Editorial |
P. Nuno Rosário Fernandes
Lágrima de vida
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A expressão popular ‘lágrima de crocodilo’ está associada ao fingimento ou a quem chora sem razão. Contudo, há lágrimas que podem ser lágrimas de vida e sinal de esperança.

Na passada terça-feira, fui confrontado com uma notícia que veio reforçar a confirmação de algo em que acredito vivamente. O mistério da vida e da morte são, de facto, um mistério e não está nas nossas mãos, seres humanos, decidir sobre ele. Dizia uma notícia publicada originalmente pela revista médica ‘Current Biology’, e replicada pelo jornal ‘The Guardian’ que, um homem ao fim de 15 anos paralisado, em estado vegetativo, soltou uma lágrima, após uma terapia inovadora a que foi submetido. Explicava também que o doente continua paralisado e sem conseguir falar, mas deu vários sinais da recuperação da sua consciência. A mesma notícia afirmava que os investigadores “dizem que o resultado levanta questões éticas relativamente à eutanásia”. “Muitos destes pacientes podem ter sido, e outros foram mesmo, negligenciados, e a eutanásia passiva acontece frequentemente em estados vegetativos. Este artigo [o da referida revista] é um aviso para todos os que acreditam que, após um ano, este estado é irreversível”, refere Niels Birbaumer um especialista da Universidade de Tubingen, na Alemanha, ouvido pelo jornal britânico.

Não sou médico, nem tenho formação científica, e por isso não sei pronunciar-me sobre os pormenores técnicos e científicos, mas sei que esta notícia fez-me emocionar e pensar que, cada vez mais, precisamos de lutar pela defesa da vida, seja em que circunstância for. Precisamos ser mais interventivos na nossa sociedade e não deixarmos que outros valores se vão sobrepondo, muitas vezes com a atitude da ‘falsa compaixão’ - como já afirmou o Papa Francisco. “O pensamento dominante propõe, por vezes, uma falsa compaixão, a que considera como ajuda à mulher favorecer o aborto, como um ato de dignidade procurar a eutanásia”, referiu o Papa num discurso a médicos católicos, em 15 de novembro de 2014. Nessa ocasião, Francisco também afirmou: “A Eutanásia é dizer a Deus: ‘Não, o fim da vida sou eu que decido, como eu quiser’. Isso é um pecado contra Deus criador”. “À luz da fé e da razão, a vida humana é sempre sagrada e tem sempre qualidade”, advertia.

Por isso, não baixemos os braços e tenhamos sempre em conta o que são os valores principais da vida humana, que não nos pertence e que, por mais que o homem queira, não consegue, de modo nenhum, controlar.

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