Missão |
Marisa Varela, Leigos para o Desenvolvimento
O essencial está no simples!
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Marisa Varela nasceu em 1985, em Lisboa, mas é natural de Almeirim, onde foi registada e onde viveu os primeiros quatro anos. Licenciada em Fisioterapia, pela Escola Superior de Saúde de Alcoitão, em setembro de 2015 partiu, por um ano, para S. Tomé e Príncipe com os Leigos para o Desenvolvimento.

 

Aos cinco anos de idade viu nascer o seu irmão e com a família mudou-se para Lisboa. Ingressou no infantário da Confraria de São Vicente de Paulo em Carnide onde permaneceu até completar a escola primária. “Marco a entrada neste infantário como o início do meu percurso religioso, é a partir daqui que tenho as minhas primeiras lembranças de Jesus e de rezar. Foi através da minha professora primária que adquiri o hábito de rezar todos os dias”, partilha. Na segunda classe pediu aos pais para frequentar a catequese e levava a sério a catequese, “com dedicação e gosto”. “Gosto esse que por vezes se perdia com o stress de ter de memorizar tantas orações. Eu achava as catequistas um tanto exigentes e lembro-me de recear que ralhassem comigo por eu não saber ou me enganar a dizer uma oração. Depois também comecei a envergonhar-me por nunca ir à Missa. Todos os meus colegas iam, menos eu, uma vez que os meus pais não me levavam”, conta-nos. Os seus pais sempre acharam que os filhos deveriam escolher a religião a seguir e por isso, aos sete anos de idade Marisa escolheu ser batizada! Durante o período de catequese diz que sentia “uma paz imensa, um sentimento de bem-estar fabuloso, que encontrava sempre que entrava na capela da catequese.” Em 1995 foi viver para Santo António dos Cavaleiros onde reside atualmente. Mudou de escola e iniciou o 5º ano. “Foi um período assustador pela mudança e pelo início de tanta coisa nova”, partilha. Ao passar para o ensino secundário volta a mudar de escola e considera que “foi por volta do 11º ano, e com ajuda das aulas de filosofia que a minha fé começou a ser questionada. Passado cerca de três anos, e já na faculdade, seguindo o curso de fisioterapia, resolvi deixar de rezar. A minha oração consistia num conjunto de palavras que eu proferia de modo automático, sem pensar, sem sentir. Com isto quis também tirar Deus da minha vida, mas na verdade, apenas O coloquei de lado e nos meus olhos coloquei umas palas para não O poder ver. Quando iniciei o meu percurso nos Leigos, descobri que existem várias formas de rezar, e qual não foi a minha surpresa, quando percebi, que afinal durante o tempo que eu deixei de fazer a minha oração, fui rezando de outras maneiras? Havia claramente a necessidade de trabalhar o meu lado espiritual.” Recorda também a sua Bênção das Fitas como “um encontro com Deus”, estando muito envolvida na preparação da mesma, integrando o coro e encontrando Deus “através da música e dos cânticos. Hoje, considero que é através da música que mais gosto de comunicar com Deus.”

 

“O nó que existia começou a soltar-se!”

Sobre o seu percurso missionário partilha, na primeira pessoa: “A vontade de fazer voluntariado já vinha de há muitos anos, porém nas pesquisas que fazia, tudo o que encontrava ou achava que não me era possível realizar, ou então não ia de encontro àquilo que procurava. Até ao dia em que me apercebi que um colega de faculdade estava em Moçambique a fazer voluntariado, falei com ele e ele falou-me dos Leigos. Investiguei um pouco sobre o assunto, e resolvi ir a uma sessão da formação. (…) A dificuldade de conciliação de horários com o trabalho e a exigência da formação ainda me fez ponderar não iniciá-la… e somado a isto, o medo de voltar a falar com a Deus. Mas é impressionante como os acontecimentos fluem na direção daquilo que é para ser… e graças à insistência da responsável pela formação dos Leigos (da altura) em ter uma conversa comigo, acabei por decidir avançar com a formação até onde me fizesse sentido e me sentisse confortável. Aos poucos voltei a conhecer Deus. Fiz a formação até ao fim. Discerni sobre a minha partida em Missão. Senti a dor da minha família. Chorei. Dei o meu Sim e senti paz. Recebi o Sim dos Leigos para o Desenvolvimento e também o sentimento de desânimo e tristeza da minha família. Voltei a chorar a dor de quem deixa os seus tristes, mas em poucos dias a graça foi dada. O nó que existia começou a soltar-se. Aos poucos a minha família aceitava, a minha família envolvia-se na minha partida. Aos poucos acho que eles até já estavam a ficar animados com a minha partida. A 17 de Setembro de 2015, parti para São Tomé, e instalei-me na comunidade de Vila Malanza. No fundo a missão espelhou-se em várias missões: construir uma comunidade juntamente com os outros seis voluntários, que abraçaram comigo este querer ser missionário; dar continuidade a alguns dos projectos que decorrem com vista ao desenvolvimento das comunidades de Porto Alegre, Vila Malanza e Ponta Baleia; integrar o projecto do Centro de Recursos Educativos de Porto Alegre, da cooperativa agrícola e do empreendedorismo e formação profissional, fazendo o processo de passagem de dois negócios de transformação de mandioca e de banana. Em qualquer um destes projectos existiram momentos de ânimo e de desânimo. E com estes últimos momentos aprendi a não me dar por ‘vencida’. As pessoas envolvidas nos projectos mostraram-me que quando há vontade, há sempre alguma ponta por onde pegar para erguer tudo novamente. O meu crescimento espiritual também fez parte desta missão. A aproximação crescente com Deus quer de forma individual quer em comunidade foi marcante, e sem dúvida que se reflete agora na minha vida. Num local onde Deus está tão presente, mas onde a Igreja Católica não tem assim tanta expressão, a envolvência dos Leigos acaba por ser muito significativa nestas comunidades ao nível de trabalho pastoral. Isso fez com que me sentisse claramente parte da Igreja. A nível de trabalho pastoral, acompanhei um grupo de catequese e ajudei no coro da igreja. Por último, existia ainda a missão da integração num país extremamente abençoado, adotando um estilo de vida semelhante ao dos seus habitantes: simples, pobre. A missão de fazer parte e ser comunidade local. Ser aprendiz. Dar. Receber. Ajudar e ser ajudada. E ainda descobrir a simplicidade na relação com o outro. Em suma, acho que esta experiência de missão e da formação nos Leigos tem sido (sim, para mim é uma experiência que ainda continua) acima de tudo uma (re) descoberta. Descoberta de Deus, do Mundo, do outro, e consequentemente, de mim mesma. Foi a descoberta de que o essencial está no simples. A 5 de Outubro de 2016 apanhei o voo de regresso a Lisboa. A chegada foi estranha, pois implicou voltar a adaptar-me a uma realidade que já conhecia, e para a qual à partida não era esperada essa necessidade de adaptação. Gradualmente fui aterrando e ao fim de quatro meses voltei ao mercado de trabalho. Regressei à fisioterapia. Trabalho agora num lar de idosos. Com eles todos os dias continuo a aprender. Com a dedicação das pessoas que lá trabalham inspiro-me e agradeço. Todos os dias dou e recebo. E continua a ser maravilhosa esta forma de receber… inesperada, simples, plena”.

texto por Catarina António, FEC – Fundação Fé e Cooperação
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