para que se transforme em protesto e colaboração?”.

texto por Serviço da Juventude, com Ecclesia

 

- Conhece o documento preparatório em: http://goo.gl/3H2oUP

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