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Há 10 anos, o Padre Ragheed foi assassinado em Mossul, no Iraque
Impossível esquecer
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Foi a 3 de Junho de 2007. Fez agora 10 anos. O Padre Ragheed Ganni, de 35 anos, foi assassinado logo após ter celebrado Missa em Mossul, uma das mais importantes cidades iraquianas. O país já vivia tempos conturbados, com ataques a igrejas e ameaças aos Cristãos, mas ninguém imaginava o sufoco jihadista que estava ainda para vir.

 

Já o tinham ameaçado. Queriam que a Igreja do Espírito Santo, na sua paróquia, fechasse portas, que os cristãos deixassem de ter um lugar de culto, ali, no bairro de Nur, em Mossul. Mas o Padre Ragheed Ganni, de 35 anos, acabado de regressar ao Iraque, depois de dois anos de formação em Roma – onde estudou graças ao apoio da Fundação AIS –, fazia por ignorar estas palavras carregadas de ódio. Nesse domingo, 3 de Junho, tudo se precipitou. Foi há dez anos. Depois de ter celebrado Missa, como fazia habitualmente, o Padre Ragheed foi interpelado, já fora da igreja, por um grupo de homens armados. Obrigaram-no a sair do carro e um deles gritou-lhe: “Mandei-te fechar a igreja. Porque não o fizeste? Porque é que ainda aqui estás?” O padre estava acompanhado por três diáconos. Algumas pessoas que se encontravam ali perto recordam a resposta de Ragheed Ganni. As suas últimas palavras. “Como é que eu posso fechar a Casa de Deus?”

 

Ameaças directas

O Padre Ragheed sabia que alguma coisa estaria para acontecer. Cada vez as ameaças eram mais assustadoras e mais directas. Dias antes do seu assassinato, confidenciou a um amigo: “Todos os dias esperamos o ataque decisivo, mas não deixaremos de celebrar a Missa”. Já anteriormente, em 2005, teve oportunidade de participar no Congresso Eucarístico italiano. Aí confessou, sem meias-palavras, que por vezes sentia medo. Mas era um medo passageiro, pois sabia que estava por inteiro nas mãos de Deus. “Algumas vezes, eu próprio me sinto frágil e cheio de medo. Porém, quando tenho a Eucaristia nas mãos e digo ‘Eis o Cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo’, sinto em mim a Sua força: eu tenho nas mãos a Eucaristia, mas na realidade é Ele quem me tem a mim e a todos nós. É Ele quem desafia os terroristas e nos mantém unidos no Seu Amor sem fim.”

 

Assassinado

“Como é que eu posso fechar a Casa de Deus?” Mal pronunciou estas palavras, o padre foi atirado para o chão e o seu corpo foi metralhado vezes sem conta. O mesmo aconteceu com os três diáconos que o acompanhavam. Horas depois, os cadáveres destes quatro cristãos ainda estavam na rua. “Ninguém ousava recuperá-los, devido ao clima de tensão” que já se vivia no Iraque naquele ano, escrevia então a agência Asia News. O assassinato do Padre Ragheed comoveu toda a comunidade. Embora ninguém arriscasse imaginar o terramoto que se iria verificar meia dúzia de anos mais tarde, com vastas regiões do país a caírem nas mãos de grupos jihadistas e expulsando milhares de Cristãos de suas casas, era evidente que o Iraque estava já num caos. Percebia-se, a cada dia que passava, que se caminhava para a desordem absoluta, para o abismo.

 

Amigo da AIS

Dia 3 de Junho de 2007. Fez agora 10 anos. Depois de os terem assassinado, os terroristas ainda colocaram explosivos sobre os corpos do Padre Ragheed e dos três diáconos. Naqueles dias o ambiente em Mossul era já pesado. Muito pesado. A morte destes quatro homens da Igreja Católica Caldeia não deixou ninguém indiferente. Os jihadistas, que já então preparavam os dias do holocausto que varreram não só o Iraque mas também a Síria e tantos outros países do mundo, continuaram com as ameaças. Não bastava o sangue daquele padre, daqueles diáconos. Era preciso mesmo que a igreja fechasse portas. No entanto, a comunidade local fez questão de comparecer em peso no funeral destes quatro cristãos que foram já declarados como mártires pela Igreja Católica Caldeia.

A história do Padre Ragheed é muito comovente para a Fundação AIS, pois estudou em Roma graças à generosidade dos seus benfeitores e amigos. Até ao fim, ele manteve sempre uma ligação muito próxima com a Fundação AIS. Quatro dias antes do seu assassinato, enviara uma carta onde expressava isso mesmo. “Quero apenas dizer-vos que irei sempre rezar por todos vós, para que o Senhor vos preserve de todo o mal”, escreveu, tendo afirmado ainda ter sido “um privilégio” ter conhecido o Padre Werenfried van Straaten, o fundador da AIS, a quem se referia como “um santo homem”. O corpo do Padre Ragheed sucumbiu perante as balas das metralhadoras dos jihadistas. Mas essas balas não podem evitar que agora ele, no Céu, continue a rezar por nós, e pelos benfeitores da Fundação AIS, como prometeu na última carta que nos enviou.

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