Na Tua Palavra |
D. Nuno Brás
Ecologia humana

A ecologia está na moda, e é “politicamente correto” defender um modo de estar e de viver ecológico — mesmo que, como diz o Papa Francisco, isso tantas vezes só esteja ao alcance dos mais ricos. Porque os pobres, esses têm que se contentar com o possível (Laudato si', 25).

Mas não se trata apenas de moda. Todos estamos cansados do ar poluído das grandes cidades; do cheiro nauseabundo de tantas indústrias; da destruição selvagem de paisagens magníficas. Por muito que gostemos do ritmo e da animação das cidades, da tecnologia e das maravilhas que ela proporciona, é sempre diferente viver e desfrutar da realidade da criação. E esse sentido de harmonia e de bem-estar diante do mundo criado faz surgir em nós um hino de louvor, agradecido, ao Deus que ali se manifesta.

É certo que sempre existiram catástrofes naturais que provocaram morte e destruição. E é também verdade que nem sempre fizemos a associação entre elas e a falta de respeito que nutrimos pelo criado. Contudo, neste fim de Verão, ao vermos os ventos destruidores, a chuva impiedosa e o rasto de morte que deixam para trás, somos levados a um “ato de contrição”: quase por instinto (e mesmo que alguns digam que não é o caso) relacionamos aquelas imagens de destruição e sofrimento com a falta de respeito com que o ser humano trata a criação.

Mas o Papa Francisco não deixa também de chamar a atenção para aquilo a que chama “ecologia integral”. O mesmo é dizer: existe uma “ecologia humana” a que não podemos ser indiferentes. Como afirma o Papa: “Quando não se reconhece a importância de um pobre, de um embrião humano, de uma pessoa com deficiência (…) dificilmente se saberá escutar os gritos da própria natureza” (LS 117). Ou ainda: “A aceitação do próprio corpo como dom de Deus é necessária para acolher e aceitar o mundo inteiro como dom do Pai e casa comum. (…) Também é necessário ter apreço pelo próprio corpo na sua feminilidade ou masculinidade, para se poder reconhecer a si mesmo no encontro com o outro que é diferente” (LS 155). Duvidamos que, mais tarde ou mais cedo, esta falta de respeito pela ecologia humana vai trazer-nos consequências?

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