Missão |
Francisco Figueiredo e Carina Amorim, dos Leigos para o Desenvolvimento
Regressar com o coração cheio, pelo tanto recebido!
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Francisco Figueiredo nasceu a 5 de janeiro de 1977, em Lamego, e Carina Amorim a 18 de julho de 1980, em Esposende. Conheceram-se na formação dos Leigos para o Desenvolvimento, no final de 2012. Começaram a namorar em 2013, no dia que Francisco decidiu partir em missão para S. Tomé e Príncipe. Namoraram à distância e, em julho de 2015, casaram. Em Outubro do mesmo ano partiram, como casal, para S. Tomé e Príncipe por um ano.

 

Francisco e Carina nasceram no seio de famílias católicas. Ambos foram batizados ainda em bebé e fizeram o percurso catequético normal, cada um na sua paróquia. “As minhas primeiras referências são a minha mãe que me ensinou a rezar antes de dormir para afastar os “maus sonhos”, e lembro-me de o meu pai dizer que eu parecia um “senhor sério”, na altura o que me parecia ser em tom de crítica, mas hoje acho que orgulhoso pela forma aparentemente responsável como eu vivia esses momentos”, partilha Francisco, que no 10º ano ingressou no Seminário Maior de Lamego onde concluiu o 11º ano, de onde acabou por sair aos 17 anos e se afastar um pouco de um caminho que lhe parecia muito seguro na sua caminhada vocacional. Entrou no curso de Arqueologia da Universidade de Lisboa e, em 1998, surgiu a oportunidade de poder começar a trabalhar, concorrendo aos Tribunais como Oficial de Justiça. Começou a trabalhar no DIAP do Porto, em 1999. Para esta mudança, interrompeu os estudos em Lisboa, mas, diz-nos, “o resultado foi um desencanto por esta área”. Em 2004 prosseguiu os estudos em História, na Universidade do Porto, concluindo o curso em 2010. Aproximou-se do Grupo de Jovens Vicentino da sua terra natal com quem participou no Encontro de Taizé em Lisboa, em 2004. Participou em grupos de voluntariado de cariz social tais como a Cruz Vermelha Portuguesa como socorrista, na Pastoral Universitária ligada à Comunidade de Taizé, e no CREU-IL, Centro Universitário de inspiração jesuíta, onde participou no FAS-Rondas grupos de apoio a pessoas sem-abrigo. “Algumas idas a Taizé, sozinho e em grupo, fortaleceram a minha relação com Deus, e as ferramentas de procura do meu lugar na sociedade”, diz-nos Francisco. Carina entrou na escola primária com apenas 5 anos de idade e sempre gostou de aprender coisas novas. “Tive o privilégio de ter ainda convivido com as minhas bisavós, que me ensinaram os primeiros cânticos e orações. Como cresci com os meus avós maternos, o meu avô acabou por ter uma forte influência no meu caminho de fé. Desde cedo fui também cativada pela devoção mariana da minha mãe, que fez com que a oração fizesse sempre parte dos meus dias”, partilha. Na sua adolescência fez parte do Grupo de Jovens em Caminhada e pertenceu também à Legião de Maria. “Fui sentindo a vontade cada vez maior de colaborar no projecto de Deus, não sabendo ainda muito bem de que forma”. Aos 17 anos ingressou na Universidade do Minho, no Curso de Sociologia. No final da licenciatura realizou um estágio na Equipa de Crianças e Jovens em Risco, no Centro Distrital da Segurança Social de Braga, que lhe proporcionou a realização de um trabalho de investigação sociológica com famílias e crianças consideradas de risco, que a marcou profundamente. Frequentou ainda o Mestrado em Sociologia da Família e das Solidariedades Sociais e, em 2004, iniciou o seu percurso profissional no IEFP – Instituto do Emprego e Formação Profissional. Colaborou como voluntária na Cruz Vermelha Portuguesa e na Cáritas. Em 2011, ficou pela primeira vez desempregada e sentiu que era altura certa para investir na “formação espiritual e fazer algo com uma maior profundidade”. “Apesar de desde sempre participar e colaborar na paróquia em ações de voluntariado, catequese, grupos de leitores, sentia que podia fazer muito mais”.

 

Caminhos que se cruzam

Em 2012, ambos conheceram os Leigos para o Desenvolvimento (LD) e um ao outro, participando nas sessões de apresentação e depois na formação para partir em missão. Desde logo desenvolveram uma amizade na qual desenvolveram uma afinidade, fruto de uma visão comum sobre aquilo que ambos queriam  para a vida. “Família, caminhada cristã, voluntariado, viver a vida e o trabalho como missão, para além de gostos muito parecidos levaram-nos a uma proximidade crescente, que no final da nossa caminhada de formação pelos LD fez-nos sentir que queríamos mais daquilo que sentíamos um pelo outro. Encontraram-se a vontade de iniciar um projeto a dois, e a vontade de uma entrega ao projeto dos LD. No dia 17 de Junho de 2013 foram tomadas três decisões: a de Francisco partir em missão, a de não partir pela Carina e a decisão de ambos de começarem a namorar ainda assim. Pouco depois chegava a decisão dos LD de aceitarem a disponibilidade do Francisco”, contam. Viveram assim um ano de “namoro e de missão partilhada que a distância não conseguiu anular, antes encheu de experiências intensas, de momentos de dificuldade, mas também de uma confiança de quando se segue o que nos é pedido por Deus as coisas só tendem a crescer”, partilham. A Carina manteve a sua missão em Portugal como profissional e como catequista e o Francisco em S. Tomé e Príncipe, de Agosto de 2013 a Julho de 2014. Foram nesse ano “partilhando o trabalho comum de proximidade com pessoas a quem se ajuda a criar ferramentas para o seu desenvolvimento sustentado e integral, e levando o nosso testemunho cristão como forma de criar pontes entre pessoas e comunidades.”

 

A missão como casal

Ao regressar a Portugal, Francisco retomou a sua profissão e começaram a preparar junto o casamento. Paralelamente, o Francisco começou a colaborar na formação dos voluntários LD. “A data do casamento aproximava-se e a vida parecia ser “normal”, quando surge o desafio, fruto de uma necessidade premente de voluntários para os LD num ano anormalmente difícil de recrutamento. Colocados perante o desafio de nos entregarmos a uma missão como casal, e tendo concordado ambos que o nosso projeto de vida passava (e passa) pela nossa entrega ao mundo que nos rodeia, decidimos, em vésperas do nosso casamento estar prontos para partir pelos LD, que aceitaram a nossa disponibilidade. Casámo-nos no dia 18 de julho de 2015, e vivemos a celebração do nosso matrimónio como sendo a nossa primeira missa de envio. A notícia desta decisão às nossas famílias não foi fácil de dar nem de receber, mas acreditámos que a nossa confiança em Deus para a chamada se alargaria aos outros e com o tempo fomos sendo compreendidos e apoiados na nossa decisão”, salientam.

De novo em S. Tomé e Príncipe viveram o seu primeiro ano de casados, numa comunidade de sete pessoas. Trabalharam num dos principais bairros periféricos da capital de São Tomé, em projetos inseridos no âmbito de um programa integrado de desenvolvimento local do Bairro da Boa Morte. O Francisco trabalhou como moderador de um grupo comunitário e a Carina esteve envolvida em projectos relacionados com a área da formação profissional e do empreendedorismo. “O nosso trabalho missionário passou muito também pela ação pastoral que fomos chamados a desenvolver junto das comunidades locais. Fizemos missão num lugar onde a presença persistente junto das pessoas é por si só uma força para não desistirem dos seus projetos, e da sua esperança de melhores condições nas suas vidas. Ser Leigos Missionários em casal durante 1 ano, até Setembro de 2016, foi viver uma partilha intensa de felicidade e sacrifício, reaprender a viver numa família alargada em comunidade, conhecer pessoas e vidas de outra cultura que nos tatuaram o coração, aprender a viver com o essencial, ganhar o sentido da vida quando nos dispomos a ajudar a dar sentido à vida dos outros. E por isso regressámos com um coração bem cheio pelo tanto recebido”.

texto por Catarina António, FEC – Fundação Fé e Cooperação
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