Editorial |
P. Nuno Rosário Fernandes
Tem wi-fi?
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Há uma pergunta que frequentemente se ouve fazer quando vamos a qualquer restaurante. Não é a primeira preocupação na chegada ao atendimento, mas é uma pergunta habitual: “tem wi-fi?” Ou seja, está disponível uma rede internet sem fios, de preferência gratuita, para aceder com o dispositivo móvel ao mundo que me rodeia lá fora?

Alguns estudos vieram colocar a questão sobre a possibilidade das redes sociais tornarem-se uma adição, isto é, um novo vício. Em consequência surgem atitudes e comportamentos que bem poderiam manifestar a ‘doença’. A estes agregam-se novas caracterizações e até novas palavras e definições.

Recentemente fiquei a conhecer uma ‘nova’ palavra que surge de um novo comportamento que, cada vez mais, se vai acentuando nesta época em que vivemos. Embora a origem da palavra remonte ao ano 2012, o seu significado tem vindo a tornar-se cada vez mais presente e actual.

Phubbing, é uma palavra que, para quem não conhece línguas, podemos transliterar por ‘fabbing’ e surge a partir das palavras ‘snubbing’ (esnobar) e phone (telefone).

Phubbing é, segundo a wikipedia, “o ato de ignorar alguém usando como desculpa, um telefonema, mensagem ou outros gestos através de um smartphone”. E frequentemente vemos esta atitude! Seja na rua, nos muitos rostos escondidos que caminhando se concentram na mensagem recebida; no ‘postar’ da última foto na rede social; na resposta ao comentário feito sobre a fotografia das férias ou do desabafo emocional que se tornou público; na procura online do mais recente amigo conhecido em qualquer circunstância; ou nas fotografias que se vão assinalando com um ‘gosto’, etc.

Tantas vezes no café ou no restaurante, no partilhar de uma refeição, que normalmente é lugar de encontro, de negócios, de confidências, de partilha de vida, de conhecimento mútuo, ou simplesmente de convívio, o gesto mais comum é o de teclar ou de fazer deslizar com os dedos ecrãs seguidos de tudo e de nada. Perdem-se, assim, oportunidades da verdadeira comunicação.

Por mais do que uma vez, no restaurante, assisti àquele casal sentado na mesa a meu lado, a partilhar longos momentos de silêncio. Não porque se encontrasse em tempo de meditação, mas porque simplesmente, enquanto um ia deslizando pelo ecrã do smartphone, o outro, entre garfadas, respondia a qualquer mensagem que chegava. Este é um cenário que não será desconhecido, mas é reflexo de uma sociedade que cada vez mais se fecha em si própria e tem dificuldade de viver em comunidade e comunicar. A verdadeira comunicação precisa do diálogo, da resposta do interlocutor, das expressões, dos gestos, das gargalhadas ou dos choros, dos debates ou apenas da escuta, e quando não há interlocutor direto ou o ignoro porque estou no meu mundo virtual poderei apenas estar a comunicar num vazio, num desconhecido, e perder a oportunidade de conhecer e de amar.

Editorial, pelo P. Nuno Rosário Fernandes, diretor
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