Domingo |
À PROCURA DA PALAVRA
Dizer e fazer
<<
1/
>>
Imagem

DOMINGO XXVI COMUM Ano A

"Os publicanos e as mulheres de má vida

irão diante de vós para o reino de Deus.”

Mt 21, 31

 


Por uma curiosa coincidência escutamos a parábola dos dois filhos a quem o pai pede para irem trabalhar para a vinha, em dia de eleições autárquicas no nosso país. Coincidência, pois a escolha livre dos autarcas corresponde à nossa confiança nas suas palavras, assim como o pai confiou nas respostas dos filhos. Promessas, projetos, cartazes e comícios: eis o material que servirá para avaliar o que os eleitos realizarão pois, como diz o povo, “pela boca morre o peixe”! E, na proximidade entre eleitores e elegíveis, a coerência entre o dizer e o fazer é uma exigência que estará sempre presente.

Do dizer ao fazer vai um caminho difícil. Porque todo o “sim” implica um ou vários “nãos”. E quanto mais importante é o “sim”, maiores serão os obstáculos a enfrentar. Mas aprendemos também com os erros ou más escolhas, e é possível mudar. Assim nos relata a parábola em que os dois filhos não fizeram o que tinham dito ao pai. O que disse “não” acabou por ir para a vinha e o que disse “sim” não pôs lá os pés.

A parábola começa por ser desconcertante para os príncipes dos sacerdotes e os anciãos do povo: se aquele pai era Deus, porquê falar de dois filhos, se o único filho de Deus é Israel, o seu povo eleito e fiel? Mas a provocação continua, pois, Jesus irá identificar Israel com o filho que disse “sim” e fez “não”! E o choque é ainda maior quando diz que os pecadores e as prostitutas irão à sua frente para o reino de Deus! A religião de palavras, ritos e sacrifícios tornara-se uma espécie de capa ou verniz que convencia os mais religiosos de estarem bem com Deus. Exaltavam os seus méritos e caiam na armadilha da comparação em julgarem-se melhores que os outros. Mas toda essa religiosidade não produzia frutos. Jesus encontra nos excluídos e nos últimos aqueles que realizam a vontade do Pai, que acolhem o Filho e mudam de vida. Não era Mateus um desses cobrador de impostos que tudo deixou para seguir Jesus?

Seria grande a tentação de imaginarmos que os cristãos seriam um “terceiro filho”, sempre coerente a dizer “sim” e a dar os frutos correspondentes. Ao olharmos para a história e para a realidade que vivemos, percebemos que não é assim. O terceiro filho é, de facto, Jesus, o pleno “sim” de Deus aos homens e dos homens a Deus! Em nós talvez coexistam os dois irmãos, e o nosso crescimento é feito da aprendizagem com os erros, e da coragem em mudar. Para que cada vez mais as palavras anunciem as ações, e aquilo que dizemos seja o que, verdadeiramente, queremos fazer!

 

 

À procura da Palavra, com o P. Vítor Gonçalves
Na Tua Palavra
Não nos separemos d’Ele!
por D. Nuno Brás
A OPINIÃO DE
António Bagão Félix
Na semana passada li uma entrevista com um candidato a deputado (cabeça-de-lista) pelo circulo eleitoral do Porto.
ver [+]

P. Manuel Barbosa, scj
Com “missão nas férias” não quero propor programas de férias missionárias, nem dizer que a missão está de férias.
ver [+]

Visite a página online
do Patriarcado de Lisboa
Galeria de Vídeos
Voz da Verdade
EDIÇÕES ANTERIORES