Missão |
Inês Pereira, Grupo Missionário Ondjoyetu
“Cá ou lá estarei sempre em missão!”
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Inês Pereira nasceu numa aldeia perto da cidade de Leiria, a 10 de março de 1986, numa família católica. Em 2007, fez a sua primeira experiência de missão por um período de dois meses, em 2009, com o Grupo Missionário Ondjoyetu, partiu por um ano para a missão do Gungo, em Angola, para onde regressou no início de 2011 e onde permaneceu até maio de 2012.

 

 

O sonho de partir em missão

Cresceu numa família católica “com uma tradição religiosa muito marcada”, com a comunidade, “sempre com a preocupação de uma responsabilidade social mais ativa” e consciente de que “não estamos sozinhos”. Sempre presente, esteve o sonho de partir em missão para “poder ser útil e partilhar a vida com outro povo”, mas tudo estava como “um sonho distante e um pouco irreal”. Aos 16 anos teve o seu primeiro e importante encontro de fé, em Taizé, do qual diz não ter regressado “a mesma pessoa” e onde ficou marcada pela “simplicidade, o sentido de comunidade e a partilha”. Fez depois várias viagens a Taizé e participou em muitos encontros de jovens. “A mensagem de que estamos a ir à fonte, para beber, saindo fortalecidos na nossa vida, foi-me ‘incomodando’ pela positiva, e mostrou-me que a minha vida também teria de ser testemunho disso mesmo. De facto, não podia seguir igual”, concluiu Inês.

 

“Amarrar o coração ao embondeiro”

O ano em que entrou na universidade coincidiu com a entrada para o Grupo Missionário Ondjoyetu que conheceu “através de um amigo que também tinha tido uma experiência missionária”. Foi participando nas diferentes atividades do grupo e disponibilizou-se, de imediato, para partir em missão pelo período de dois meses, no período de férias da universidade, em 2007. Conta que foi “a primeira experiência de missão”. “Foi suficiente para, como costumamos dizer a brincar, amarrar o coração ao embondeiro. Nunca mais se regressa de um lugar onde se é tão feliz, onde se partilha o vazio e o absoluto com um povo que se sente abandonado e está sedento de crescer. Foi claro que teria de voltar para um tempo mais prolongado”. Em 2009 terminou a licenciatura e decidiu partir, por mais um ano, para a missão do Gungo, em Angola. “Durante esse período estive a implementar o projeto ‘Ser Jovem no Gungo’, com o objetivo de capacitar a comunidade local, sobretudo os jovens, de competências que promovam o seu desenvolvimento de forma sustentável e sem assistencialismo. As principais necessidades são ao nível da formação e acompanhamento de crianças, jovens e mulheres, fortemente marcados pela guerra civil e pelas consequências da dificuldade de acessos, isolamento, falta de água potável e cuidados de saúde”, descreve. “Regressei a Portugal, passado um ano, com o coração bem apertado pela sensação que ‘só agora’ estava a começar a trabalhar, a conseguir comunicar melhor com as pessoas, a perceber as verdadeiras necessidades, a ter mais autonomia e a ser uma ‘camungunga’ (habitante do Gungo)”, aponta a jovem que tomou a decisão de voltar, por mais um ano. Voltei ao Gungo no início de 2011 e permaneci até maio de 2012. Durante esse ano estive a implementar um projeto que estava a nascer: a Pastoral da Criança, com formação de líderes comunitários, pessoas voluntárias que se disponibilizaram para receber formação para acompanhar mulheres grávidas e crianças até aos 5 anos. O Gungo está cheio de homens de fé e coragem que não baixam os braços perante as dificuldades”, conta Inês, assinalando a preocupante taxa de mortalidade infantil, naquele local, que se situa nos 40%. “É imprescindível unir esforços para lutar contra estes valores absurdos para o século XXI. Mas todo este esforço que o povo faz para continuar a crescer, para viver melhor, transborda e é muito maior do que nós, meros missionários, que pensamos transportar a Boa Nova mas somos inundados por verdadeiros exemplos de fé e coragem. Não é fácil depararmo-nos com algumas realidades, mas também é aqui que podemos ser motor de mudanças e apreciar o quão grande se pode tornar este amor. Aqui aprendi o verdadeiro sentido do que rezamos: ‘Para que todos tenham vida, e a tenham em abundância’. Aprendemos com as dificuldades, unimos esforços para vencer as duras pedras da picada”, partilha Inês Pereira.

 

Estar sempre em missão

Regressou em 2012 “de coração cheio”, mas também com a sensação de que deixou “uma bonita semente no Gungo”, que “a fé e coragem deste povo ajudarão a germinar.” No regresso a Portugal, começou a trabalhar numa Clínica de Fisioterapia, no Algarve, onde ainda permanece. “Mas já são muitos os que conhecem o povo do Gungo”, conta. Em 2016 teve a possibilidade de ir, durante duas semanas, “com alguns amigos da clínica” até ao Gungo e “foi maravilhoso perceber o quanto o Gungo continua a crescer e partilhar a fé e a alegria daquele povo com os meus amigos”. “Este ano voltei, por um mês, com mais amigos do trabalho e pude, de forma mais calma, acompanhar os trabalhos que têm sido desenvolvidos. O coração veio cheio... perceber que aos poucos as pessoas estão a pôr em prática o que vão aprendendo e ter a certeza de como é bela a missão que Deus me confiou. Fica a certeza de que cá ou lá estarei sempre em missão”, partilha.

texto por Catarina António, FEC | Fundação Fé e Cooperação
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