Domingo |
À procura da Palavra
Sal e luz
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DOMINGO V COMUM Ano A

“Vós sois o sal da terra. Mas se ele perder a força,

com que há-de salgar-se?”

Mt 5, 13

 

Com os perigos da hipertensão em tantas pessoas e da descoberta de que o excesso de sal é um dos factores de risco, um médico meu amigo brincava com esta passagem do sermão da montanha, dizendo que hoje seria melhor Jesus dizer: “Vós sois as ervas aromáticas do mundo!” Para além da ‘brincadeira’, de facto a redescoberta das ervas aromáticas na culinária veio trazer um novo mundo de sabores. E se Jesus, depois de apresentar as bem-aventuranças, diz às multidões que somos e damos sabor ao mundo, a metáfora tem o seu valor.

Ser sal e luz são as características primeiras definidas para os discípulos. Como realidades essenciais que convocam a sair do privado da fé para o compromisso com o mundo. O sal nada faz se fica guardado. E o mesmo acontece com a luz que só se acende para se ver mais e melhor. Ao misturar-se com os alimentos, dissolvendo-se e desaparecendo na comida, o sal revela melhor os sabores e dá gosto ao insonso. As luzes conhecidas no tempo de Jesus, das velas, ao azeite ou às fogueiras, bem longe das lâmpadas e projectores de hoje, eram um bem precioso, que visualmente se gastavam no acto de iluminar ou aquecer. Dar sabor e dar luz implicam uma doação total, capaz de transformar o que se toca e o que se revela.

Como perde o sal o seu poder e a luz a sua função? Como com quase tudo na vida: quando se guarda sem se usar, quando se acumula sem partilhar! Que adiantam os dons e as riquezas guardadas ou concentradas, pelo simples desejo de ter? Esse é um dos ‘castigos’ que a posse acarreta: quem tem e vive para ter nunca se sente saciado. Dar sabor é também descobrir sabor, para dar ainda melhor. Levar luz é também receber luz, tantas vezes capazes de iluminar aquilo que sozinho não posso. Como gosto daquela belíssima frase de Simone Weil a lembrar que “à porta do farol faz escuro”. Podemos ser luz a guiar e a alertar em noites escuras, mas não precisaremos também de outros que iluminam a nossa escuridão?

A fé cristã como sabor e como luz não é um poder mas um presente. Que se oferece porque transborda do coração de quem a vive. Que a recebeu e acolheu da fonte que é Deus. Não procura sócios para um clube, nem manter património que não sirva para melhorar a humanidade. Procura o diálogo e a comunhão sem tentar destruir adversários, nem deseja maiorias sem cabeça nem coração. Vive o risco de ser recusada e a mesma alegria de Jesus em dar vida. E é muito mais, claro, mas se já vivêssemos isto...!

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