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Papa convida jovens a superar as “tentações da ideologia e do fatalismo”
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O Papa Francisco publicou a mensagem para o Dia Mundial das Vocações. Na semana em que a Igreja iniciou o Advento, o Papa agradeceu a viagem ao Myanmar e ao Bangladesh e falou dos avós e dos idosos em mais um ‘O Vídeo do Papa’. Pela primeira vez, um padre português recebeu o prémio internacional de Filosofia  ‘Karl-Otto Apel’.

 

1. O Papa Francisco desafiou os jovens católicos a superar as “tentações da ideologia e do fatalismo”. Foi na mensagem para o Dia Mundial das Vocações 2018, ano que a Igreja vai dedicar uma assembleia do Sínodo dos Bispos às novas gerações. “Hoje temos grande necessidade do discernimento e da profecia, de superar as tentações da ideologia e do fatalismo e de descobrir, no relacionamento com o Senhor, os lugares, instrumentos e situações através dos quais Ele nos chama”, escreve o Papa, na mensagem divulgada dia 4 de dezembro, pelo Vaticano.

O documento tem como título ‘Escutar, discernir, viver a chamada do Senhor’ e Francisco sublinha que a vocação cristã “tem sempre uma dimensão profética”. “Como nos atesta a Escritura, os profetas são enviados ao povo, em situações de grande precariedade material e de crise espiritual e moral, para lhe comunicar em nome de Deus palavras de conversão, esperança e consolação”, precisa.

O 55º Dia Mundial de Oração pelas Vocações vai ser celebrado a 22 de abril de 2018, IV Domingo de Páscoa.

 

2. O Papa Francisco deixou agradecimentos ao Myanmar e ao Bangladesh, países que visitou de 27 de novembro a 2 de dezembro. “Voltei na passada noite da viagem apostólica ao Myanmar e ao Bangladesh. Agradeço a todos os que me acompanharam com as orações e convido-vos a unir-se a mim para dar graças ao Senhor, que me concedeu encontrar-me com a população, em particular a comunidade católica, e de ser edificado pelo seu testemunho. Ficam marcadas em mim as memórias de tantos rostos provadas pela vida, mas nobres e sorridentes. Carrego-os no meu coração e nas minhas orações. Obrigado à população do Myanmar e do Bangladesh”, disse o Papa, no final da oração do Angelus, no passado Domingo, 3 de dezembro.

Neste I Domingo do Advento, Francisco apelou ainda à vigilância. “A pessoa vigilante é aquela que acolhe o convite a vigiar, isto é, de não se deixar dominar pelo sono do desânimo, da falta de esperança, da desilusão”, salientou. Ao mesmo tempo, diz o Papa, é necessário rejeitar “a solicitação das muitas vaidades que transbordam no mundo e às quais, por vezes, se rendem sacrifícios de tempo e serenidade pessoal e familiar”.

 

3. Caridade e aposta nos jovens marcaram a viagem do Papa ao Myanmar (27 a 30 de novembro) e ao Bangladesh (30 de novembro a 2 de dezembro), tal como a questão dos ‘rohingya’ – o encontro emotivo com esta comunidade muçulmana foi mesmo dos momentos mais altos da sua passagem pelo Bangladesh. As duas vertentes com que o Papa se despede do Bangladesh bem podem servir de fio condutor desta viagem: a vertente da caridade e a aposta nos jovens. Caridade, neste caso, com os abandonados e os mais pobres, acolhidos na “Casa da Madre Teresa”; mas caridade também com os refugiados e milhões de pobres que vivem no Bangladesh e no Myanmar, junto dos quais a Igreja quer estar e servir. Aposta na juventude, porque foi junto deles que Francisco encerrou as duas etapas da viagem, para lhes falar de uma sabedoria que nasce da fé, que implica abrir-se aos outros e a não ficar cego à realidade e ao seu sofrimento.

Foi o que Francisco fez nestes dias na Ásia, também ao dar apoio às minorias católicas nos dois países e, sobretudo, ao denunciar o êxodo dos ‘rohingya’ e a indiferença dos responsáveis mundiais, da qual pediu perdão. Questões cruciais em dois países onde a liberdade religiosa é frágil, mas que, graças a Francisco, juntou consensos históricos entre os líderes das principais religiões, a favor da paz.

Na viagem de avião de regresso a Roma, Francisco revelou que não usou a palavra ‘rohingya’ em Myanmar para não cancelar o diálogo com as autoridades e poder passar a sua mensagem. “Interessava-me que a mensagem chegasse. Por isso, percebi que se, no discurso oficial tivesse dito aquela palavra, batia a porta na cara. Mas descrevi a situação, os seus direitos, sem excluir ninguém, a cidadania, para que pudesse depois ir mais longe nos colóquios privados. Fiquei muito satisfeito com os colóquios que tive e pude ver que a mensagem chegou”, referiu.

 

4. O Papa dedicou a sua intenção de oração do mês de dezembro aos avós e idosos, pedindo que sejam ouvidos e acompanhados por todos. “Um povo que não protege os avós e não os trata bem é um povo que não tem futuro”, adverte Francisco, no mais recente ‘O vídeo do Papa’ (https://thepopevideo.org/pt-br.html), iniciativa do Apostolado da Oração. O vídeo apresenta diversas cenas de interação e de falta dela, entre jovens e idosos, concluindo-se num ensaio em que os mais velhos integram um músico mais novo. “Tenhamos presente os nossos idosos, para que, sustentados pelas famílias e instituições, colaborem com a sua sabedoria e experiência na educação das novas gerações. São os idosos que oferecem a sabedoria da vida”, lembra o Papa, sublinhando que os mais idosos têm a missão de “transmitir a experiência da vida, a história de uma família, de uma comunidade, de um povo”.

 

5. O padre jesuíta João Vila-Chã, professor na Pontifícia Universidade Gregoriana em Roma e vice-presidente do Conselho de Pesquisa em Valores e Filosofia, em Washington, foi distinguido com o prémio internacional de Filosofia ‘Karl-Otto Apel International Prize for Philosophy’, na sua décima edição e que nunca tinha sido entregue a um português. Esta foi também a primeira vez que o prémio foi atribuído depois da morte de Karl-Otto Apel, um dos mais importantes filósofos contemporâneos e que faleceu em maio passado, aos 95 anos de idade. Numa reação partilhada na sua página de Facebook, o padre João Vila- Chã considerou “uma enorme honra” ter sido distinguido com este prémio internacional “diretamente associado com o nome de um dos mais importantes filósofos contemporâneos”.

Este prémio internacional foi criado por Michele Borrelli, professor na Universidade de Calabria, em colaboração com o próprio Karl-Otto Apel, e distingue anualmente um investigador que dedique especial atenção aos grandes problemas éticos do nosso tempo.

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