Missão |
Ludimila Silva, dos Jovens Sem Fronteiras de Monte Abraão
A alegria de viver para servir
<<
1/
>>
Imagem

Ludimila Silva nasceu a 16 de julho de 1995, na Guiné Bissau. Em 2005 veio viver para Portugal. Está neste momento a frequentar a licenciatura em Marketing e Comunicação Empresarial e vive no Monte Abraão. Desde 2012 é membro dos Jovens Sem Fronteiras de Monte Abraão. Este ano esteve em missão em Cabo Verde.

 

“O tempo de férias mudou a minha vida!”

Conta-nos que a sua primeira experiência católica foi “naturalmente proporcionada pela catequese”. “Paralelo à vida estudantil, ali fui conhecendo e aprendendo uma nova realidade de vida. Todavia, no que dizia respeito à crença num Deus – contavam-nos os catequistas – que se encarnou, viveu entre nós, foi morto e ressuscitou ao terceiro dia, nunca me tinha encaixado. Apesar disso ou por causa disso, fiz a catequese até ao 10º catecismo (ora contra a minha vontade, ora por outras motivações), pensando, naturalmente, que até ali a ‘coisa’ estaria arrumada no seu sítio. Para a minha deceção, todo este percurso nada acrescentou à minha fé. Aliás, a vida trouxe-me muitas outras questões e dúvidas. Contanto, esta era a meta final. Na hora de arrumar as coisas para partir, surgiu a proposta do 10º catecismo ir a Taizé, para passar ali a semana maior dos cristãos (Semana Santa até ao Domingo de Páscoa). Acolhi com grande entusiasmo a proposta, porque – achava eu – seria basicamente para passar uns dias de férias com os meus colegas de catequese e conhecer novos lugares, um movimento cristão diferente, etc. No entanto, o suposto “tempo de férias” mudou a minha vida. Sem compreender o porquê e nem como, voltei mais completa, com interrogações e desafios concretos para a minha vida; sentia que a minha caminhada não podia ficar por ali; que faltava qualquer coisa”, conta. Em 2012 recebeu o Sacramento do Crisma e começou a colaborar na catequese e a participar em algumas atividades da paróquia e foi convidada – “precisamente no Dia Mundial das Missões” – para integrar os Jovens Sem Fronteiras.

 

“O impacto que marca a nossa vida”

Com a entrada nos Jovens Sem Fronteiras, deu continuidade à sua caminhada na fé “mas sobretudo – agora já com novos horizontes – redescobrir e aprender a abraçar os desafios que o Senhor me ia colocando.” Já participou em três semanas missionárias: em Vila Chã de Ourique, em Avelãs de Ambom (Guarda) e na Foz do Arelho. “A primeira Semana Missionária acaba por ser sempre a mais marcante, não por ser a melhor, mas sim, por aquele impacto que, ao limite, marca a nossa vida. E eu, agora olhando para trás, reconheço sinais de crescimento, graças a todas estas experiências: a nível pessoal, na relação, na fé e na alegria de viver para servir”, diz-nos. Em 2017, “essa alegria de viver para servir” levou-a até Calheta de São Miguel, em Cabo Verde, numa outra experiência missionária: o projeto Ponte. “Ponte é um projeto missionário dos jovens sem fronteiras em parceria com a Sol Sem Fronteiras, organização não-governamental para o Desenvolvimento”, esclarece.

 

“Regresso com uma vontade de dar-me mais!”

Sobre a experiência missionária em Cabo Verde, conta-nos na primeira pessoa: “O nosso dia começava com oração, mais precisamente, laudes e oração do Angelus, seguindo-se da eucaristia. No fim da primeira semana o Angelus marcou-me, porque ainda estávamos a adaptar-nos ao número de necessidade, face à ‘pouca mão-de-obra’ e, de facto “eis a escrava do Senhor, faça-se em mim segundo a Vossa palavra”, fez-me perceber que não estávamos só e que Deus havia de guiar-nos e, quando nos entregamos, nos fazemos escravos d’Ele, acabamos por ver os frutos e coisas maravilhosas podem acontecer: foi uma das conclusões que ficaram da ponte. No decorrer do dia tínhamos várias atividades, tais como, aulas de música (guitarra, piano e teoria musical); línguas (português e inglês); aulas de informática; encontros de jovens, encontros de família e encontro das viúvas, ATL, etc. As atividades que mais me marcaram foram o encontro das viúvas e os encontros de jovens. Na verdade, antes do encontro das viúvas, tinha receio, visto que não tenho namorado, não sou casada e, muito menos viúva, qual a melhor postura? Como é que poderia ajudar? Acabei por levar uma passagem bíblica e, através dessa passagem, elas aderiram tão bem, que até ficaram de se encontrar mais vezes. O facto de terem comunicado e aderido tanto, de terem tanta fé, mesmo com a sua perda, o modo como viviam Cristo transmitia vida, o que para mim foi surpreendente e, ao mesmo tempo, marcante… Quanto ao grupo de jovens, o que me surpreendeu, logo ao início, foi o facto de reunirem ao Domingo à tarde, uma vez que aqui não costuma acontecer, ou porque “é o dia da família”, ou porque há passeios, almoços, etc. Outro aspeto que me surpreendeu, foi o facto de terem tantas pessoas no grupo de jovens (cerca de 50) e o trabalho que exerciam em prol da paróquia. Quando estivemos na reunião estavam a tentar ver como poderiam melhorar a sua capela (por estar destruída, fisicamente) e, além disso, uma das frases que me ficou, foi: “Mesmo que a capela não tenha teto, bastam os muros, para que estejamos presentes”, o que me mostrou que tinham uma grande fé, que eram animados por Cristo, que queriam realmente estar presentes e também me mostraram que nem punham em questão a desistência, também devido à fé e Amor que transpareciam”.

Após o regresso, diz-nos que volta “de coração cheio, ao ver como as crianças, os jovens, os adultos e os idosos viviam a sua fé, regresso com novas aprendizagens, regresso com uma vontade de dar-me mais e, de levar aos outros tudo o que aquele povo simples e cheio de fé me ensinou”.  

texto por Catarina António, FEC | Fundação Fé e Cooperação
A OPINIÃO DE
José Luís Nunes Martins
Talvez ainda tenha oportunidade para me perguntar sobre o que andei a fazer durante tanto tempo. Por...
ver [+]

P. Manuel Barbosa, scj
Nestes tempos de pandemia têm surgido orientações e reflexões para a vida cristã em família, em comunidade,...
ver [+]

Visite a página online
do Patriarcado de Lisboa
Galeria de Vídeos
Voz da Verdade
EDIÇÕES ANTERIORES