Na Tua Palavra |
D. Nuno Brás
Igreja retrógrada?

Como uma maçã podre que cai da árvore, há muitos séculos atrás ruiu o império romano. Depois de glórias políticas e militares, de pensamento e de civilização, o mundo romano deixou-se embalar pelas suas conquistas e, sobretudo, pelas glórias e pelos desejos pessoais dos seus dirigentes. Sendo uma sociedade claramente estratificada em classes sociais, os ricos e poderosos viviam num mundo que alguns classificaram de “altamente civilizado”; os servos e escravos, por seu lado, procuravam sobreviver com dificuldade e ao serviço dos primeiros. Mas todos davam largas à vontade própria. Generalizavam-se os assassinatos. O aborto era prática comum. A família uma formalidade frágil, rapidamente ultrapassável por uma carta de divórcio, de acordo com as necessidades e as paixões de cada um: uma sociedade em que o indivíduo (tanto mais quanto mais poder possuía) era o critério da própria vida colectiva.

Esta civilização implodiu, ao estilo daqueles aqueles edifícios inúteis a que é colocada dentro uma carga explosiva e que caem sobre si mesmos.

O mundo ocidental contemporâneo vive tempos muito próximos destas características de fim do mundo romano. Entre estes dois mundos viveram-se tempos marcados pelo cristianismo: 1.500 anos de conquistas nos direitos humanos, no modo como para todos é procurada a dignidade que lhe advém do facto de ser pessoa (e, assim, à imagem de Deus); onde a vida das sociedades evoluiu na defesa dos direitos dos mais fracos; onde a medicina, ciência e a técnica se desenvolveram como nunca em nenhuma outra civilização.

Como é claro, a questão não é a de manter em vida um mundo passado, por muito bom que ele seja. A história não pára. Mas daí a procurar reproduzir hoje aquele velho mundo dos finais do império romano (mesmo que modificado pelas recentes tecnologias), não me parece ser progresso. Pelo contrário: é um retrocesso de 1.500 anos.

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