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Egipto: Padre copta assassinado à facada numa rua do Cairo
Indiferença que mata
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Estava na cidade do Cairo, a capital do Egipto, para recolher ajuda humanitária para os pobres da sua paróquia, quando foi esfaqueado em plena rua durante o dia. No entanto, ninguém fez nada para o ajudar. Esvaiu-se perante a indiferença dos que passavam. Era apenas um padre cristão. Aconteceu na semana passada…


Aconteceu na semana passada, na quinta-feira, o mesmo dia em que a Fundação AIS apresentou em diversas capitais europeias – incluindo Lisboa – o mais recente relatório sobre a perseguição aos Cristãos no mundo. O Padre Samaan Shehata estava a caminhar na rua, sozinho, quando um homem se aproximou e, armado com uma faca, desferiu diversos golpes que prostraram por terra o sacerdote. Não aconteceu num lugar isolado, remoto. Não. O Cairo é a maior cidade do Egipto, a maior cidade do mundo árabe e, calcula-se, a maior cidade de África. No entanto, ali, naquele momento, naquele instante, na quinta-feira da semana passada, não houve ninguém que tivesse parado por um instante sequer para ajudar aquele homem que jazia no chão, esvaindo-se em sangue. Ninguém. Talvez por ser padre, talvez por ser cristão. A indiferença de todos os que passaram pela rua e não estenderam a mão junto daquele moribundo parece ferir mais ainda do que os golpes de faca que acabariam por tirar a vida ao Padre Samaan.

 

Assassino libertado

Não foram só as pessoas que passaram por ali que se desinteressaram por aquele homem, aquele padre copta que morria naquela rua da movimentada cidade de Cairo. Também o socorro demorou a aparecer. Demoraram mais de uma hora a aparecer e pouco ou nada fizeram, quando chegaram, para o reanimar. Os polícias foram mais rápidos, é verdade, e até conseguiram deter o homem que esfaqueou o sacerdote. Mas não o prenderam. Os agentes da autoridade consideraram-no mentalmente doente e, por isso, libertaram-no. Ninguém avaliou o seu estado. Nem médicos, nem psicólogos. Ninguém. Nem foi sequer presente a um juiz. Foi libertado ali mesmo, mandado em paz, de regresso a casa, de regresso à sua vida. Apesar de ter esfaqueado, por diversas vezes, um homem à frente de todos. Eventualmente, para os agentes da autoridade que não o prenderam, aquele homem que jazia no chão, esvaindo-se em sangue, não mereceria, de facto, qualquer consideração especial. Afinal, era apenas um padre cristão.

 

Ser cristão no Egipto

O Padre Samaan Shehata morreu já no hospital, depois de ninguém lhe ter prestado socorro durante mais de 60 minutos. Morreu no mesmo dia, sensivelmente até à mesma hora em que a Fundação AIS apresentava em Lisboa, e nos outros secretariados internacionais, o mais recente relatório sobre a perseguição aos Cristãos no mundo. Nem de propósito: um relatório que identifica o Egipto como um dos países em que a opressão aos Cristãos é considerada como “mais elevada”. O Padre Samaan foi assassinado por ser cristão. Apenas por isso. Nada mais. Para a polícia, tratou-se de um acto cometido por um louco. Por essa razão, o autor do crime foi absolvido de imediato. Para as pessoas que passavam pela rua onde o Padre Samaan foi assassinado, seria apenas um cristão. Apenas isso. Apenas isso explica como ninguém teve misericórdia, ninguém soube ser samaritano daquele homem em sofrimento. Durante mais de uma hora, ninguém se mexeu, ninguém se comoveu, ninguém fez nada. Para todos os que passavam, indiferentes ao corpo a sangrar de Samaan Shehata, a vida de um padre copta no Egipto parece não valer nada. Como se fosse uma maçada perder algum tempo por um cristão que estava a morrer.

 

Perseguição constante

Infelizmente, este é, apenas, o mais recente caso de um ataque deliberado contra a comunidade cristã. Os sangrentos atentados no Domingo de Ramos, em Abril, em duas igrejas no Egipto, provocaram cerca de meia centena de mortos. Foi um ataque com um alvo bem determinado. Um mês depois, em Maio, terroristas atacaram um grupo de cristãos que se dirigiam em três autocarros, em peregrinação, para um mosteiro no deserto e obrigaram-nos a sair dos veículos. Os que se confessaram cristãos, mesmo com as armas apontadas às suas cabeças, foram assassinados de imediato. Nem as crianças escaparam. Mais uma vez, o alvo do ataque estava bem determinado. Também na região do Sinai os Cristãos têm vivido nos últimos meses tempos de violência, intolerância e maldade. A morte do Padre Samaan, há apenas uma semana, é só o mais recente episódio da profunda violência que tem atingido a comunidade cristã no Egipto. Provavelmente, poderá ser até o primeiro caso a ser identificado no próximo relatório da Fundação AIS sobre a perseguição aos Cristãos no mundo…  Este padre estava no Cairo apenas para pedir ajuda para os mais pobres da sua paróquia, da sua diocese. Foi morto à facada. Esvaiu-se perante a indiferença dos que passavam. Era, apenas, um padre cristão...

texto por Paulo Aido, Fundação Ajuda à Igreja que Sofre
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