Missão |
Liliana Ferreira e Flávio Schmidt, da família Comboniana
Construir juntos um mundo melhor e mais justo
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Liliana Ferreira nasceu a 2 de agosto de 1981 e é natural de Lamas (Coimbra). Flávio Schmidt nasceu a 25 de abril de 1984 em S. José dos Campos (S. Paulo, no Brasil). Ambos são membros da família Comboniana. Conheceram-se em 2012, em Moçambique, e casaram a 4 de fevereiro de 2017. Ambos fizeram missão em Moçambique e em Portugal e partiram em junho para a missão de Piquiá no Maranhão (Brasil) como casal Leigo Missionário Comboniano.


Liliana nasceu no seio de uma família católica. Foi catequista, pertenceu ao grupo coral e ao da liturgia. Sempre foi uma pessoa introvertida, “sem coragem” para se “aventurar sozinha em qualquer que fosse a atividade”. Em 2005, quando terminava o curso de Engenharia Geológica, um cartaz onde se lia ‘Voluntários para África’ mudou-lhe a vida! “Dentro de mim algo gritou, o meu sonho de criança chamava por mim, tirei todas as informações necessárias e no dia do primeiro encontro lá estava eu para saber tudo.” Iniciou uma caminhada com os Leigos para o Desenvolvimento de preparação para a missão, onde foi também tendo um encontro consigo própria. “Foi um ano muito intenso que me transformou, mas muitos dos meus medos não conseguiram ser ultrapassados. Assim, no final desse ano decidi que ainda não era o momento de partir”, partilha. Em 2006 terminou a faculdade e começou a trabalhar. “Mas quando Deus chama não há forma de fugir”, diz. No fim de 2008 encontrou os Leigos Missionários Combonianos (LMC), com quem entrou em contacto. No mesmo dia, iniciou a formação que decorria nesse fim-de-semana. “Foram dois anos de formação muito intensos, sempre com os meus medos e inseguranças bastante presentes. No final desses dois anos disse o meu ‘sim’ a Deus e aos LMC”, conta. A sua família não aceitou muito bem mas sempre acompanhou a formação. Partiu para Moçambique em novembro de 2010, por dois anos, para a missão de Benfica, em Maputo. “Acabei por ficar três, os últimos dois em Carapira – Nampula. Fui filha, fui mãe, fui mana... O que vivi faz parte de mim, tal como as pessoas com quem partilhei toda esta vivência; elas me transformaram com o seu jeito acolhedor e alegre de ser e de viver mesmo perante as adversidades. Como LMC a nossa espiritualidade está intrinsecamente ligada à vida comunitária. Assim, em ambas as missões, partilhei a minha vida com outros leigos não só portugueses, mas também estrangeiros”, recorda.

Flávio também nasceu no seio de uma família católica e, com os seus irmãos, sempre acompanhou os pais nas diversas atividades na Igreja. Foi acólito desde os 10 anos, fez parte de um grupo de jovens ligado à Pastoral da Juventude que também coordenou e integrou a equipa coordenadora da Pastoral da Juventude na Diocese. “Toda a caminhada e aprendizagem na Pastoral de Juventude, que me colocou em contacto com o rosto da Igreja pobre e comprometida com a justiça, alicerçada na doutrina social da Igreja, amadureceram a minha fé e o compromisso com a mensagem de Jesus Cristo”, partilha. Formou-se em Engenharia Informática e trabalhava numa empresa de consultoria da área, prestando serviços a uma grande empresa multinacional, quando em 2010 conheceu o movimento dos LMC no Brasil. “É um grupo formado por homens e mulheres, solteiros e casados, que se dispõem a dedicar parte da sua vida ao serviço missionário além-fronteiras, animados pelo carisma Comboniano (inspirado por São Daniel Comboni) de ‘Salvar África com África’, onde, atualizado, refere-se a salvar as comunidades onde estamos presentes através das pessoas que ali vivem, para que sejam protagonistas da sua própria libertação, espiritual e social”, explica. Ao descobrir mais sobre os LMC encontrou a resposta às suas inquietações e decidiu então “deixar tudo e partir”. Em Outubro de 2010 começou a preparar a partida mas apenas em Março de 2011 se mudou para a casa dos LMC para viver em comunidade e partilhar da formação de preparação para a partida. “Um dos desafios, que era ter algum trabalho remunerado para colaborar no sustento da casa, uma vez que, como leigos, vivemos do nosso salário e até isso Deus preparou”, partilha. Em janeiro de 2012 partiu para Moçambique, como LMC, para a missão de Carapira “para atuar como LMC numa escola industrial, integrando uma comunidade internacional, além de partilhar da missão com padres, irmãos e irmãs Combonianos.” Deu aulas, apoiou na área administrativa e integrou-se na vida paroquial, com o Ministério da Justiça e Paz no qual teve “a oportunidade de conviver mais de perto com a realidade das comunidades camponesas de diversas regiões da paróquia, que tem cerca de 84 comunidades.” “Não é possível descrever com palavras tudo o que isso agregou na minha vida e história. Só posso afirmar que Deus deu-me muito mais do que eu deixei! E me desafia a continuar a serviço do outro! Porque apesar das dificuldades e sofrimentos, das privações e limitações, sempre vale a pena! Permaneci nesta missão por 4 anos, até dezembro de 2015, e durante este tempo, na comunidade LMC, convivi com diferentes pessoas de nacionalidade portuguesa e mexicana, em diferentes momentos. E foi nesta comunidade que conheci a Liliana, logo na minha chegada em 2012.”

 

“Somos dois, unidos com Cristo”

Liliana e Flávio conheceram-se em 2012, na missão em Moçambique. Conviveram na comunidade com o passar do tempo tornaram-se “força um para o outro sobretudo nos momentos mais desafiantes da vida e da missão.” A meio de 2013 perceberam que havia um sentimento mais forte que os unia. Conversaram e procuraram apoio no padre responsável pelos LMC em Moçambique que os animou e os convidou a discernir o sentimento que apresentaram, “que fazia parte da nossa dimensão laical, sem medos”. Rezaram juntos, tudo o que sentiam e concluíram que não era o local nem o momento para iniciar uma relação e decidiram esperar. Em janeiro de 2014, com o fim do contrato da Liliana e o seu regresso a Portugal e, tendo o Flávio o contrato renovado por mais 2 anos (2014-2015), decidiram assumir “o compromisso de esperar um pelo outro”. Durante 2 anos o Skype ajudou-os manter uma relação à distância. “Quando acreditamos que existe um Amor maior que nos une, essa transcendência nos faz superar todas as dificuldades.” Reencontraram-se no início de 2016. Estiveram em Portugal e no Brasil, onde conheceram a família um do outro, tendo sempre de regressar cada um ao seu país devido às burocracias. Começaram então a pensar no seu futuro em conjunto e decidiram procurar trabalho, sendo que “quem encontrasse primeiro, chamaria o outro”. A Liliana consegue então trabalho em Portugal e em Maio do ano passado, o Flávio junta-se a ela em Lisboa, integrando as atividades da família Comboniana. “Com o tempo, fomos assumindo mais atividades em Fetais e acabámos por nos mudar para o bairro. Para além do Despertar, ajudamos com o início do grupo de jovens da comunidade (JUPP – Jovens Unidos Pela Paz) e o Flávio iniciou um grupo de alfabetização de adultos no Bairro das Mós. Viver no mesmo bairro das crianças que acompanhávamos no Despertar foi uma bênção e uma alegria”, partilham. Casaram a 4 de fevereiro de 2017 em Lamas, Miranda do Corvo, e em Junho, quatro meses após o matrimónio, partiram como casal LMC para a missão Comboniana de Piquiá na cidade de Açailândia, no Maranhão (Brasil). “Somos dois, unidos com Cristo, a dar a nossa pequena colaboração na construção de um mundo melhor e mais justo”, terminam.

texto por Catarina António, FEC | Fundação Fé e Cooperação
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