Missão |
Manuela Pinheiro
“Gratidão é a palavra que mais se adequa”
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Manuela Pinheiro esteve durante três meses numa missão na Amazónia. Gratidão e simplicidade são palavras que marcaram o seu quotidiano e que hoje continuam a ecoar no seu coração.

 

Há 7 meses atrás, Manuela partiu como voluntária com o grupo ORBIS – Secretariado Diocesano de Animação Missionária de Aveiro para a Amazónia, no alto Rio Negro. Partiu com outra voluntária, a Inês, e juntas viveram três meses marcados pela disponibilidade e pela presença junto de uma comunidade com hábitos e tradições muito diferentes do quotidiano destas jovens. “Tudo o que se pode ver em imagens ou filmes, não se compara à grandeza e beleza única dos lugares onde estive - Manaus, Maturacá e São Gabriel da Cachoeira, nem à singularidade dos povos existentes.”

 

O encontro com a diferença

A diferença não foi obstáculo para estas jovens, foi antes um desafio a superar para ir ao encontro de uma realidade aparentemente distante e estranha mas semelhante no essencial que é a condição humana: “os diferentes modos de estar e cultura tão distinta da nossa cultura ocidental fez-me por várias vezes questionar valores, crenças, sociedade... o que ando a fazer?!” Se tantas vezes questionamos a diferença e naturalmente nos fechamos em nós próprios perante o desconhecido e aquilo que nos é estranho, viver o dia-a-dia no seio de uma comunidade diferente faz-nos sair da nossa “zona de conforto”: “cheguei a alguma conclusão?... posso dizer que simplesmente não sou ninguém para colocar em causa seja o que for e devo ‘abraçar’ o que me é oferecido... não tenho que tecer qualquer juízo de valor, pois tudo é diferente!”

 

Manaus – Maturacá – São Gabriel da Cachoeira

“Em Manaus conheci uma cidade em crescimento, na qual o turismo e os problemas como assaltos, saneamento, drogas são uma presença.” Manuela e Inês chegaram a Manaus onde puderam conhecer melhor o trabalho dos Salesianos junto das comunidades locais. Daí partiram para Maturacá. “É a terra dos Yanomami, um povo indígena ainda com tradições muito enraizadas. Apesar de serem amistosos, não é fácil comunicar. A barreira da língua e o facto de serem ‘desconfiados’, dificulta a interação com eles.” Durante duas semanas, as duas jovens puderam estar com esta comunidade tão diferente das nossas comunidades ocidentais: “foi possível conhecer um pouco da sua cultura, presenciar rituais e participar em atividades realizadas na escola e na igreja. Foi sem dúvida, uma das experiências mais marcantes!”

Foi em São Gabriel da Cachoeira que Manuela e Inês passaram mais tempo nesta missão, em particular no centro juvenil salesiano. Aí, os jovens têm acesso a alguns cursos profissionais (padaria, violão e informática) e é também um espaço importante de partilha e de brincadeira entre todos. “Inicialmente o contacto com os jovens não foi fácil - era difícil tirar um ‘bom dia’ (o povo indígena no início é difícil de se relacionar), mas depois começaram a querer estar comigo e a brincar.” Para além de todas as atividades que marcavam o dia-a-dia, aquilo que a Manuela mais destaca é a importância de estar disponível para ouvir: “havia sempre tempo para o outro! As tarefas tinham que ser feitas, mas mais importante era estar com as pessoas, jovens e colaboradores... Ouvir faz toda a diferença!”

Neste centro juvenil os jovens estão longe das suas famílias e num meio diferente das suas comunidades de origem. Por isso têm também uma grande necessidade de afeto e atenção. Estar presente e disponível é um fator determinante para que estes jovens, para além de receberem uma boa formação profissional, possam também evitar problemas muito concretos como a droga, o álcool e a prostituição.

À distância de sete meses fica a recordação de um tempo único e que transformou a vida destas jovens: “o nascer do dia e o por do sol eram lindíssimos! As pessoas simples e únicas!”

texto por Emanuel Oliveira Soeiro, FEC – Fundação Fé e Cooperação
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