Na Tua Palavra |
D. Nuno Brás
Populismo

Hoje nenhum político ousaria fazer uma campanha eleitoral prometendo apenas aos seus eleitores “sangue, suor e lágrimas”, consciente de que, na verdade, é somente isso que tem a oferecer nos tempos mais próximos. Por esse caminho, pelo caminho da verdade, nunca ninguém consegue hoje ser eleito. Assim, o único objectivo é ganhar o voto e o poder. Depois, logo se vê.

Nos últimos tempos, o mundo ocidental tem sido atravessado por alarmes do chamado “populismo”. Mas o que é o populismo? Trata-se daquele momento em que um líder político concentra em si as esperanças da massa popular, colocando habitualmente em causa as instituições que numa determinada sociedade servem para regular e equilibrar os diferentes poderes. Todo o poder fica concentrado no “chefe”, que em seguida, de uma forma mais ou menos ditatorial, o administra de acordo com a sua vontade. Para isso, duas realidades essenciais tiveram que se conjugar: em primeiro lugar, o descrédito das instituições da vida social; depois o líder teve que falar às massas, que dizer aquilo que lhes agrada – e hoje não é difícil de o fazer: basta encontrar dois ou três pontos de batalha, simples e directos, que a comunicação social reproduza (negativa ou positivamente, pouco importa) e que soem bem aos ouvidos da maioria.

O populismo é, portanto, a situação em que, de uma ou outra forma, já vivemos há muito no ocidente. Hoje, eventualmente, ele aparece mais claro nalgumas das figuras que se apresentam a eleições na Europa ou na América do Norte.

Mas é importante darmo-nos conta de que não basta a figura do líder e a sua empatia com as massas. É essencial que as instituições sociais estejam desgastadas. Que elas sejam olhadas com desconfiança. Que sejam vistas como corruptas. Que sejam encaradas como parte do problema e não como parte da solução.

Como vemos, a comunicação social (e o seu sucedâneo mais recente que são as redes sociais, que trabalham com a mesma lógica só que multiplicam ao infinito os “fazedores de notícia”) é hoje essencial para o populismo. Não existe populismo sem comunicação social. Ao arvorar-se em juiz de todas as realidades, denunciando publicamente (ou criando) todos os erros e pecados a que for possível ter acesso, os media acabam por desacreditar tudo e todos. E, mesmo clamando contra as ideias populistas, acabam por lhes fazer publicidade e por se lhes oferecer como berço.

Seria hoje impensável um mundo sem comunicação social. Mas o caminho que estamos a percorrer é simplesmente o de “brincar com o fogo”.

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