Na Tua Palavra |
D. Nuno Brás
Santos porque Deus é Santo

“Sede santos porque Eu, o Senhor, sou Santo”. Quando, em nome de Deus, Moisés faz este convite a toda a Assembleia do Povo de Israel (Levítico 19,2) está “a colocar a fasquia bem alto”.

Naquele tempo, para os povos vizinhos, era tudo menos evidente que Deus fosse Santo: basta ver o modo como apresentavam os seus deuses – omnipotentes e eternos é certo, mas com ciúmes, guerras, invejas entre si… O Deus de Israel apresenta-se como “o Santo”: distante do modo como o mundo vive no seu quotidiano, mas plenitude do bem, da beleza, da verdade; Deus de Amor que quer a salvação de todos.

Contudo, não se fica por aí o anúncio. Deus convida o povo de Israel a ser santo, a viver a vida de Deus. E também isso era tudo menos evidente. Que Deus fosse Santo, ainda seria possível entender, ainda que com alguma dificuldade. Mas que convidasse os homens a partilhar da Sua vida, isso já era (é, ainda hoje) mais difícil. Com efeito – e os profetas não se cansam de o denunciar –, a atitude habitual era a de fazer ofertas de sacrifício a Deus, para depois a vida poder decorrer segundo os interesses humanos: Deus ficaria satisfeito com os animais oferecidos; mas os homens fariam a vida de acordo com outras regras… Contudo, Deus convida o povo a ser santo, a ser como Deus. A liturgia, o louvor de Deus não pode ficar desligado do resto da vida de Israel.

E, concretamente, em que consiste esse novo modo de viver? As palavras seguintes de Moisés são claras: “Cada um de vós respeite sua mãe e o seu pai… Não colhereis os grãos caídos no campo; deixá-los-eis para o pobre e para o estrangeiro”. Ou seja: a vida de santidade tem a ver com o modo como olhamos o próximo, particularmente o mais pobre e o mais frágil.

A tudo isto, no célebre dito sobre as obras de misericórdia (Mateus, 25, 31) Jesus acrescenta ainda duas outras concretizações: Ele identifica-se com aqueles mais frágeis que estão doentes, na prisão, com fome ou com sede, sem ter com que se vestir e sem lugar para habitar: não são apenas outros seres humanos que necessitam da nossa ajuda, mas é o próprio Deus que neles está presente, quem quer que eles sejam. E, ainda mais, Jesus convida-nos a deixar o nosso bem-estar para tomarmos a iniciativa de cuidar do outro, sem esperarmos que ele venha até nós mendigar ajuda.

A Quaresma é, como nos recorda o Santo Padre, “o tempo favorável para nos renovarmos, encontrando Cristo vivo na sua Palavra, nos Sacramentos e no próximo”.

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