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O mal ganhou (?)

Confesso a minha ignorância: nunca tinha ouvido falar de Charles Manson. Na segunda-feira passada, o mundo foi inundado com a notícia da sua morte. Nenhum meio de comunicação que se preze ignorou o “acontecimento”.

Pelos vistos, Manson foi o fundador de uma seita de hippies que espalhou o pânico por Los Angeles em 1969, causando a morte a várias pessoas.  Morreu no passado Domingo, com 83 anos, num hospital-prisão. Parece ter sido conhecido pelas suas excentricidades, mesmo durante a prisão. Estava condenado a prisão perpétua.

De repente, jornais, rádios e televisões começaram a falar da morte de um assassino. De repente, tornaram-no bem mais conhecido. De repente, alguém esquecido ou ignorado por quase todos voltou para a ribalta. Falou-se de “fascínio” e de “culto”; disse-se que “conseguiu explorar a sub-cultura hippie de forma brilhante”. E, ao mesmo tempo, que “era um misógino racista infiltrado na contracultura”, “uma metáfora do mal”.

Ao escutar, ou ao ler tudo isto, não posso deixar de me interrogar acerca deste “fascínio pelo mal” que faz da morte de um assassino de sete pessoas um quase “herói mundial”, de quem toda a gente ouviu falar, pelo menos durante mais um dia. Finalmente, a notícia de Manson chegou a todos, mesmo àqueles que, como eu, nunca dele tinham ouvido falar. Muitos foram, nesta segunda-feira, os que digitaram o seu nome nos motores de busca pela internet. Eventualmente, alguns que até então o desconheciam, deixaram-se “fascinar” pela sua figura. Os objectivos do assassino foram conseguidos. Longe de o esquecerem (que condenação poderia ser pior?), ficou gravado definitivamente na memória de tantos.

E dei comigo a pensar como é que toda esta máquina mediática fez o jogo e se deixou ingenuamente (?) derrotar por um louco. O mal parece, definitivamente, ter mais fascínio que o bem. O mal parece ter, mais uma vez, levado a melhor.

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