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“Não deem ouvidos aos velhos de coração!”
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O Papa fez uma interpelação aos jovens. Na semana em que foi anunciada nova viagem apostólica internacional, Francisco referiu-se à situação em Myanmar, garantiu que a “reforma litúrgica” na Igreja Católica “é irreversível” e lamentou os atentados terroristas.

1. O Papa Francisco refletiu, nesta quarta-feira, 30 de agosto, no Vaticano, sobre a importância da vocação e deixou uma interpelação aos jovens: “Não deem ouvidos aos velhos de coração!”. “Os jovens que não buscam nada não são jovens, estão como que reformados, envelhecidos antes do tempo. E é triste ver jovens reformados”, frisou Francisco, que também sublinhou a necessidade de não seguir a onda de quem quer uma sociedade “desapontada e infeliz”, ou aqueles que “cinicamente dizem para abandonar toda a esperança”. “Não escutem aqueles que matam à nascença qualquer entusiasmo, ao dizerem que nenhum objetivo vale o sacrifício de uma vida. Não deem ouvidos aos velhos de coração, que sufocam toda e qualquer euforia juvenil”, alertou Francisco. Na Praça de São Pedro, o Papa deixou ainda uma mensagem a toda a Igreja, salientando que a vocação de um verdadeiro cristão é visível “não através da arma da retórica, de palavras e mais palavras”, mas através “da alegria da fé que transborda dos seus olhos”, e pediu a todas as comunidades cristãs que sejam capazes de “sonhar” com Deus “um mundo diferente”.

Ainda neste dia, o Papa Francisco antecipou o Dia Mundial de Oração pelo Cuidado pela Criação, que iria ter lugar esta sexta-feira, dia 1 de setembro, e pediu que “todos assumam uma postura respeitosa e responsável perante a Criação”. No final da audiência pública com os peregrinos, Francisco frisou a importância de “escutar o grito da Terra” e deixou uma mensagem à comunidade internacional, “a todos os que ocupam lugares de influência”, para que não deixem de “ouvir os apelos dos pobres, que são os que mais sofrem com os desequilíbrios ecológicos”.

 

2. O Papa vai visitar Myanmar e o Bangladesh, entre os dias 27 de novembro e 2 de dezembro. A Santa Sé anunciou, no passado dia 28 de agosto, a deslocação do Papa Francisco a estes países asiáticos, na sequência de “um convite dos respetivos responsáveis de Estado e dos bispos” [dos dois países], refere um comunicado. Entre 27 e 30 de novembro, o Papa estará em Myanmar e vai passar pelas cidades de Rangum e Nepiedó, seguindo depois para o Bangladesh para visitar a cidade de Daca. “O programa completo destas visitas será publicado em breve”, adiantou o porta-voz da Santa Sé, Greg Burke.

Em Myanmar (antiga Birmânia), cerca de 90% da população pratica o budismo e a comunidade cristã não ultrapassa os 4%. No Bangladesh, um país de maioria muçulmana, o número de católicos no território está estimado em 270 mil fiéis.

 

3. No dia anterior ao anúncio da viagem a Myanmar e ao Bangladesh, após a oração do Angelus, o Papa referiu-se à situação em Myanmar, para denunciar a perseguição que está a ser feita aos grupos minoritários, sobretudo aos rohingya, uma comunidade muçulmana a quem o Governo local nega o direito de cidadania. “Chegaram tristes notícias de perseguição à minoria religiosa dos nossos irmãos rohingya. Quero exprimir-lhes toda a minha proximidade e todos pedimos ao Senhor que se salvem e suscitar aos homens e mulheres de boa vontade que os ajudem e lhes deem plenos direitos. Por isso, rezemos também pelos nossos irmãos rohingya”, disse Francisco, no passado Domingo, 27 de agosto. O Governo de Myanmar anunciou, entretanto, que retirou quase quatro mil pessoas na região oeste do país, devido a confrontos entre as forças de segurança e rebeldes da minoria rohingya. Outras cerca de duas mil pessoas terão passado a fronteira para o país vizinho, o Bangladesh.

No seu discurso, o Papa instou também os políticos católicos a promulgarem leis que promovam maior apoio aos indefesos e marginalizados, em especial aos refugiados.

 

4. A “reforma litúrgica” na Igreja Católica “é irreversível”, afirmou o Papa perante os participantes da 68ª Semana Litúrgica de Itália, no passado dia 24 de agosto, sublinhando que a mudança tem de ser feita também ao nível das mentalidades. “Não é suficiente reformar apenas os livros litúrgicos, a mentalidade das pessoas também tem de ser transformada”, salientou o Papa. “A educação litúrgica de pastores e fiéis é um desafio a ser enfrentado sempre de novo”, frisou, exortando a redescobrir “os motivos das decisões realizadas com a reforma litúrgica” e a superar “leituras infundadas e superficiais, receções parciais e práticas que a desfiguram”.

Na Sala Paulo VI, Francisco recomendou uma liturgia centrada na “presença real do mistério de Cristo”, apontando que “a Igreja só estará verdadeiramente viva, formando um só Corpo vivo com Cristo, se for portadora de vida, se for uma Igreja maternal, missionária, que vai ao encontro do próximo, empenhada em servir, sem buscar poderes mundanos que se revelam estéreis”.

 

5. Na última semana, o Papa lembrou o terramoto na ilha italiana de Ischia e os atentados terroristas em Barcelona. “Após ter lido as notícias destes dias, após ter visto o telejornal ou a manchete dos jornais, onde há tantas tragédias e se relatam tristes notícias a que todos arriscamos de nos habituar, tentem pensar no rosto das crianças amedrontadas pela guerra, no choro das mães, nos sonhos desfeitos de tantos jovens, nos refugiados que enfrentam viagens terríveis e, tantas vezes, abusados”, pediu Francisco, durante a audiência-geral de dia 23 de agosto. “Infelizmente, a vida também é isto. Às vezes, até parece ser sobretudo isto. Pode acontecer, mas há um Pai que chora connosco. Há um Pai que chora lágrimas de infinita piedade com os seus filhos” e que “com uma infinita compaixão, quer consolar cada um com um futuro muito diferente”, garantiu o Papa, incentivando os cristãos a serem sinal de força e esperança para o mundo, sustentando que “a morte e o ódio não podem ter a última palavra”.

 

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