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“A esperança, para se alimentar, precisa dum «corpo»”
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O Papa Francisco prosseguiu as catequeses sobre a esperança. Na semana em que foi publicada a Mensagem do Papa para a Quaresma, o Vaticano reafirmou orientações contra eutanásia e Francisco lembrou que “toda a vida é sagrada” e alertou os religiosos para o perigo da “psicologia da sobrevivência”.

 

1. O Papa sublinhou a importância da Igreja como corpo para viver a esperança. “Não se aprende, sozinho, a esperar. Não é possível. A esperança, para se alimentar, precisa dum «corpo», no qual os vários membros se apoiem e animem mutuamente. Isto significa que esperamos, porque muitos irmãos e irmãs nos ensinaram a esperar e mantiveram viva a nossa esperança. A morada natural da esperança é um «corpo» solidário; no caso da esperança cristã, este corpo é a Igreja. Nela, os primeiros chamados a alimentar a esperança são aqueles a quem está confiado o cuidado e a orientação pastoral; e não por serem melhores do que os outros, mas em virtude dum ministério divino, que supera de longe as suas próprias forças. Por isso têm tanta necessidade do apoio orante, do respeito e compreensão de todos”, referiu Francisco, na audiência-geral de quarta-feira, 8 de fevereiro, na catequese sobre a esperança.

 

2. O “pobre não é uma pessoa anónima”, pelo contrário, “tem traços muito concretos” e “uma história pessoal”, “tem um rosto e, como tal, é um dom, uma riqueza inestimável e um ser querido e amado por Deus”. O Papa apela na sua Mensagem para a Quaresma de 2017, divulgada esta terça-feira, 7 de fevereiro, pelo Vaticano, à defesa da vida “frágil” e alerta para as consequências negativas de uma vida centrada no “dinheiro”. Na mensagem intitulada ‘A Palavra é um dom. O outro é um dom’, o Papa diz que “o outro é um dom” e que “a justa relação com as pessoas consiste em reconhecer, com gratidão, o seu valor”. Por isso, “o pobre à porta do rico não é um empecilho, mas um apelo a converter-se e mudar de vida”. A Mensagem para a Quaresma deste ano convida a “abrir a porta a cada necessitado e nele reconhecer o rosto de Cristo”. E não é preciso ir muito longe, diz o Papa: “Cada um de nós encontra-o no próprio caminho”.

Francisco afirma que é preciso levar a sério o Evangelho e os seus alertas sobre “a corrupção do pecado, que se realiza em três momentos sucessivos: o amor ao dinheiro, a vaidade e a soberba”. O dinheiro, alerta, “em vez de instrumento para fazer o bem e exercer a solidariedade com os outros, pode-nos subjugar, a nós e ao mundo inteiro, numa lógica egoísta” que não deixa espaço ao amor e dificulta a paz. Para Francisco, “a ganância do rico fá-lo vaidoso”. O rico passa a viver de aparências, uma “máscara para o seu vazio interior”. Pior ainda “é a soberba”, porque o Homem acha-se um deus, pensando apenas no seu eu e “esquecendo-se de que é um simples mortal”.

Contra esta “espécie de cegueira”, Francisco convida à conversão do coração e a tomar a sério a força viva da palavra de Deus, e ainda a participar nas campanhas de Quaresma que muitos organismos eclesiais promovem “para fazer crescer a cultura do encontro”.

 

3. O Vaticano reafirmou as suas orientações contra a eutanásia, num documento para agentes pastorais divulgado por ocasião do Dia Mundial do Doente, que se assinala a 11 de fevereiro. A ‘Nova Carta dos Agentes de Saúde’, apresentada em conferência de imprensa, na segunda-feira, 6 de fevereiro, apresenta uma secção dedicada ao tema “morrer”, abordando a atitude diante do doente em fase terminal. O texto refere o tema da alimentação e hidratação artificial, consideradas como “cuidados básicos devidos” aos doentes, bem como a da sedação paliativa nas fases mais próximas da morte, que a doutrina católica aceita, “segundo os corretos protocolos éticos”. O novo documento rejeita práticas como o diagnóstico genético pré-implantação, aborto ou experiências com menores ou adultos incapazes de decidir sobre as mesmas.

 

4. O Papa Francisco rejeitou, no passado Domingo, 5 de fevereiro, o aborto e a eutanásia, que considerou sinais de uma “lógica do descarte”, propondo como alternativa uma “cultura da vida”, evocando o exemplo de Santa Teresa de Calcutá. “Toda a vida é sagrada”, garantiu, perante milhares de pessoas reunidas na Praça de São Pedro, para a recitação do Angelus.

O Papa associou-se à jornada que celebrada naquele dia, em Itália, com o tema ‘Homens e mulheres pela vida nos passos de Santa Teresa de Calcutá’, desejando uma “corajosa ação educativa” em favor da vida humana. “Promovamos a cultura da vida como resposta à lógica do descarte e à quebra demográfica, estejamos próximos e rezemos juntos pelas crianças que estão em perigo por causa de uma interrupção da gravidez e pelas pessoas em fim de vida”, apelou, desejando que “ninguém seja deixado só” e que “o amor defenda o sentido da vida”. “Lembremo-nos das palavras de Madre Teresa: A vida é beleza, admira-a; a vida é vida, defende-a”, referiu.

 

5. O Papa alertou esta os religiosos para o perigo de se sucumbir a uma “psicologia da sobrevivência”. Num discurso no Vaticano, no Dia do Consagrado, a 2 de fevereiro, dirigido em particular a todos os religiosos e religiosas católicos no mundo, Francisco pediu criatividade profética para enfrentar o futuro. “A tentação da sobrevivência. Um mal que pode instalar-se pouco a pouco dentro de nós, no seio das nossas comunidades. A atitude de sobrevivência faz-nos tornar reativos, temerosos, faz-nos fechar lenta e silenciosamente nas nossas casas e nos nossos esquemas. Faz-nos olhar para trás, para os feitos gloriosos mas passados, o que, em vez de despertar a criatividade profética nascida dos sonhos dos nossos fundadores, procurar atalhos para escapar aos desafios que hoje batem às nossas portas”, manifestou, prosseguindo: “A psicologia da sobrevivência tira força aos nossos carismas, porque leva-nos a ‘domesticá-los’, a pô-los ‘ao nosso alcance’ mas privando-os da força criativa que eles inauguraram; faz com que queiramos mais proteger espaços, edifícios ou estruturas do que tornar possíveis novos processos. A tentação da sobrevivência faz-nos esquecer a graça, transforma-nos em profissionais do sagrado, mas não pais, mães ou irmãos da esperança, que fomos chamados a profetizar”.

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