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“O Espírito Santo faz com que vivamos cheios de esperança”
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O Papa Francisco refletiu sobre a relação entre a esperança cristã e o Espírito Santo. Na semana em que o Colégio Português de Roma foi distinguido, o Vaticano descartou uma viagem papal ao Sudão do Sul este ano, o Papa recordou os atentados no Egipto e em Manchester e realizou uma visita pastoral a Génova.

 

1. O Papa Francisco lembrou o Domingo de Pentecostes, que se celebra este dia 4 de junho. “Ao aproximar-se o dia de Pentecostes, refletiremos sobre a relação entre a esperança cristã e o Espírito Santo. Na Carta aos Hebreus, a esperança é comparada a uma âncora, pois dá segurança e estabilidade à “barca” da nossa vida em meio às ondas turbulentas. A esperança é semelhante também a uma vela, que recebe o “vento” do Espírito Santo, convertendo-o em força que nos impele a atravessar o oceano da existência. O Espírito Santo faz com que vivamos cheios de esperança, sem nunca ficar desencorajados, literalmente esperando contra toda a esperança. Chamados a ser semeadores de esperança, façamo-nos paráclitos, ou seja, consoladores e defensores dos nossos irmãos, sobretudo dos pobres, excluídos e não amados, para além de defensores da criação que “espera” a manifestação dos filhos de Deus. Por isso, juntamente com Maria no Cenáculo, preparemo-nos para celebrar a Festa do Espírito Santo”, referiu o Papa, na audiência-geral de quarta-feira, 31 de maio.

Neste dia, Francisco condenou, numa mensagem de condolências dirigida ao embaixador do Afeganistão na Itália, o “abominável” atentado dessa manhã que provocou pelo menos 80 mortos no bairro diplomático de Cabul. “Após tomar conhecimento, com tristeza, do abominável ataque em Cabul e dos muitos mortos e feridos graves, o Papa Francisco manifesta as suas sentidas condolências a todos os que foram afetados por este brutal ato de violência”, refere o texto, enviado através do Secretário de Estado do Vaticano, cardeal Pietro Parolin.

 

2. O Colégio Português, onde vivem os padres e seminaristas que se encontram em Roma, foi distinguido como ‘Casa da Vida’, pelo seu papel no salvamento de judeus e figuras anti-regime na década de 40. A distinção decorreu na passada terça-feira, 30 de maio, numa sessão que contou com a presença do Cardeal-Patriarca de Lisboa, D. Manuel Clemente, que é também presidente da Conferência Episcopal, e foi atribuída pela fundação Raoul Wallenberg, dedicada a preservar e a divulgar a memória de pessoas que ajudaram a salvar judeus e outros durante o holocausto. Recorde-se que pelo menos 40 pessoas foram salvas por intervenção direta do Colégio Português e do seu reitor, monsenhor Joaquim Carreira, especificamente entre 1943 e 1944.

 

3. O porta-voz do Vaticano descartou a possibilidade de uma viagem do Papa ao Sudão do Sul em 2017, apesar da vontade de Francisco em visitar o país afetado pela violência e a fome. O projeto de visita apostólico mantém-se em estudo e a viagem poderia acontecer em 2018, acrescentou Greg Burke em declarações aos jornalistas.

Em fevereiro deste ano, o Papa tinha manifestado a sua intenção de visitar o Sudão do Sul, a braços com uma crise política e alimentar, a convite de líderes cristãos locais.

 

4. O Papa Francisco recordou, no passado Domingo, 28 de maio, as vítimas dos atentados terroristas que na última semana tinham atingido o Egipto e a cidade inglesa de Manchester. “Desejo exprimir novamente a minha proximidade ao querido irmão Papa Tawadros II e à comunidade copta ortodoxa no Egipto, que há dois dias sofreu mais um feroz ato de violência”, começou por dizer aos peregrinos, reunidos na Praça de São Pedro para a recitação do Regina Coeli. “As vítimas, entre as quais também crianças, são fiéis que se deslocavam a um santuário para rezar. Foram mortos após terem recusado a renegar a sua fé cristã. Que o Senhor acolha na sua paz estas corajosas testemunhas, estes mártires, e converta o coração dos terroristas”, pediu.

O Papa lembrou depois “as vítimas do horrível atentado da passada segunda-feira em Manchester, onde tantas vidas jovens foram cruelmente destruídas”. “Estou próximo dos familiares e de quantos choram o seu desaparecimento”, garantiu.

Após a recitação da oração do Regina Coeli, o Papa voltou a lembrar a importância de uma comunicação construtiva por parte dos meios de comunicação social, associando-se assim à celebração do 51º Dia Mundial das Comunicações Sociais. “Os meios de comunicação social oferecem a possibilidade de partilhar e difundir, a todo o instante, as notícias de modo capilar. Essas notícias podem ser belas ou feias, verdadeiras ou falsas. Rezemos para que a comunicação, em todas as suas formas, seja efetivamente construtiva, ao serviço da verdade, recusando os preconceitos e difunda esperança e confiança no nosso tempo”, pediu.

 

5. Durante uma visita pastoral de 10 horas a Génova, no noroeste de Itália, o Papa Francisco convidou os jovens católicos a rejeitarem uma sociedade de “exclusão” que fecha as portas a quem sofre. “Vivemos numa sociedade que se defende com a exclusão”, lamentou, perante cerca de 13 mil pessoas. No Santuário de Nossa Senhora da Guarda, a cerca de 15 quilómetros do centro da cidade, o Papa rezou em silêncio, durante vários minutos, diante da imagem da Virgem Maria, e almoçou com pobres, refugiados, sem-abrigo e presos, na sala ‘del caminetto’.

De manhã, o Papa respondeu a questões de quatro jovens, considerando que a imagem de Deus foi “pisada” nas pessoas que se encontram em dificuldade, como acontece no “cemitério” do Mediterrâneo. As pessoas, acrescentou, têm nome e não “adjetivos”, desafiando todos a ter a capacidade de “apertar uma mão que está suja” e olhar nos olhos de quem sofre para lhes dizer: “Tu és Jesus”. Francisco disse aos jovens que é preciso responder à “dor dos outros” e, quando não se consegue, “pedir perdão a Deus”. A intervenção questionou aqueles para quem a resposta aos problemas alheios passa por “fechar as portas”, sem generosidade. “Não sejam turistas da vida”, desafiou, após falar na “alegria do Evangelho” que ninguém pode tirar.

A visita a Génova começou com um encontro com trabalhadores, com o Papa a criticar a cultura competitiva que se vive em muitas empresas e a lembrar aos empresários a importância de estar ao lado dos seus trabalhadores. “O bom empresário conhece os seus trabalhadores, porque trabalha ao seu lado, trabalha com eles”, afirmou, para sublinhar a importância da experiência da “dignidade do trabalho”.

Aura Miguel, jornalista da Renascença, à conversa com Diogo Paiva Brandão
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