Domingo |
À procura da Palavra
“Às riscas!”
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DOMINGO XVI COMUM Ano A

“Deixai-os crescer ambos até à ceifa.”

Mt 13, 30

 

Gosto de recontar a história daquela pequenita que, à pergunta da catequista sobre como seriam os seus corações, se os corações maus fossem escuros e branquinhos os corações bons, respondeu imediatamente: “Ah! O meu é às riscas!” Temos muita dificuldade em aceitar uma realidade “às riscas”! Em que o mal e o bem coabitam em nós e nos outros, que os diversos matizes de cinzento são frequentes, e que dá trabalho escolher o bem. E aí o branco é a junção de todas as cores do espectro de cores, a cor da luz. Ela abraça a maravilhosa diversidade de uma vida cheia de cores.


Jesus utiliza imagens ligadas ao cuidado da terra e ao quotidiano para falar do cuidado entre as pessoas. O reino de Deus não é uma realidade acabada e perfeita, mas um dinamismo de vida, em que Deus manifesta a sua presença e o seu amor. A parábola do trigo e do joio mostra-nos que o conhecimento do bem e do mal não nos permite decidir sobre a vida dos outros, nem arrancar o mal destruindo aquele que o pratica. É a grande tentação, como um padre meu amigo gostava de dizer, de “mandar fora o bebé com a água do banho”! Misturar tanto o mal com aquele que o fez, que se arranca o joio e o trigo! Por outro lado, o grão de mostarda e o fermento, das parábolas seguintes, ensinam-nos a desconfiar das aparências, e a descobrir como Deus gosta de escolher o que é pequeno e insignificante para fazer grandes coisas. É difícil entendermos o lento crescimento do reino de Deus. Gostamos de mudar as coisas a partir de fora; Deus actua a partir de dentro, não desistindo de ninguém, contagiando inteligência e corações para uma vida mais justa e digna. É assim a força do reino a fazer-nos mais filhos e irmãos; ao contrário do desejo de poder e privilégios que muitas pessoas e instituições perseguem!


É preciso coragem para deixar crescer aquilo que só com o tempo se distingue bem. E prudência para não nos consideramos infalíveis ao julgar facilmente, e precipitadamente, os outros. Se a isso juntarmos paciência, que é uma virtude activa, de não desistir do que é mais importante, e de abrir-nos às surpresas que podem demorar, mas acabam por vir, que numeroso fruto não produzirá o que era pequeno e parecia insignificante? No fundo, estas virtudes encontram-se na humildade, que é condição para nos abrirmos à verdade. Não a da nossa presunção, mas a de Deus, que ilumina o pensamento e a acção para melhorarmos o que é possível, aceitarmos o que não é possível, e distinguir com sabedoria uma da outra.


Como vencemos o mal? Suprimimos os maus? Foi a proposta dos servos do dono da casa. E começamos onde para acabar onde? Será que pelo meio não estaremos nós também? Não precisaremos todos da misericórdia de Deus? Ah, se víssemos melhor as riscas que o nosso coração tem e acolhêssemos o trigo, o grão de mostarda e o fermento do reino de Deus, em vez de gastarmos energias em julgar!

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