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“Deus não é distante e fechado em si próprio”
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O Papa Francisco lembrou Deus “misericordioso”. Na semana em que visitou o presidente italiano, o Papa encorajou ao envolvimento das mulheres no diálogo inter-religioso e lembrou as vítimas de atentados no Irão.

 

1. O Papa Francisco assinalou, no Vaticano, a Solenidade da Santíssima Trindade, que revela um Deus próximo e aberto. “Deus não é distante e fechado em si próprio, mas é vida que quer comunicar-se, é abertura, é amor que resgata o homem da infidelidade”, referiu, no passado Domingo, 11 de junho, perante milhares de peregrinos reunidos na Praça de São Pedro para a recitação do Angelus. Francisco falou num Deus “misericordioso”, “piedoso” e “rico de graça”, que se oferece à humanidade para superar os limites e falhas de cada pessoa, mostrando “o caminho da justiça e da verdade”. “Jesus manifestou o rosto de Deus, Uno na substância e Trino nas pessoas; Deus é todo e só Amor, numa relação subsistente que tudo cria, redime e santifica: Pai e Filho e Espírito Santo”, acrescentou, sublinhando que as comunidades cristãs são chamadas a ser um reflexo da Trindade, “da sua bondade e beleza”.

No final, o Papa recordou a beatificação, ocorrida na véspera, da mística e teóloga Itala Mela (1904-1957), natural da região italiana da Ligúria, que se converteu ao cristianismo. “Que ela nos encoraje, durante os nossos dias, a dirigir muitas vezes o pensamento a Deus Pai, Filho e Espírito Santo que vive na cela do nosso coração”, apelou.

 

2. O Papa encontrou-se com o presidente italiano Sergio Mattarella, na manhã do passado sábado, 10 de junho. Francisco deixou a cidade do Vaticano e dirigiu-se, de carro, para o Quirinal de Roma, sede da Presidência da República Italiana, para retribuir a visita que o presidente Mattarella lhe tinha feito no passado dia 18 de abril de 2015. “Olho para Itália com esperança. Uma esperança radicada na memória grata para com os pais e os avós, que são também meus, porque as minhas raízes estão neste país. Memória grata para com as gerações que nos precederam, e que com a ajuda de Deus, levaram avante os valores fundamentais da dignidade da pessoa, da família, do trabalho, etc. Eles colocaram também estes valores no centro da Constituição republicana, que ofereceu e oferece um quadro estável de referência para a vida democrática do povo. Uma esperança, portanto fundada sobre a memória, uma memória grata”, salientou o Papa, no seu discurso.

Francisco observou que “a Itália e  toda a Europa, em conjunto, são chamados a enfrentar uma série de problemas e riscos de vária natureza tais como o terrorismo internacional que encontra alimento no fundamentalismo religioso; o fenómeno migratório que se agravou por causa das guerras e dos graves desequilíbrios persistentes a nível social e económico de muitas áreas do mundo; e finalmente as dificuldades da juventude hodierna de encontrar um trabalho estável e digno, o que contribui a aumentar a desconforto em relação ao futuro  e não favorece o nascimento de novas famílias e filhos/as”. Sobre a Igreja em Itália, o Papa apelidou-a de “realidade viva, fortemente unida à alma do País, ao sentir da sua população”. “Vive as alegrias e as dores, e procura, segundo as suas possibilidades, atenuar os sofrimentos das pessoas, reforçar o legado social e ajudar todos a construir juntos um bem comum”, descreveu.

Antes de voltar ao Vaticano, Francisco e Mattarella encontram-se, nos Jardins do Quirinal, com cerca de 200 crianças provenientes da região do centro da Itália, atingida pelo terramoto.

 

3. O Papa Francisco recebeu, em audiência, 40 participantes na Assembleia Plenária do Pontifício Conselho para o Dialogo Inter-religioso, que teve como tema ‘O Papel da Mulher na Educação à Fraternidade Universal’ e que o Papa considerou de primária importância para o caminho da humanidade em direção à fraternidade e à paz, um caminho marcado por dificuldades e obstáculos. “Constitui um benéfico processo, o da crescente presença das mulheres na vida social, económica e política  a nível local, nacional e internacional, assim como também eclesial. As mulheres têm pleno direito de se inserir em todos os âmbitos e este seu direito deve ser afirmado e protegido também através de instrumentos legais, lá onde se revelarem necessários. Trata-se de ampliar os espaços de uma presença feminina mais incisiva”, lembrou, no encontro do passado dia 9 de junho.

O Papa recordou ainda o contributo das mulheres enquanto educadoras. “Assim, as mulheres, ligadas intimamente ao mistério da vida, podem fazer muito para promover o espírito de fraternidade, com a sua atenção à preservação da vida e com a sua convicção de que o amor é a única força que pode tornar o mundo mais habitável para todos”, salientou, garantindo que “muitas mulheres estão bem preparadas para enfrentar encontros de diálogo inter-religioso ao mais alto nível e não apenas da parte católica”. “O diálogo é um caminho que a mulher e o homem devem percorrer juntos. Hoje mais do que nunca é necessário que as mulheres estejam presentes”, terminou o Papa.

 

4. O Vaticano enviou uma nota de condolências ao Governo iraniano, no passado dia 9 de junho, na sequência dos atentados que esta semana fizeram uma dúzia de vítimas na capital daquele país. A nota, assinada pelo Secretário de Estado, cardeal Pietro Parolin, lamenta o ato de violência “sem sentido” e assegura o povo iraniano das orações do Papa. “Sua Santidade o Papa Francisco envia as suas sentidas condolências a todos os que foram afetados pelo bárbaro ataque de Teerão, e lamenta o ato de violência grave e sem sentido. Ao expressar a sua tristeza pelas vítimas e suas famílias, Sua Santidade encomenda as almas dos falecidos à misericórdia do Todo-poderoso, assegurando o povo do Irão das suas orações pela paz”, refere a missiva.

Recorde-se que um comando de muçulmanos sunitas levou a cabo um ataque no Parlamento iraniano, na dia 7, enquanto outro terrorista se fez explodir junto ao mausóleo dedicado ao fundador da República Islâmica, o aiatola Khomeini. No conjunto os dois ataques fizeram doze vítimas.

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