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“Com os braços bem abertos”
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Francisco lançou a campanha pelo acolhimento dos migrantes e refugiados. Na semana em que foi revelado o “Nobel da Teologia” o Papa garantiu que a esperança “não é virtude” para quem tem o “o estômago cheio”, apontou para o “olhar de Deus” e denunciou a “intolerância, discriminação e xenofobia” na Europa.

1. O Papa Francisco lançou uma campanha mundial da Cáritas - ‘Partilhar a Viagem’ -que visa promover o encontro e o acolhimento dos migrantes e dos refugiados. “O próprio Cristo pede-nos que acolhamos os nossos irmãos e irmãs migrantes e refugiados com os braços bem abertos”, recordou Francisco, durante a audiência geral que decorreu na passada quarta-feira, 27 de setembro, na praça de São Pedro, em Roma. O Papa desejou também que os católicos levem aos migrantes e refugiados “um abraço sincero, um abraço afetuoso, um abraço envolvente”. “A esperança é a virtude do pobre, do camponês, do trabalhador e do emigrante que se coloca a caminho, procurando um futuro melhor, bem como a de quem está aberto ao acolhimento, ao diálogo e ao conhecimento mútuo”, declarou.

Em Portugal, a promoção desta campanha de consciencialização será da responsabilidade da Cáritas Portuguesa que, através do seu presidente, Eugénio Fonseca, explicou que se pretende “inspirar as comunidades locais a estabelecer relações com refugiados e migrantes".

 

2. Continuando o ciclo de catequeses sobre a esperança cristã, o Papa Francisco garantiu que “não estamos sozinhos na luta contra o desespero. Jesus é capaz de vencer em nós tudo aquilo que se opõe ao bem. Se Deus está connosco, ninguém poderá roubar-nos aquela virtude de que temos necessidade para viver. Enfim, ninguém nos roubará a esperança”, afiançou Francisco, durante a audiência geral da última quarta-feira, em Roma. Falando depois nos “inimigos da esperança”, o Papa advertiu para ter sempre presente que “ter tudo da vida é um infortúnio”. “A esperança não é virtude para pessoas com o estômago cheio. Ter uma alma vazia é o pior obstáculo à esperança”, alertou.

No seu discurso, o Pontífice referiu também que “a esperança é o impulso no coração de quem parte deixando a casa, a terra, às vezes até familiares e parentes, para buscar uma vida melhor, mais digna para si e para os próprios familiares”, mas é igualmente “o impulso no coração de quem acolhe, o desejo de encontrar-se, de conhecer-se, de dialogar”. Numa alusão à campanha mundial ‘Partilhar a Viagem’, Francisco exortou os presentes para não terem de “compartilhar a esperança” e apontou a “alma vazia” como “o pior obstáculo à esperança”.

 

3. O Vaticano anunciou que o Prémio Ratzinger vai ser entregue ao compositor estónio Arvo Pärt. A sétima edição do prémio que é considerado o “Nobel da Teologia” premeia o membro do Conselho Pontifício da Cultura, da Santa Sé, desde 2011 e compositor da peça musical “Os três pastorinhos de Fátima” (Drei Hirtenkinder aus Fátima), que se estreou em Portugal, em fevereiro de 2015, por ocasião do Centenário das Aparições. A Fundação Joseph Ratzinger-Bento XVI explica, em comunicado, que o prémio é atribuído fora do âmbito “estritamente teológico”, pela “inspiração altamente religiosa da arte musical de Pärt”, tendo em consideração o “apreço” do Papa emérito pela música. A entrega do prémio será feita pelo Papa Francisco, no próximo dia 18 de novembro.

Os outros dois vencedores da edição de 2017 são Theodor Dieter (nascido em 1951), teólogo luterano da Alemanha que se distinguiu no diálogo ecuménico com a Igreja Católica, e o padre alemão Karl-Heinz Menke (nascido em 1950), professor emérito de Teologia Dogmática em Bona e especialista no estudo do pensamento de Joseph Ratzinger, que integra a Comissão Teológica Internacional, desde 2014.

 

4. O Papa Francisco desafiou os cristãos a terem um olhar de misericórdia, em coerência com a fé que professam em Deus, que “não exclui ninguém”. No Domingo, dia 24 de setembro, Francisco apresentou o olhar de Deus como “pleno de atenção, de benevolência”. “É um olhar que chama, que convida a levantar-se, a pôr-se a caminho, porque quer a vida para cada um de nós, quer uma vida plena, comprometida, salva do vazio e da inércia. Deus não exclui ninguém e quer que todos cheguem à sua plenitude”, garantiu o Papa, antes da recitação do Angelus, precisamente no dia em que foi divulgado um documento de clérigos e académicos católicos com fortes críticas ao atual pontificado, o Papa Francisco

Perante os fiéis que estavam na Praça de São Pedro, o Papa observou que os pensamentos humanos são muitas vezes marcados pelo “egoísmo”, em contraponto ao que foi ensinado por Jesus Cristo. “Ele usa a misericórdia, não se esqueçam disto, Ele usa a misericórdia, perdoa largamente, é pleno de generosidade e de bondade que oferece a cada um de nós, abre a todos os territórios sem fronteira do seu humano e da sua graça”, acrescentou.

 

5. O Papa alertou para os sinais de “intolerância, discriminação e xenofobia que se encontram em várias regiões” da Europa. “Preocupa-me ainda mais a triste constatação de que as nossas comunidades católicas na Europa não estão isentas de culpa nestas reações de defesa e rejeição”, acrescentou Francisco durante a receção dos responsáveis pela pastoral dos migrantes e refugiados que integram o Conselho das Conferências Episcopais da Europa (CCEE), na passada sexta-feira, 22 de setembro. Na mesma ocasião o Papa  também elogiou a atuação das comunidades católicas que se empenharam na ajuda aos migrantes e refugiados que “batem à porta” da Europa, num momento em que a chegada “em massa” destas populações colocou em crise as atuais políticas migratórias. O Pontífice entende que o “desagrado” manifestado nalguns sectores da sociedade europeia mostra os “limites do processo de unificação” do continente, os “muros” contra os quais se insurge um “humanismo integral”.

Aura Miguel, jornalista da Renascença, à conversa com Filipe Teixeira
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