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“Se tratássemos a Bíblia como tratamos o nosso telemóvel?”
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O Papa Francisco esteve de retiro. Na semana em que o Papa escreveu ao Presidente da República Portuguesa, o Vaticano criou uma estrutura para dar voz às mulheres. Francisco falou ainda do uso diário da Bíblia e foi noticiado que vai receber os chefes de Estado e de Governo da União Europeia.

 

1. O Papa esteve esta semana em exercícios espirituais da Quaresma. Acompanhado da Cúria Romana, Francisco deixou o Vaticano na passada segunda-feira, dia 6 de março, rumo à Casa do Divino Amor, dos religiosos Paulistas, em Ariccia, a cerca de 30 quilómetros a sudeste de Roma. As duas meditações diárias estiveram a cargo do padre Giulio Michelini, franciscano, e tiveram como fio condutor “a Paixão e Morte de Cristo segundo o Evangelho de São Mateus”.

Na manhã de terça-feira, a meditação teve início com a frase: ‘Pôs-se à mesa com os doze’. “Estar à mesma mesa significa experimentar a beleza do estar juntos, do receber aquilo que foi preparado por outros como um ato de amor. O próprio Ressuscitado, segundo o evangelista São João, tinha preparado a refeição aos seus discípulos no Lago da Galileia. Mas o alimento e o comer trazem também ao de cima o pecado do homem, assim como também o seu egoísmo e a sua fragilidade. Comer é, de facto, sinal, em primeiro lugar, de uma verdadeira e própria fragilidade antropológica. É uma necessidade que significa humanidade e fraqueza. Comer é antes de mais receber a vida, isto é, reconhecer-se não autossuficiente. Ou seja, reconhecer os próprios limites. Comer com os outros é confessar perante os outros esta condição humana”, apontou o pregador, segundo a Rádio Vaticano, prosseguindo: “Na Ceia de Jesus emerge, portanto, este elemento. Nessa noite em que Jesus é atraiçoado por Judas, dá quanto lhe restava por dar: o seu corpo e o seu sangue, a sua humanidade, a sua carne, porque era nessa carne que a Divindade, a Palavra, se tinha tornado tal. Desta forma Jesus doa todo o seu ser e não defende mais nada”. O sangue, referiu o padre Michelini, “é um elemento que se encontra só no Evangelho de São Mateus – como elemento que é derramado a partir da Cruz para o perdão dos pecados”. O retiro de Quaresma do Papa terminou sexta-feira, 10 de março.

 

2. Antes de partir para os exercícios espirituais, o Papa Francisco enviou uma carta de agradecimento ao Presidente da República, pela mensagem de felicitações enviada por ocasião do 80º aniversário do Papa, assinalado a 17 de dezembro: “Excelentíssimo Senhor Marcelo Rebelo de Sousa, Presidente da República Portuguesa. De coração lhe agradeço as felicitações e votos formulados, em nome pessoal e dessa dileta Nação, pelos oitenta anos de vida que Deus me concedeu: Bem-haja, Senhor Presidente! No desejo de corresponder à sua amabilidade, retribuo as cordiais saudações e invoco a proteção do Altíssimo sobre todo o Povo Português e quantos o servem e honram na realização dos nobres destinos que lhe cabem na História, propiciando a pacífica convivência dos povos e uma acrescida prosperidade nacional. Assim Deus os abençoe e Nossa Senhora de Fátima os guarde”, escreveu o Papa, na carta divulgada pela Presidência da República no passado dia 7 de março.

 

3. O Conselho Pontifício para a Cultura, da Santa Sé, apresentou, no passado dia 7, a Consulta Feminina, um organismo permanente que quer dar mais voz às mulheres e que será composto por mais de 20 representantes de vários países. O presidente deste dicastério do Vaticano, cardeal Gianfranco Ravasi, explicou à Rádio Vaticano que o novo organismo quer oferecer “um olhar feminino” sobre a atividade do Conselho Pontifício para a Cultura. “Consegue-se introduzir, por exemplo, uma leitura muito mais global, colorida, da realidade dos temas que abordamos, afastando-nos um pouco daquela análise teológico-filosófica, própria da linguagem eclesial”, acrescentou. A sessão de lançamento da Consulta Feminina contou com a presença de Shahrazad Houshmand, teóloga iraniana, e mais 20 mulheres, entre docentes universitárias, empresárias, políticas, artistas, jornalistas e consagradas.

 

4. “Se tratássemos a Bíblia como tratamos o nosso telemóvel?”. A pergunta foi feita, no passado Domingo, 5 de março, pelo Papa Francisco, durante a catequese que antecedeu a oração do Angelus, na Praça de São Pedro, em Roma. Dirigindo-se aos fiéis, Francisco começou por recordar a importância da Bíblia. “A Bíblia contém a Palavra de Deus, que é sempre atual e eficaz”. Depois, então, colocou a questão: “Se tratássemos a Bíblia como tratamos o nosso telemóvel? Se andássemos sempre com ela, se voltássemos atrás quando a esquecemos, se a abríssemos várias vezes ao dia, se lêssemos as mensagens de Deus que estão na Bíblia, tal como lemos as mensagens do telemóvel?”. “A comparação é claramente paradoxal, mas ajuda a refletir. Com efeito, se tivéssemos a Palavra de Deus sempre no coração, nenhuma tentação nos poderia afastar de Deus, nem nenhum obstáculo nos poderia desviar do caminho do bem”, concluiu.

No final da oração do Angelus, o Papa recordou aos fiéis a importância do caminho quaresmal e pediu orações pelo retiro que iria fazer durante a semana, com os membros da Cúria Romana.

 

5. O Papa vai receber os chefes de Estado e de Governo da União Europeia. Será no próximo dia 24 de março, sexta-feira, no Vaticano, no âmbito do 60º aniversário do Tratado de Roma. O encontro vai-se realizar, às 18h00 locais, na Sala Regia da Residência Apostólica Vaticana.

Recorde-se que no seu discurso ao Parlamento Europeu, em Estrasburgo, França, em 25 de novembro de 2014, o Papa Francisco elogiou a União Europeia por promover os direitos humanos, mas evidenciou o risco de cair nos direitos individualistas, esquecendo que “todo ser humano se encontra num contexto social em que os seus direitos e deveres estão conectados aos dos outros e ao bem comum da própria sociedade”. O Santo Padre sublinhou, também, que “uma Europa que não é capaz de se abrir para a dimensão transcende da vida é uma Europa que lentamente corre o risco de perder a própria alma e o espírito humanístico que ama e defende”. Em maio do ano passado, ao receber o Prémio Carlos Magno, entregue pela União Europeia àqueles que se destacam na defesa dos valores europeus, o Papa garantiu que sonha “um novo humanismo europeu”.

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