Domingo |
À procura da Palavra
O que não é de Deus?
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DOMINGO XXIX COMUM Ano A

“Dai a César o que é de César

e a Deus o que é de Deus.”

Mt. 22, 21

A armadilha fora bem planeada. Era preciso apanhar com o pé em falso aquele rabi que arrastava multidões. E ia ser ali, no próprio templo onde Jesus estava a pregar. Até se juntaram grupos rivais contra o mesmo inimigo a abater: os fariseus, que consideravam pecado apoiar a dominação romana, e os herodianos, que apoiavam Herodes, um fantoche do imperador Tibério. E como sempre tinha de andar metido o dinheiro, expressão de poder e domínio, que fatalmente exalta uns poucos, e explora e oprime muitos.

 

Não havia escapatória: ser contra ou a favor de pagar tributo a César tinha consequências fatais. A primeira acarretaria uma condenação pelo poder romano, a segunda obteria a antipatia e rejeição do povo. Quem alguma vez gostou de pagar impostos? E este tributo de um denário por ano, ordenado pelo imperador de Roma aos homens a partir dos catorze anos, e às mulheres a partir dos doze, até aos sessenta e cinco, era agradável para alguém? Para a administração romana, a cobrança dos impostos estava na origem dos frequentes recenseamentos que decretava. Um denário correspondia a um dia de trabalho, e era uma moeda corrente. Tinha gravada a efígie do imperador numa face e a inscrição: “Tibério César, filho augusto do divino Augusto”, e na outra, o título “Sumo Pontífice”.

 

A divinização do imperador estava gravada na moeda. Mostrá-la no templo, como Jesus os leva a fazer, era profanar a santidade daquele lugar. Contudo também no templo se cunhava moeda própria para comprar os animais dos sacrifícios, que era preciso adquirir! Daí a enorme quantidade de cambistas aí existente. Onde o dinheiro se idolatra haverá sempre hipocrisia! No fundo, o que é de César, que não pertença a Deus?  Mesmo o dinheiro, que cria a soberba de reis e imperadores, presumindo-se divinos e acima dos outros, não tem em vista a construção de uma sociedade mais justa? A verdadeira armadilha é a ilusão de que tudo se pode comprar: a vida, a felicidade, o próprio Deus. Mais do que todas as coisas, o que pertence a Deus é o dom da vida, e a vida dos seus filhos.

 

O ser humano, criado à imagem e semelhança de Deus (cf. Gn 1, 27), deve ser-Lhe “devolvido”. Quer dizer, não pode ser escravizado, oprimido, explorado, espezinhado, usado como objecto. Assim, todo o poder que não reconheça e promova a dignidade humana, desejará sempre expulsar Deus dos seus domínios. E criará ídolos sedutores e inebriantes: o consumo viciante; o prazer egoísta; a riqueza anestesiante; a vaidade efémera; a autosuficiência arrogante; e tudo o que possa ser comprado! Ainda que muitas vezes nos desfiguremos, nunca deixaremos de ser de Deus. Identificados com Jesus, que se identificou connosco, o Pai ama-nos como filhos e filhas. Só vê a beleza que plasmou em nós! A beleza que é muito mais do que uma efígie numa moeda, e nenhuma maldade poderá apagar!

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