Missão |
Ana Gabriela, Jovens sem Fronteiras
“Misericórdia é amar o outro sem limites!”
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Ana Gabriela nasceu a 29 de julho de 1990 e é natural da freguesia de Pousa, em Barcelos. É licenciada e mestre em Engenharia e Gestão Industrial pela Universidade do Minho. Faz parte dos Jovens Sem Fronteiras e, este ano, esteve em missão por um mês em Cabo Verde.


Saber estar e ajudar o próximo

Entre o 5º e o 12º ano estudou no Colégio La Salle, em Barcelos. “Um colégio católico, onde descobri a minha fé e apreendi os valores importantes para caminhar ao encontro de Deus. Das experiências que mais me marcaram e me definem como pessoa foram os grupos cristãos, porque, para além do desenvolvimento de temas sociais, tinha a componente de voluntariado que me ensinou a saber estar e a ajudar o próximo”, conta. Estudou depois na Universidade do Minho, no curso de Mestrado Integrado de Engenharia e Gestão Industrial, entre 2008 e 2013. No ano que terminou os estudos, estagiou na empresa Bosch Car Multimedia, onde trabalha atualmente como team leader na área de receção de matéria-prima.

 

Uma caminhada intensa nos Jovens Sem Fronteiras

Fez o percurso completo na catequese e, aos 16 anos, começou a ser catequista na sua paróquia (Areias de Vilar), missão que continua a desempenhar. Em 2012 nasceu, na sua freguesia, o Grupo de Jovens Audazes, do qual é membro e, em fevereiro de 2014, o grupo passou a pertencer ao movimento dos Jovens Sem Fronteiras (JSF). “Nos três anos que estou no movimento, a caminhada já começa a ser intensa. As atividades que participei são diversas: passagens da vela, retiros quaresmais, encontro nacional, encontro inter-regional, semana missionária, Jornadas Mundiais da Juventude e projeto Ponte”, descreve. No verão de 2015 fez a sua primeira semana missionária, em Viana do Castelo, e diz-nos que “não existem palavras que transcrevam o que senti ou vivi, talvez amor de Deus. A experiência de estar com grupo de pessoas dos vários cantos do país, que não se conhecem mas têm uma missão de evangelizar e trabalhar na comunidade é muito gratificante”. Em julho de 2016 participou nas Jornadas Mundiais da Juventude, na Polónia, com os JSF. “Foi das experiências mais difíceis, em termos físicos (a viagem de autocarro, vários quilómetros realizados diariamente a pé, o transporte das malas…), saber confiar nas pessoas que nos acolheram sem as conhecer, a dificuldade da língua, a cultura e costumes diferentes, mas todas superadas pela imensidão de sentimentos e amor que recebi por parte daqueles que me cruzei nesta caminhada. As jornadas tinham como tema ‘Bem-aventurados os misericordiosos, porque eles alcançarão misericórdia’. Descobri o seu significado quando todos os dias a família que me acolheu agradecia a Deus por estar com eles, a alegria e amor que sentia, mesmo com todas as diferenças culturais e barreiras linguísticas. Misericórdia é amar o outro sem limites e confiar que Deus está presente em cada um de nós. O Papa Francisco no decorrer das jornadas disse: ‘Lançai-nos, Senhor, na aventura de construir pontes e derrubar muros … Enviai-nos a partilhar o vosso Amor Misericordioso’. Quando ouvi estas palavras confirmei o que já sentia que o próximo passo do caminho é partir em projeto Ponte, pois confio em Deus e no que Ele quer para mim”, refere Ana Gabriela.

 

“A missão é partir, voltar e voltar a partir”

Em agosto de 2017 participou no projeto Ponte, do qual nos fala na primeira pessoa: “Este projeto é uma colaboração entre os Espiritanos, a Associação Sol Sem Fronteiras e os Jovens Sem Fronteiras. O projeto Ponte deste ano foi realizado em Cabo Verde, ilha de Santiago na paróquia de Calheta de São Miguel, entre os dias 29 de julho e 30 de agosto. Participaram 10 jovens, acompanhados por um padre espiritano. A paróquia é constituída por várias comunidades e nós desenvolvemos principalmente as atividades em 6 delas: Principal, Achada do Monte, Achada Laje, Flamengos, São Miguel e Calheta. As atividades desenvolvidas abrangeram todas as faixas etárias: crianças, jovens e adultos. As formações eram diversificadas: atividade de tempos livre, infância missionária, coro, órgão, informática, cuidados básicos de saúde, doutrina social da igreja, entre outros”, explica.

No seu diário de bordo foi escrevendo um pouco o que sentia. A 29 de julho dizia que o seu dia começava com “um misto de felicidade e ansiedade, quando o relógio marca as 0 horas e o grupo se reúne para celebrar o dom da vida. É o meu dia de anos”, lembra Ana. “Na garagem onde preparamos as malas para a viagem recebo um grande abraço de todos, os sentimentos são tantos que não é possível descrever, o coração está acelerado a partida está próxima e o desejo de ir é tão grande que sufoca”, recorda. A três de agosto dizia que “é deslumbrante a atenção com que as crianças ouvem o nosso testemunho e questionam. Para ser missionário o primeiro passo é saber estar com o outro. (…) Sente-se uma felicidade, alegria, liberdade muito característica de criança, onde não temos barreiras, sentimos que o mundo tem todas as possibilidades”. A 18 de agosto escreve que “a partilha das diferentes realidades culturais foi muito sincera, senti que o povo cabo-verdiano são cristãos mais ativos, felizes e com uma fé viva. (…) Naquele momento percebi que a Igreja é onde estão as pessoas, sente-se uma paz e comunhão no ar, o céu é o nosso teto, nós as pedra vivas da igreja…”, descreve. No dia da partida, partilha: “Hoje é o dia da partida, uma energia inigualável, uma felicidade que transcende as barreiras do coração é amor. Para amar basta um olhar, um suspiro, um bater do coração. Quando regressava para casa, a cada passo que dava na direção contrária aquela ilha o coração transbordava de felicidade e ao mesmo encolhia com as saudades que sentia, era uma tristeza alegre. A ilha de Cabo Verde é ser, viver e partilhar a linguagem do amor”, escreveu Ana Gabriela. Hoje, já regressada e ainda a ecoar a missão, diz-nos que “a missão é partir, voltar e voltar a partir… quando descobrimos um lugar onde somos felizes e amados, onde estamos em casa, o desejo de volta é imenso. Mas a missão é saber voltar e dar testemunho do que vivemos e sentimos para podermos mudar coração a coração, para que possamos ser mais próximos do outro e viver numa sociedade onde o mais importante é o outro.”

texto por Catarina António, FEC | Fundação Fé e Cooperação
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