Na Tua Palavra |
D. Nuno Brás
A importância de ter umbigo

“Olhar para o umbigo” é, de há muito tempo, sinónimo da atitude de alguém que se curva sobre si mesmo, que vive apenas para si, que não olha para mais nada ou ninguém senão para os próprios interesses; é sinónimo da atitude de alguém que não é capaz de ter em conta os outros; que não se deixa interpelar pelos seus problemas, pelas suas necessidades, ou, simplesmente, pelo facto de existirem, pelo milagre da vida que de todos os lados nos rodeia.

E o nosso mundo, a cultura ocidental em que vivemos, promove bem essa atitude. Se elogia o voluntariado e a solidariedade – sobretudo por alturas do Natal – é apenas porque deixaram de ser atitudes promovidas pelo modo habitual de viver. A grande maioria das pessoas, é certo, não vive assim. A grande maioria (pelo menos em Portugal) é capaz de parar o carro para ajudar alguém caído na rua. Mas um qualquer historiador que, do futuro, olhe para os traços da cultura que deixamos neste nosso século (literatura, cinema, música, pintura, publicidade…), há-de julgar que, neste nosso tempo, todos viviam preocupados apenas consigo mesmos.

E, em certa medida, tornámo-nos egoístas. Não raras vezes nos surpreendemos a julgar que tudo gira à nossa volta e que somos o centro do mundo.

Mas, se virmos bem, o umbigo não tem qualquer culpa desse egocentrismo. Bem pelo contrário: o umbigo é, em todos os seres humanos, o sinal, a evidência e a memória permanente de que não nos damos a vida a nós mesmos. O umbigo é a marca indelével de que todos dependemos de outro ser humano – da nossa mãe – para existirmos. E não apenas da nossa mãe: de todos aqueles que nos deram a vida biológica e de todos quantos nos dão a vida e a quem não podemos deixar de permanecer eternamente agradecidos.

O umbigo recorda, em cada momento que passa, que somos o elo de uma cadeia de vida – aquela que nos liga aos nossos pais, aos nossos avós e bisavós e a todos os nossos antecessores. O umbigo recorda-nos que, antes de nos decidirmos a nós mesmos – e para que o possamos hoje fazer –, alguém nos deu o ser. Por muito que queiramos, o umbigo lá está a recordar como éramos ao sairmos do ventre da nossa mãe. Nessa altura, cortaram-nos o cordão umbilical. Mas ai de quem esquecer que tem umbigo!

O umbigo afirma em cada dia que passa essa realidade maravilhosa de que estamos “umbilicalmente” unidos não apenas ao mundo material que nos rodeia como também unidos ao mundo humano que nos foi anterior e no qual hoje vivemos. E que nem tudo se resume à cultura que cada um constrói para si mesmo. Antes, bem antes, de nos construirmos a nós próprios, recebemos a vida como dom, como tarefa a ser desenvolvida, nunca como marca indesejável que possamos apagar.

Olhar para o umbigo será mau se o fizermos sempre, em cada momento, e não formos capazes de viver de outro modo, com e para os outros. Mas olhar de vez em quando para o umbigo próprio e agradecer o dom da vida recebida, é muito bom! Essencial, mesmo.

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