Domingo |
À PROCURA DA PALAVRA
“Trabalho” para todos
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Não seria melhor dizer "emprego" para todos? Se formos às etimologias das duas palavras podemos ficar admirados! Enquanto a segunda significa envolvimento numa causa e num projeto comum, a primeira está ligada originariamente a tortura, atividade difícil, é só tardiamente ganha o sentido de “aplicação de forças e talentos para um fim”. É verdade que o trabalho aparece quase como um castigo no relato bíblico das origens: “Comerás o pão com o suor do teu rosto!” (Gn 3, 19). Mas não foram o homem e a mulher criados à imagem e semelhança de Deus para também serem co-laboradores na criação que lhes foi confiada?

O trabalho humano é assim entendido pela Constituição ‘Gaudium et spes’, no Concílio Vaticano II: “o homem, criado à imagem de Deus, recebeu a missão de submeter a si a terra e tudo o que ela contém, de governar o mundo na justiça e na santidade e, reconhecendo Deus como o Criador de todas as coisas, de se orientar a si e ao universo todo para Ele, de maneira que, estando tudo subordinado ao homem, o nome de Deus seja glorificado em toda a terra” (n. 34). Nas atuais questões sobre o trabalho e o emprego, com os desafios da automatização e da robotização, jogam-se decisões fundamentais para a humanidade. Por natureza precisamos de fazer coisas, participar, construir, agir com e sobre o que nos rodeia. É enorme o desconsolo quando ninguém necessita de nós, quando parece que “não servimos para nada”, quando somos “descartáveis”. Viver é também ser querido e ser preciso. Gosto de lembrar que o próprio Jesus disse: “Meu Pai continua a realizar obras até agora, e Eu também continuo” (Jo 5, 17).

A parábola dos trabalhadores contratados para a vinha não é um decreto sobre o trabalho nem sobre a justa remuneração. O dono sai por cinco vezes a diferentes horas do dia a contratar todos os que encontra desocupados. Não pede currículos nem escolhe os mais capazes, mas contrata todos. A iniciativa é dele. E, escandalosamente, paga a todos os que tinha acordado com os primeiros: o denário correspondente ao salário de um dia, suficiente para o sustento de uma família. O Reino de Deus não é uma empresa, nem Deus é o dono de uma multinacional. O seu desejo é que ninguém fique excluído de participar no trabalho e na comunhão com Ele. Os da primeira hora podem saborear a alegria de serem os primeiros (referência aos judeus), mas aos da última (os gentios), é também oferecida a mesma alegria. O problema é quando contabilizamos em méritos e regalias aquilo que, por ser de Deus, não se mede em quantidade. A inveja e a ganância são morte para quem não vive a bondade de Deus!

A participação de todos, a justiça para que, a cada pessoa, lhe seja dado o que lhe é próprio para uma vida digna, a alegria do essencial, o valor dos que são considerados últimos, tudo isto cabe nesta parábola de trabalho e festa. Não é o vinho um sinal da graça de Deus? Mas como haverá festa e abundância para todos se houver sempre quem se julga superior aos outros e acumula para si o que não lhe pertence? É fácil e conveniente esquecer que “para todos” é o ritmo do coração de Deus!

À procura da Palavra, com o P. Vítor Gonçalves
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