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DOMINGO III DO ADVENTO Ano B

“Eu baptizo na água, mas no meio de vós

está Alguém que não conheceis.”

Jo 1, 26

 

Não é verdade que associamos pouco o Advento a um tempo de conversão, e menos ainda de penitência? Parecem palavras um pouco incómodas para um tempo associado às luzes e à alegria, à abundância e ao consumo. Talvez alguns pratiquem uma certa contenção alimentar, na eminência dos “doces e petiscos natalícios”! Mas, se não ficarmos presos às palavras, podemos entender o convite deste tempo à verdade e ao aprofundamento do que é mesmo importante. No fundo, o que é que está no meio das “órbitas” dos nossos movimentos? Há um sol que ilumina e dá vida aos nossos dias? Ou, quem sabe, estamos nós no meio, com tudo a rodar à volta, qual “rei, ou rainha- sol”, aparentado certamente de Luís XIV ou do nosso D. João V!

O convite à conversão feito no Advento é interpelação para uma vida mais autêntica e simples. Mais honesta e verdadeira. Não sabemos já como é certo aquele pensamento do filósofo Gabriel Marcel que disse: “Quem não vive como pensa acaba por pensar como vive”?  Se “no meio” da alma humana deixa de brilhar um sol que ilumina os pensamentos e actos, que convida a mudar o que está mal ou imperfeito, que proclama a esperança de um crescimento e faz abraçar a verdade e a justiça, não serão trevas ou fogos fátuos o que espalhamos? O que é que vamos colocar “no meio” do nosso Natal?

João Baptista desvia de si todas as atenções. Não é o Messias, não é Elias, não é o Profeta! Assume-se como “a voz do que clama no deserto”. A voz, pois a Palavra é Jesus, e é para Ele que João Baptista aponta. Descobrimos em João a alegria imensa de conduzir tudo e todos a Jesus Cristo, ao encontro com Ele, a conhecê-l’O, pois Ele é a luz. Continuará actual a sua interpelação: “no meio de vós está Alguém que não conheceis”? Não conhecemos Jesus, que marca a data da história do mundo num antes e num depois? Não iluminamos ruas e casas, oferecemos presentes e consoamos em família a celebrar o seu aniversário? Não acordaram as nações em respeitar os Direitos do Homem, que bebem dos seus ensinamentos? Não gostamos todos das palavras e gestos do Papa Francisco que nos lembra o seu amor a todos? 

Conhecer até conhecemos, pelo menos historicamente. Mas de que “conhecer” fala João Baptista? Não será o da intimidade amorosa que coloca, “no meio” de nós mesmos, o amor por alguém? E assim, colocarmos “no meio” de tudo o que fazemos e dizemos, de tudo o que construímos e sonhamos, o amor e quem amamos. “No meio” da Igreja e do mundo, em casa e no trabalho, na responsabilidade e na diversão, o “que” ou “quem” encontramos?

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