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A guerra esquecida na República Democrática do Congo
Violência sem fim
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Nos últimos meses uma violência absurda instalou-se por todo o lado como uma epidemia descontrolada. O presidente não quer abandonar o poder e as ruas encheram-se de tiros, morte e medo. Algumas igrejas têm sido vandalizadas, seminários destruídos e até uma irmã foi assassinada. Contra toda esta crueldade, os Cristãos têm apenas uma arma: a oração. Eles podem contar consigo?

 

Sábado, dia 18 de Fevereiro. Homens armados invadiram o seminário maior de Malole, em Katanga, na República Democrática do Congo, e perante o pânico generalizado de todos os que se encontravam no edifício, arrombaram portas e foram destruindo tudo à sua passagem, roubando algumas coisas e queimando tudo o resto. O exército foi chamado, mas só ao fim de quase uma hora de troca de tiros é que os bandidos abandonam o local. O seminário ficou praticamente destruído. No mesmo dia, outro grupo invadiu e profanou a Igreja de São Domingos de Limete, em Kinshasa. Derrubaram o sacrário, saquearam o altar, partiram os bancos e incendiaram parte do edifício. No domingo seguinte, o Papa Francisco apontou o dedo a esta onda de violência e perseguição à Igreja na República Democrática do Congo. O Santo Padre pediu o fim dos combates e denunciou até o uso de crianças-soldado por parte de grupos armados neste país.

 

Vinte anos de violência

Esta é uma história antiga. Há mais de vinte anos que a República Democrática do Congo é cenário de guerras, de violências, de morte e de sofrimento. Nos últimos tempos, porém, tudo parece ter-se agravado, numa violência crescente com notícias muito alarmantes de ataques a aldeias e povoações. Na verdade, a destruição de igrejas e conventos, agressão a sacerdotes e irmãs, e até o assassinato de religiosas, tudo isto passou a fazer parte do dia-a-dia dos Cristãos na República Democrática do Congo. Por causa disso, as Filhas da Ressurreição viram-se forçadas a fechar as portas de alguns conventos. Ninguém consegue garantir a sua segurança. O caso mais grave ocorreu no final do ano passado. Não se sabe ainda a razão por que a Irmã Marie Claire Agano foi esfaqueada até à morte quando se encontrava, no dia 29 de Novembro, uma terça-feira, no seu gabinete na Paróquia Mater Dei de Bakavu. Todos a estimavam. Talvez tenha sido apenas um assalto que correu mal. Não se sabe. A irmã estava no centro de formação profissional, de que era responsável. De qualquer forma, o assassinato da Irmã Marie poderá ser um sinal de como o país está mergulhado numa onda de violência sem controlo.

 

Luta pelo poder

De facto, a República Democrática do Congo está a viver um perigoso impasse político depois de o presidente Joseph Kabila, no poder desde o assassinato do pai, em 2001, ter mostrado vontade de continuar, mesmo depois de terminado o seu mandato no final do ano passado, e mesmo sabendo que a Constituição o impediria de concorrer de novo. Com o país dividido, com a violência nas ruas, foi necessário fazer a ponte entre Governo e oposição. A Igreja ajudou a negociar esse acordo, pois o país arrisca-se a mergulhar ainda mais na anarquia e no caos absoluto. Para o Cardeal Laurent Pasinya, os ataques que se têm registado contra a Igreja na República Democrática do Congo são um “alarmante” sinal de insegurança. E todos temem que esta onda de violência não tenha fim. Na memória de muitos está ainda a tragédia de Junho de 2014, quando homens armados invadiram uma igreja no leste do país e mataram a tiro mais de três dezenas de pessoas, incluindo mulheres e crianças, no que foi então visto então como um ataque motivado por questões étnicas.

 

O poder da Oração

Este ano, a Campanha da Quaresma da Fundação AIS está focada em África. Tem como objectivo primordial dar a conhecer o trabalho de sacerdotes e de religiosas, por vezes em condições absolutamente terríveis, junto das populações mais carenciadas. Além da ajuda material às comunidades cristãs, a Fundação AIS desenvolve projectos que visam apoiar iniciativas de reconciliação e de perdão promovidas pela Igreja local. De facto, a presença de comunidades religiosas tem-se revelado essencial na promoção da paz e no combate à espiral de violência, medo e morte neste continente, como tem acontecido na República Democrática do Congo. Mas as próprias comunidades religiosas estão na mira de bandidos e de grupos armados. Ninguém está a salvo. No meio de toda esta anarquia, as irmãs e os sacerdotes dão-nos um extraordinário exemplo de coragem e abnegação. Contra a violência mais absurda, eles têm apenas uma arma: o Terço. A Igreja, na República Democrática do Congo, pede as nossas orações. Será que a morte da Irmã Marie Claire foi em vão?

 

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