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Regresso dos cristãos à Planície de Nínive
Os dias da fuga
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Foi um sobressalto. Na primeira semana de Agosto de 2014, os jihadistas chegaram às terras bíblicas da Planície de Nínive. Nesses dias de medo, mais de 120 mil cristãos foram forçados a fugir de suas casas, perdendo tudo o que tinham. Por mais anos que viva, Yohanna Yousif nunca irá esquecer esses momentos de aflição.

 

Yohanna Yousif é cristão, professor, e sabe bem o que significa ter de fugir dos jihadistas no Iraque. Ter de fugir da barbárie. Em 2006 vivia em Mossul. Então, a região era atormentada pela Al Qaeda, os jihadistas que planearam a destruição das Torres Gémeas, em Nova Iorque. “Pediram-me o pagamento da ‘Jizya’, o imposto islâmico. Disseram que tinha de pagar 5 mil dólares. Se não o fizesse, matavam-me e raptavam os meus filhos.” Teve de fugir. Deixou Mossul e foi para Qaraqosh, na Planície de Nínive. Quando, em Agosto de 2014, os jihadistas, agora do auto-proclamado Estado Islâmico, chegaram a Qaraqosh, encontraram a cidade praticamente vazia. Ficar era o mesmo que assinar a sentença de morte. Yohanna Yousif ainda hoje estremece quando recorda as histórias, o sofrimento, a violência dos bárbaros que assaltaram a região naquelas semanas infernais. “Nós, os cristãos, fugimos antes que os jihadistas chegassem, pois sabíamos bem o que tinham feito aos Yazidis.”

 

Fuga em pânico

O que fizeram aos Yazidis e também a muitos cristãos terá de ser sempre lembrado como um dos momentos mais negros na história da Humanidade. Mulheres e crianças violadas, vendidas como escravas, homens mortos sem dó nem piedade. A sombra da violência que os jihadistas traziam consigo era tão forte, ecoava tanto na região que bastava que se anunciasse a chegada dos homens vestidos de negro para que as pessoas se precipitassem para a rua, fugindo em alvoroço, procurando apenas salvar as próprias vidas. Até os soldados curdos, os famosos peshmergas partiram em debandada quando, ao longe, nesses dias de Agosto, se começou a avistar a nuvem de pó que anunciava a caravana dos jihadistas. Foi o que aconteceu também com Yohanna. “Na noite de 6 para 7 de Agosto, vi como os peshmergas fugiram. Perguntei ao bispo o que estava a acontecer. Ele disse-me que não havia nada, mas, uma hora depois, chamou-me. Disse-me que estava tudo acabado e que tínhamos de fugir de Qaraqosh. Eram duas e meia da madrugada e eu não tinha carro. Fui falar com um vizinho que estava a dormir e disse-lhe que tínhamos de abandonar a cidade. Não levei nada comigo, nem os meus filhos. Deixei todos os documentos. Só levava uma camisa.” Nunca se saberá o número exacto de cristãos que fugiram naquela noite, naquelas horas. Calcula-se que cerca de 125 mil pessoas, na verdade cerca de 125 mil ‘Yohannas Yousif’ tenham atravessado o deserto em pânico, fugindo para salvar a própria vida. Foram todos para o Curdistão Iraquiano.

 

Regressar a casa

Chegaram exaustos. Eram todos refugiados no próprio país. Foi há precisamente três anos e três meses. Desde então, todos têm vivido apenas com o apoio de instituições como a Fundação AIS. É a generosidade dos Cristãos portugueses e de todo o mundo que tem permitido a Yohanna pagar a renda do quarto onde vive agora com os filhos, comprar os medicamentos, a roupa e os alimentos de que precisa. Desde que foi obrigado a fugir de casa, Yohanna passou a saber, com toda a crueza, o que significa depender dos outros. Até para as coisas mais básicas. Nos últimos meses, é verdade, os jihadistas têm sofrido pesadas derrotas. Foram já expulsos de Mossul, forçados a deixar a Planície de Nínive e os seus povoados cristãos. Foram mortos ou fugiram, mas deixaram para trás um rasto de destruição, de profanação, que é difícil de traduzir por palavras. A Fundação AIS continua apostada, através de uma das maiores campanhas de solidariedade que já promoveu em toda a história, em apoiar, alimentar e ajudar a comunidade cristã que ainda vive refugiada no Curdistão Iraquiano. Mas já está empenhada, também, na reconstrução das casas e das igrejas na Planície de Nínive. É um esforço imenso mas necessário. Fundamental. O regresso a casa é necessário. Se isso não acontecer, será o fim da presença cristã nestas terras bíblicas. Yohanna também quer voltar para casa. Mas ele até tem medo de imaginar o que irá encontrar…

texto por Paulo Aido, Fundação Ajuda à Igreja que Sofre
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