Missão |
Ana Sofia Costa e Sérgio Cabral
“Habitar um lugar num lugar que já nos habitava”
<<
1/
>>
Imagem

Ana Sofia Costa nasceu a 4 de setembro de 1991, em Braga e é natural da freguesia de Mire de Tibães. Sérgio Cabral nasceu a 13 de setembro de 1979 em Oliveira de Azeméis. Em 2012 conheceram-se numas Férias Missionárias dos Leigos Boa Nova (LBN), em Miranda do Corvo. Casaram em agosto de 2016, em Braga, e em Outubro partiram juntos para Moçambique onde estiveram em missão até Julho de 2017.

 

O sonho missionário de Ana Sofia

Ana Sofia concluiu o ensino secundário em Braga. Licenciou-se em Serviço Social, na Universidade Católica Portuguesa, no Centro Regional de Braga e é mestre em Gestão de Recursos Humanos pela Universidade do Minho (Escola de Economia e Gestão). “Durante estes anos frequentei também diversas formações em diversas áreas do conhecimento (economia, social, geriatria…) ”, partilha. Para Ana Sofia, a família é “o grande marco” na sua vida e a sua referência. Optou por se licenciar em Serviço Social “por acreditar que todas as pessoas têm direito à dignidade e acesso a melhores condições de vida. Gosto de pessoas e gosto que as pessoas se sintam bem no local de trabalho onde passam grande parte dos seus dias. Para além de ajudar os meus pais em casa (eles são comerciantes de vinhos, fazem distribuição porta-a-porta). É um negócio familiar, onde desde pequenina aprendi a dar valor ao trabalho, porque todos em casa somos responsáveis, direta ou indiretamente, por garantir o sucesso do negócio. Também, desde os meus 10 anos de idade, que vi a minha mãe sempre preocupada com o bem-estar dos outros. A minha mãe faz parte de um grupo de mulheres chamado “Mulheres em Movimento”, que com muito esforço, muitas horas longe das famílias, conseguiram como objetivo final a construção de um lar de idosos na freguesia. Eu cresci a fazer companhia e a participar em diversas atividades de angariação de fundos com a minha mãe e outras mulheres”, partilha. A sua família é católica e cresceu com esses valores. Quando se preparava para o Crisma, conheceu o padre João Torres, “que foi e é uma referência para mim, uma pessoa pela qual tenho muita consideração. Com o testemunho missionário dele (ele esteve dois anos em missão em Ocua, na diocese de Pemba) cresceu em mim a vontade de um dia ser como ele e o tempo foi passando”, diz-nos. Em 2012 entrou em contacto com os LBN por querer ter “essa experiência missionária”, frequentou a formação da FEC – Fundação Fé e Cooperação e dos LBN e em 2013 partiu para Pemba onde esteve um mês “numa experiência gratificante e com a certeza que no futuro iria voltar”. Regressou à missão em 2016, já casada com o Sérgio. “Passámos lá o nosso primeiro ano de casados, praticamente”, diz.

 

A certeza de querer ser missionário do Sérgio

Sérgio nasceu “no seio de uma família católica que desde cedo me ensinou a dar os primeiros passos na fé”. É licenciado e mestre em Teologia pela Universidade Católica do Porto. É também mestre em Ciências Religiosas, com especialização em Educação Moral e Religiosa Católica, pela Universidade Católica de Braga. Para Sérgio, a sua vida “está balizada por marcos muito importantes que, de alguma forma, foram burilando a minha vida”. Em 1991 entrou no seminário das Missões de Cernache do Bonjardim (Missionários da Boa Nova) onde frequentou quase todos os anos do ensino básico e secundário. “Ao longo destes anos fui refletindo na minha vocação e foi-se consolidando a certeza de que queria ser missionário. Por isso, continuei no seminário (desta vez em Valadares) e ingressei na Licenciatura em Teologia, na Universidade Católica do Porto. Nessa altura, sentia que o meu rumo estava “mais ou menos” decidido, que era ser padre dos Missionários da Boa Nova. No entanto, a possibilidade do matrimónio nunca esteve excluída. Lá no fundo, essa “janela” esteve sempre aberta, mesmo que eu por vezes a quisesse fechar. O estágio missionário que realizei entre 2001 e 2002, justamente em Pemba (Moçambique) ajudou-me a esclarecer a forma de como deveria ser missionário. Inserido numa realidade tão diferente, descobri-me mais cruamente e profundamente. Percebi que deveria ser missionário leigo, no “interior” da vida quotidiana das pessoas e que deveria optar pelo matrimónio, por essa janela”, partilha. Entrou nos Leigos Boa Nova em 2003 onde ainda hoje permanece. “Neste trajeto aprendi muito com os vários membros do grupo e colaborei em alguns projetos de Educação para o Desenvolvimento e principalmente na área da formação”, diz. Em 2005, 2010 e 2013 regressou a Pemba em missões de curta duração. Em 2012 Sérgio e Ana Sofia conheceram-se numas Férias Missionárias, aproximaram-se e, como nos dizem, “o amor foi crescendo e começámos a namorar”.

 

Missão em Moçambique

“Em 27 de agosto de 2016 casámo-nos na Igreja do Mosteiro de Tibães, numa celebração presidida pelo D. António Couto, bispo de Lamego, que foi meu reitor no seminário de Valadares e meu professor da Universidade Católica. Na “lua-de-mel” fomos a Roma onde participámos na audiência geral do Papa Francisco (dia 31 de agosto) no lugar dos “sposi novelli”. No final da audiência o Papa passou por nós, apertou-nos a mão, abençoou-nos. Sentimo-nos mais preparados, mais entusiasmados para a missão que Deus nos confiou e continua a confiar-nos. No dia 5 de outubro partimos para Pemba e aí permanecemos até ao passado dia 15 de julho de 2017. Considerámos que o nosso primeiro ano de casamento era o tempo propício para regressarmos, por mais tempo, a esta terra. E lá estivemos a habitar um lugar num lugar que já nos habitava. O nosso objetivo foi, simplesmente, reforçar o trabalho que está a ser feito quer na paróquia Maria Auxiliadora (confiada aos Missionários da Boa Nova), quer na diocese de Pemba. Na paróquia, colaborámos essencialmente na formação de lideranças (catequistas, animadores das comunidades, comissões paroquiais, etc.) e na Ajuda Fraterna (Caritas Paroquial), cujo principal objetivo é ajudar os “pobres dos pobres”, principalmente nas suas necessidades ao nível do acesso à saúde, educação e emprego. Na diocese, a nossa colaboração centrou-se na elaboração e acompanhamento de projetos dependentes de ajuda externa, em várias áreas (reconstrução de infraestruturas, educação, saúde, etc.), na assessoria à direção do colégio Dom Bosco, no que se refere às áreas pedagógica e pastoral, na lecionação de Português de iniciação para um pequeno grupo de missionários senegaleses que, entretanto, já iniciaram o seu trabalho missionário na Missão de São Luís de Monfort de Mesa (perto de Montepuez), e em outros trabalhos pontuais solicitados quer pelo Bispo Dom Luiz Fernando Lisboa, quer pelo padre Ricardo Marques, pároco da Paróquia Maria Auxiliadora. Durante este tempo de missão tivemos oportunidade de colaborar, também, com a paróquia de Ocua, que está sob a responsabilidade da Diocese de Braga, no domínio da formação de lideranças (catequistas e animadores) ”, partilham. “Agora, que estamos de regresso a Portugal, depois de umas semanas de reencontros com família e amigos, tivemos mais uma mudança na nossa vida. Uma vez que o Sérgio trabalha em Amarante, viemos viver para mais perto do local de trabalho dele. Com alguns percalços à mistura, fixamos a nossa residência no Marco de Canaveses (freguesia de Santo Isidoro), e por cá espero arranjar um trabalho”, conclui Ana Sofia.

texto por Catarina António, FEC | Fundação Fé e Cooperação
A OPINIÃO DE
Padre Fernando Sampaio
Nenhum pecador pode permanecer na presença de Deus. O Profeta Isaías, depois da visão de Deus, sentiu-se...
ver [+]

Maria José Vilaça
Vivemos estes últimos meses marcados por várias notícias que merecem alguma reflexão. Desde as eleições...
ver [+]

Visite a página online
do Patriarcado de Lisboa
Galeria de Vídeos
Voz da Verdade
EDIÇÕES ANTERIORES