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Papa solidário com as vítimas dos incêndios em Portugal
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O Papa Francisco enviou uma mensagem pelos incêndios no nosso país. Na semana em que falou da morte e da ressurreição, o Papa visitou a sede da Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO), convocou um sínodo especial para a região da Amazónia e denunciou as perseguições contra os cristãos das Igrejas do Oriente. 

 

1. O Papa Francisco enviou uma mensagem ao Cardeal-Patriarca de Lisboa, D. Manuel Clemente, por ocasião dos incêndios em Portugal. Através do Secretário de Estado do Vaticano, Cardeal Parolin, o Santo Padre garante “preces” pelos “atingidos pela tragédia” e anima “instituições e pessoas de boa vontade a prestarem nestes momentos difíceis uma ajuda eficaz com espírito generoso e fraterno”. “Profundamente adolorado pelas dramáticas consequências dos incêndios destes dias no centro-norte de Portugal, Santo Padre assegura sufrágios pelo eterno descanso dos falecidos e eleva preces ao Senhor pedindo que console os atingidos pela tragédia nos seus afetos e nos seus bens e inspire em todos sentimentos de esperança e solidariedade para superar a adversidade, ao mesmo tempo que anima instituições e pessoas de boa vontade a prestarem nestes momentos difíceis uma ajuda eficaz com espírito generoso e fraterno, Sua Santidade Papa Francisco pede aos pastores das várias dioceses envolvidas na tragédia que transmitam seus sentidos pêsames aos familiares dos defuntos e expressem aos feridos e desalojados sua solicitude e unidade espiritual em penhor do que lhes concede uma consoladora Bênção Apostólica”, refere a mensagem, com data de quarta-feira, dia 18 de outubro.

 

2. O Papa Francisco considerou que a sociedade deve assumir a questão da morte com um “são realismo” que evita o “delírio da omnipotência”. “Quando a morte chega, para aqueles que nos rodeiam ou para nós mesmos, encontramo-nos impreparados, desprovidos de um ‘alfabeto’ adequado para esboçar palavras de sentido em torno do seu mistério, que ainda permanece”, referiu, no início da audiência-geral de quarta-feira, 18 de outubro. Numa catequese dedicada à esperança na ressurreição, perante milhares de pessoas na Praça de São Pedro, o Papa falou da morte como uma “cicatriz” que deturpa o “desígnio de amor de Deus” e que Jesus veio “curar”, com a ressurreição. “Só a fé pode mudar a vida terrena de um fim absurdo para um início glorioso para a vida eterna”, defendeu. “Nós, que estamos aqui, na Praça, acreditamos nisto?”, questionou. “Convido cada um a fechar os olhos, a pensar no momento da nossa morte, que cada um pense na sua própria morte e se imagine naquele momento, que vai acontecer, em que Jesus nos pegará na mão e nos dirá: ‘Vem, vem comigo, levanta-te’. Ali acabará a esperança e estará a realidade, a realidade da vida. Pensem bem: o próprio Jesus virá ter com cada um de nós e vai pegar-nos pela mão, com a sua ternura, a sua mansidão, o seu amor”, assegurou.

Nesta audiência pública, Francisco condenou ainda o “deplorável atentado na Somália”, que causou mais de 300 mortos, entre os quais de diversas crianças.

 

3. O Papa voltou a alertar para os efeitos que as alterações climáticas estão a ter no drama da fome e criticou a “avidez do lucro” que já levou alguns a darem passos atrás nesta matéria. Foi no passado dia 16 de outubro, Dia Mundial da Alimentação, quando Francisco visitou a sede da Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO), em Roma. “Vemos as consequências das mudanças climáticas todos os dias. Graças aos conhecimentos científicos, sabemos como se devem enfrentar os problemas e a comunidade internacional tem elaborado também os instrumentos jurídicos necessários, como, por exemplo, o Acordo de Paris, do qual, infelizmente, alguns se estão a afastar”, afirmou o Papa, no que pode ser entendido como uma a alusão aos Estados Unidos. O Acordo de Paris, assinado durante a Conferência do Clima que decorreu na capital francesa, em 2015, estabeleceu a importância da adoção de modelos económicos que reduzam as emissões poluentes que são responsáveis pelo aquecimento global e pelas alterações climáticas.

“Reaparece a negligência perante os delicados equilíbrios dos ecossistemas e a presunção de manipular e controlar os recursos limitados do planeta”, afirmou o Papa, lembrando que os efeitos mais trágicos dessas decisões de alguns continuarão a recair “sobre as pessoas mais pobres e indefesas”.

“É urgente encontrar novos caminhos”, disse Francisco, lembrando que a fome que atinge muitos locais do mundo também não acabará enquanto houver guerra.

 

4. O Papa Francisco quer que a Igreja descubra novas formas de evangelizar os índios da Amazónia e reflita sobre os desafios ambientais que afetam aquela região do planeta. Para o efeito, convocou, no passado Domingo, 15 de outubro, após a oração dos Angelus, uma assembleia especial do sínodo dos bispos para a região da pan-Amazónia, que terá lugar em outubro de 2019. “O objetivo principal desta convocatória é discernir novos caminhos para a evangelização desta porção do povo de Deus, sobretudo os indígenas, frequentemente esquecidos e sem perspetivas de um futuro sereno, bem como as causas da crise da floresta amazónica, pulmão da maior importância para o nosso planeta”, revelou Francisco.

O Papa explicou que a iniciativa é uma resposta aos pedidos de algumas conferências episcopais da América Latina, “bem como vozes de diversos pastores e fiéis de outras partes do mundo” e pediu a intercessão dos novos santos, canonizados numa Missa que antecedeu a oração do Angelus, incluindo vários que foram martirizados no Brasil. Entre os novos santos incluiu-se o padre português Ambrósio Francisco Ferro, morto por soldados holandeses que perseguiam católicos.

 

5. O Papa Francisco presidiu a uma Missa de celebração do centenário da Congregação para as Igrejas Orientais Católicas, na Basílica de Santa Maria Maior, em Roma, voltando a chamar a atenção para a perseguição feita aos cristãos das Igrejas do Oriente. “Vemos tantos dos nossos irmãos e irmãs cristãos das Igrejas orientais a sofrer perseguições dramáticas e uma diáspora cada vez mais inquietante”, lamentou Francisco, no passado dia 12 de outubro, sublinhando a importância da “coragem da fé”, em particular nos momentos de dúvida, com a confiança de que Deus “escuta”.

Aura Miguel, jornalista da Renascença, à conversa com Diogo Paiva Brandão
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