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“Um sinal de paz para o Egito e para toda aquela região”
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O Papa Francisco esteve no Egito, numa visita que foi um “sinal de paz”. Nesta semana, o Papa convidou a Venezuela a acabar com a violência e desafiou a ONU.

 

1. O Papa Francisco considera que a sua recente viagem ao Egito, nos dias 28 e 29 de abril, foi um “sinal de paz”, agradecendo o acolhimento da população, das autoridades civis e religiosas do país. “Um sinal de paz para o Egito e para toda aquela região, que infelizmente sofre por causa dos conflitos e do terrorismo. Daí o lema da viagem, ‘O Papa da paz num Egito de paz’”, explicou o Papa, na habitual audiência-geral de quarta-feira, dia 3 de maio, perante milhares de peregrinos reunidos na Praça de São Pedro, no Vaticano.

Realizada a convite do Presidente da República do Egito, do Patriarca Copto-Ortodoxo, do Grande Imã de Al-Azhar e do Patriarca Copto-Católico, a 18ª viagem internacional do pontificado quis, segundo o Papa, deixar uma mensagem de paz e diálogo a todos os egípcios, “independentemente da sua cultura ou religião”. “A minha visita à Universidade de Al-Azhar, a mais antiga universidade islâmica e máxima instituição académica do Islão sunita, teve um duplo horizonte: o diálogo entre cristãos e muçulmanos e, ao mesmo tempo, a promoção da paz no mundo”, precisou.

A intervenção recordou ainda a assinatura de uma declaração comum entre o Papa e o Patriarca da Igreja Copta Ortodoxa, Tawadros II, além da oração ecuménica no Cairo. “Juntos, rezámos pelos mártires dos recentes atentados que atingiram tragicamente aquela venerável Igreja e o seu sangue fecundou aquele encontro ecuménico, no qual participou também o Patriarca de Constantinopla, Bartolomeu”, lembrou Francisco, convidou os católicos no Egito a serem “fermento de fraternidade”.

 

2. O Papa apelou ao diálogo na Venezuela e convidou o Governo e a oposição a porem um fim à escalada de violência. “Não param de chegar notícias dramáticas sobre a situação da Venezuela e o agravamento dos confrontos com inúmeros mortos, feridos e detidos. Ao unir-me à dor dos familiares das vítimas, pelos quais asseguro orações de sufrágio, também dirijo um premente apelo ao Governo e a todos os sectores da sociedade venezuelana para que seja evitado o escalar da violência, sejam respeitados os direitos humanos e se procurem soluções negociados para a grave crise humanitária, social, política e económica, que está a levar a população ao limite”, afirmou Francisco, no Vaticano, no passado Domingo, 30 de abril, antes da recitação da oração do Regina Coeli.

 

3. Já no voo de regresso a Roma, após a visita ao Egito, o Papa tinha admitido o regresso da Santa Sé ao papel de mediador na crise venezuelana – uma mediação que Henrique Capriles, um dos principais dirigentes da oposição venezuelana, já rejeitou.

No avião, em declarações aos jornalistas, o Papa Francisco pediu ainda à ONU para ajudar a resolver a crise da Coreia do Norte. “É tempo de a ONU retomar a sua liderança porque não tem estado à altura. O caminho é a negociação e a solução diplomática”, realçou. “Esta guerra mundial em pedaços, de que tenho vindo a falar há mais de dois anos, tem vindo a alargar-se e tem-se concentrado em questões que já eram quentes. Há um ano e meio que se sabe dos mísseis da Coreia do Norte, mas agora as coisas aqueceram”, alertou ainda. “Uma guerra alargada destruirá não digo a metade, mas grande parte da humanidade e da sua cultura. Seria terrível. Paremos”, pediu.

 

4. O Papa Francisco esteve pouco mais de 24 horas no Egito. Num encontro de oração com o clero, religiosos e seminaristas, no dia29 de abril, sábado, o Papa convidou: “Não tenham medo do peso do dia-a-dia, do peso das circunstâncias difíceis que alguns de vós têm de atravessar”. No Seminário Patriarcal em Maadi, no Cairo, o Papa lembrou que “nós veneramos a Santa Cruz, instrumento e sinal da nossa salvação”, pelo que “quem escapa da Cruz, escapa da Ressurreição”. Depois, agradeceu o testemunho. “No meio de muitos motivos de desânimo e por entre tantos profetas de destruição e condenação, no meio de numerosas vozes negativas e desesperadas, sede uma força positiva, sede luz e sal desta sociedade; sede a locomotiva que faz o comboio avançar para a meta; sede semeadores de esperança, construtores de pontes, obreiros de diálogo e de concórdia. Isto é possível se a pessoa consagrada não ceder às tentações que todos os dias encontra no seu caminho”, afirmou.

Antes deste encontro, o Papa celebrou Missa no Cairo, num estádio com milhares de pessoas, representantes de várias confissões e com a presença do presidente egípcio. “Deus só aprecia a fé professada com a vida, porque o único extremismo permitido aos crentes é o da caridade. Qualquer outro extremismo não provém de Deus nem lhe agrada”, afirmou Francisco, exortando os participantes desta missa a voltarem às suas casas, à sua vida diária, às suas famílias cheios de alegria, coragem e fé: “Não tenham medo de amar a todos, amigos e inimigos, porque no amor vivido está a força e o tesouro do crente”.

 

5. A chegada ao Egito tinha acontecido na véspera, sexta-feira, dia 28 de abril, com o Papa Francisco a expressar ao líder da Igreja Copta Ortodoxa, Tawadros II, a solidariedade total dos católicos para com os cristãos egípcios martirizados e perseguidos. “A maturação do nosso caminho ecuménico é sustentada, de modo misterioso e muito atual, também por um verdadeiro e próprio ecumenismo do sangue. Desde os primeiros séculos do cristianismo, nesta terra, quantos mártires viveram a fé heroicamente e até ao extremo, preferindo derramar o sangue que negar o Senhor e ceder às adulações do mal ou mesmo só à tentação de responder ao mal com o mal! Ainda há pouco, infelizmente, o sangue inocente de fiéis indefesos foi cruelmente derramado: o seu sangue inocente nos une. Caríssimo irmão, assim como é única a Jerusalém celeste, assim também é único o nosso martirológio, e os vossos sofrimentos são também os nossos sofrimentos. Fortalecidos pelo vosso testemunho, trabalhemos por nos opor à violência, pregando e semeando o bem, fazendo crescer a concórdia e mantendo a unidade, rezando a fim de que tantos sacrifícios abram o caminho para um futuro de plena comunhão entre nós e de paz para todos”, desejou o Papa que, num discurso proferido na Conferência da Paz, organizada pela Universidade Al-Azhar do Cairo, classificou o Egito como uma “terra de civilizações e de alianças” e lembrou que “a religião não é o problema, é parte da solução”. No discurso ao Presidente do Egito, Francisco sublinhou o papel histórico do Egito para a estabilidade da região do Médio Oriente e sublinhou que “das grandes nações, não se pode esperar pouco”.

Aura Miguel, jornalista da Renascença, à conversa com Diogo Paiva Brandão
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