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“Chama-vos para servir como Ele e com Ele”
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O Papa Francisco criou cinco novos cardeais. Na semana em que recebeu a visita uma delegação do Patriarcado de Constantinopla, o Papa assinalou 25 anos da ordenação episcopal, criticou os interesses comerciais na luta contra o cancro e elogiou a coragem dos cristãos perseguidos.

 

1. O Papa instituiu cinco novos cardeais, provenientes de vários países e diferentes continentes: Bamako (Mali), Barcelona (Espanha), Estocolme (Suécia), Paké (malásia) e San Salvador (El Salvador). Na celebração do passado dia 28 de junho, Francisco pediu, sobretudo aos novos cardeais, para enfrentarem sempre a realidade e não se distraírem com argumentos de poder. “A realidade é a cruz, é o pecado do mundo que Jesus veio tomar sobre Si e extirpar da terra dos homens e das mulheres. A realidade são os inocentes que sofrem e morrem por causa das guerras e do terrorismo; são as escravidões que não cessam de negar a dignidade, mesmo na era dos direitos humanos; a realidade é a dos campos de refugiados, que às vezes lembram mais um inferno do que um purgatório; a realidade é o descarte sistemático de tudo o que já não é útil, incluindo as pessoas. É isto que Jesus vê, enquanto caminha para Jerusalém”, salientou, na homilia. O Papa recordou ainda a todos os cardeais – e, sobretudo aos novos – que são chamados a servir e não a servirem-se. “Também nós, irmãos e irmãs, caminhamos com Jesus por esta estrada. Falo particularmente para vós, amados novos Cardeais. Jesus «segue à frente de vós» e pede-vos que O sigais decididamente pelo seu caminho. Chama-vos a olhar para a realidade, não vos deixando distrair por outros interesses, por outras perspetivas. Não vos chamou para vos tornardes «príncipes» na Igreja, para vos «sentardes à sua direita ou à sua esquerda». Chama-vos para servir como Ele e com Ele”, apontou. No final da celebração, Francisco e os novos cardeais fizeram uma visita de cortesia ao Papa emérito Bento XVI, deslocando-se à sua residência, o Mosteiro Mater Ecclesia, situado nos jardins do Vaticano.

Ainda neste dia, da parte da manhã, o Papa referiu que a ideia de chamar “mártires” a quem comete atentados suicidas repugna os cristãos. “Repugna aos cristãos a ideia de que os terroristas suicidas possam chamar-se ‘mártires’: não há nada nos seus objetivos que se possa aproximar ao comportamento dos filhos de Deus”, manifestou, na audiência-geral de quarta-feira. Perante milhares de pessoas reunidas na Praça de São Pedro, Francisco sublinhou que o martírio não é “o ideal supremo da vida cristã”, porque acima dele “está a caridade, isto é, o amor a Deus e ao próximo”. Na sua intervenção, o Santo Padre recordou ainda as perseguições contra cristãos, por causa da sua fé, e defendeu que “nunca” se deve responder à violência com mais violência. “O mal não se pode combater com o mal”, concluiu.

 

2. O Papa Francisco recebeu, no dia 27 de junho, no Vaticano, uma delegação do Patriarcado de Constantinopla (Igreja Ortodoxa), saudando o atual percurso de diálogo ecuménico entre católicos e ortodoxos. “O intercâmbio de delegações entre a Igreja de Roma e a Igreja de Constantinopla, por ocasião das respetivas festividades dos padroeiros, aumenta em nós o desejo de restabelecer a plena comunhão entre católicos e ortodoxos, que já antecipam no encontro fraterno, na oração partilhada e no comum serviço ao Evangelho”, declarou, numa intervenção divulgada pela Sala de Imprensa da Santa Sé. A intervenção concluiu-se com uma oração para que todos os cristãos sejam “instrumentos de comunhão e de paz”, confiando na intercessão dos santos apóstolos Pedro, Paulo e André.

 

3. A 27 de junho, o Papa Francisco celebrou 25 anos de ordenação episcopal, tendo presidido à Eucaristia na Capela Paulina, do Vaticano, com vários membros do Colégio Cardinalício. “Os que não gostam de nós dizem que somos a gerontocracia da Igreja. É uma piada, não percebem o que dizem: nós não somos ‘gerontes’, somos avôs - e se alguém não se sente assim, devemos pedir a graça de o sentir”, referiu, na homilia da celebração. Francisco sublinhou ainda que, como “avôs”, têm “netos” que olham para eles e aos quais é preciso dar “um sentido da vida”, com a experiência pessoal. “Somos avôs chamados a sonhar e dar o nosso sonho à juventude de hoje, que precisa deles”, acrescentou.

 

4. O Papa Francisco manifestou-se contra a existência de “interesses comerciais” na luta contra o cancro, apelando a uma “cultura da vida” que aposta na prevenção. “É necessário difundir uma cultura da vida, feita de atitudes, comportamentos. Uma verdadeira cultura popular, séria, acessível a todos, e não baseada em interesses comerciais”, salientou o Papa, num encontro com cerca de 150 membros da Liga Italiana Contra o Cancro, no passado dia 26 de junho. Francisco elogiou o papel desta instituição, que ajuda a “formar nas pessoas e nas famílias um estilo de prevenção, favorecendo a mentalidade de que a prevenção oncológica é primeiramente um estilo de vida”. “As famílias precisam de ser acompanhadas no caminho de prevenção. Um caminho que envolve as várias gerações num pacto solidário. Um caminho que valoriza a experiência de quem viveu, com os próprios familiares, o percurso cansativo da doença oncológica”, frisou, pedindo atenção particular à “periferia”, ou seja, a “cada homem e mulher que vive numa condição de marginalização”.

 

5. Na oração do Angelus, o Papa Francisco voltou a lembrar os cristãos perseguidos em várias partes do mundo e elogiou a sua coragem. “Rezemos pelos nossos irmãos e irmãs perseguidos e louvemos a Deus porque, apesar disso, continuam a testemunhar com coragem e fidelidade a sua fé”, afirmou, esperando que o exemplo destes cristãos “nos ajude a não hesitar a tomar posição a favor de Cristo, testemunhando-O corajosamente nas situações de cada dia, mesmo em contextos aparentemente tranquilos”. “Não tenhais medo de quem vos goza e maltrata, nem tenhais medo de quem vos ignora ou, pela frente vos honra, mas por trás combate o Evangelho. E há tantos que, à nossa frente fazem sorrisos e pelas costas combatem o Evangelho. Todos os conhecemos”, concluiu Francisco.

O Papa mostrou-se ainda solidário com as vítimas do deslizamento de terras na China, que provocou pelo menos 25 mortos e 85 desaparecidos. “Quero expressar a minha proximidade às populações da aldeia chinesa de Xinmo, atingida por um deslizamento de terras causado pelas fortes chuvas”, referiu Francisco.

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