Domingo |
À procura da Palavra
Primeiro o quê?
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DOMINGO VIII COMUM Ano A

“Procurai primeiro o reino de Deus e a sua justiça,

e tudo o mais vos será dado por acréscimo.”

Mt 6, 33

Certamente alguns já escutaram a história das “pedras grandes primeiro”. Resumo-a: um especialista em gestão do tempo, numa conferência, começou por colocar algumas pedras do tamanho de um punho num frasco de boca larga até o encher. A assembleia concordou que estava cheio. Em seguida, colocou nele gravilha, que ocupou o espaço entre as pedras. Aí a assembleia já não foi tão unânime em dizer que o frasco tinha ficado cheio. Facto que apenas se confirmou quando o orador colocou, de seguida areia, e, por fim, água. Lição a reter? Se não pomos “as pedras grandes primeiro”, não as conseguimos pôr depois! Quais são as pedras grandes da nossa vida? O que pomos primeiro?


Jesus é suficientemente claro. O que os seus discípulos devem procurar em primeiro lugar é “o reino de Deus e a sua justiça”! Tudo mais vem depois, e Ele até diz que nos será dado. O dinheiro, os negócios, as coisas, comer, beber, vestir, divertir ocupam a maior parte do nosso tempo e do coração? Os ídolos do dinheiro e do poder, do luxo e da estravagância absorvem a nossa atenção (e devoção!) e escravizam-nos a uma inquietação doentia? A “cultura do bem estar”, o “fascínio do provisório”, a “economia da exclusão e da iniquidade”, como tem denunciado inúmeras vezes o Papa Francisco, ocupam o primeiro lugar em muitas das nossas atitudes egoístas?


Da teia dos cuidados e preocupações da vida que nos enredam quer libertar-nos Jesus. E apresenta-nos as aves do céu e os lírios do campo para propor a radical confiança em Deus. Que bom seria cruzarmos os braços e esperar que Deus nos satisfizesse as necessidades! Mas o que Jesus diz não é isso: Ele não nos demite do que podemos e devemos fazer, mas convida a estabelecer prioridades. Procurar o reino de Deus e a sua justiça é romper com os círculos viciosos do egoísmo e da ambição desmesurada, é recusar a ganância e o endeusamento dos bens, é recuperar a serenidade e a simplicidade, é valorizar a beleza dada e as pessoas. Quando “vendemos a alma” ao que ainda não temos e não partilhamos generosamente o que somos, a vida torna-se um inferno, e a inquietação faz-nos andar agitados como “baratas tontas”! É preciso recordar o que dizia o profeta Isaías de que Deus nunca nos esqueceria e gravou a nossa imagem nas palmas das suas mãos (cf. Is 49, 15-16).


Não é fácil o exercício de ver o que pomos primeiro. As máscaras de uma religiosidade acomodada são muitas. Os desejos de poder e abundância estão bem envernizados. A indiferença às desigualdades estabelece as convenientes distâncias. Bem irá insistir o Papa Francisco na mensagem para a Quaresma deste ano: “a raiz dos seus males [o rico] é não dar ouvidos à Palavra de Deus; isto levou-o a deixar de amar a Deus e, consequentemente, a desprezar o próximo.” Estamos dispostos a rever o que tem primeiro lugar em nós?

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