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“É a Missa que faz cristão o Domingo”
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O Papa Francisco explicou porque o Domingo é um dia santo. Na semana em que celebrou a Festa de Nossa Senhora de Guadalupe, o Papa publicou a Mensagem para o Dia Mundial do Doente, apelou ao mundo para travar “nova espiral de violência” na Terra Santa e denunciou os “vírus” da “indiferença” e do “medo”.

 

1. O Papa sublinhou a importância do descanso semanal e da celebração cristã do Domingo. “Depois da Páscoa, os discípulos de Jesus habituaram-se a esperar a visita do seu divino Mestre no primeiro dia da semana; foi nesse dia que Ele ressuscitou e veio encontrar-Se com eles no Cenáculo, falando e comendo com eles e dando-lhes o Espírito Santo. Tal encontro repetir-se-ia oito dias depois, já com a presença de Tomé. E assim, aos poucos, o primeiro dia da semana passou a ser chamado pelos cristãos o dia do Senhor, ou seja, o Domingo. Nós, cristãos, vamos à Missa ao Domingo para encontrar o Senhor ressuscitado ou, melhor, para nos deixarmos encontrar por Ele, ouvir a sua palavra, alimentar-nos à sua mesa e, assim, nos tornarmos Igreja, o seu corpo místico vivo hoje no mundo. Por isso o Domingo é, para nós, um dia santo: santificado pela celebração eucarística, presença viva do Senhor para nós e entre nós. É a Missa que faz cristão o Domingo. Infelizmente há comunidades cristãs que não podem ter Missa todos os Domingos; mas também elas são chamadas a recolher-se em oração, nesse dia, ouvindo a Palavra de Deus e mantendo vivo o desejo da Eucaristia. Sem Cristo, estamos condenados a ser dominados pelo cansaço do dia-a-dia com as suas preocupações e pelo medo do futuro. O encontro dominical com Jesus dá-nos a força de que necessitamos para viver com coragem e esperança os nossos dias. Mais ainda, a comunhão eucarística com Jesus ressuscitado antecipa aquele Domingo sem ocaso em que toda a humanidade entrará no repouso de Deus”, salientou o Papa Francisco, na audiência-geral de quarta-feira 13 de dezembro, na Sala Paulo VI, no Vaticano.

 

2. Na Festa de Nossa Senhora de Guadalupe, padroeira da América Latina, o Papa destacou “as comunidades indígenas que não são tratadas com dignidade e igualdade de condições, as mulheres que são excluídas em virtude do sexo, da raça ou situação económica, e os jovens a quem falta uma educação de qualidade ou não têm oportunidade de entrar no mercado de trabalho”. A devoção a Nossa Senhora de Guadalupe acontece nos mais variados cantos do mundo, em especial onde as comunidades latino-americanas estão radicadas. “A fecundidade da América Latina exige que defendamos os nossos povos de uma colonização ideológica que quer apagar o que eles têm de melhor, sejam indígenas, afroamericanos, mestiços, campesinos ou suburbanos”, frisou Francisco, na Missa a que presidiu no dia 12 de dezembro, na Basílica de São Pedro.

 

3. A Igreja tem uma “longa história de serviço aos doentes”, que não deve ser esquecida, alerta o Papa Francisco, na Mensagem para o Dia Mundial do Doente, que se assinala a 11 de fevereiro e que foi divulgada esta segunda-feira, 11 de dezembro, pelo Vaticano. Para Francisco, a “imagem da Igreja como ‘hospital de campo’ é uma realidade muito concreta”, porque em tantos locais do mundo continuam a ser “os hospitais dos missionários e das dioceses” os únicos a garantir os cuidados de saúde a quem precisa.

O Papa destaca a “generosidade” e a “criatividade” que marcaram tantas iniciativas ao nível da pastoral da saúde, ao longo dos séculos, e fala também do “empenho na pesquisa científica”, que permitiu “oferecer aos doentes cuidados inovadores e fiáveis”. Francisco deixa, contudo, um alerta: diz que é preciso “preservar os hospitais católicos do risco de uma mentalidade empresarial”, que “quer colocar o tratamento da saúde no contexto do mercado, acabando por descartar os pobres”. É preciso que o doente seja respeitado “na sua dignidade” e sempre colocado “no centro do processo de tratamento”, defende o Papa. Estas orientações servem igualmente para “os cristãos que trabalham nas estruturas públicas, onde são chamados a dar, através do seu serviço, bom testemunho do Evangelho”.

Para além do empenho dos profissionais, o Papa elogia também os que cuidam de familiares doentes ou incapacitados, e que não recebem o apoio que deviam. “Os cuidados prestados em família são um testemunho extraordinário de amor pela pessoa humana e devem ser apoiados com o reconhecimento devido e políticas adequadas”, escreve o Papa.

 

4. O Papa Francisco manifestou “tristeza” pelos confrontos dos últimos dias que provocaram vítimas na Terra Santa e apela aos líderes mundiais que evitem uma nova “espiral de violência” na região, depois de os Estados Unidos terem reconhecido Jerusalém como capital de Israel. Em comunicado divulgado Domingo, dia 10 de dezembro, o Vaticano salienta que Francisco renova o apelo à “sabedoria e prudência de todos” e reza para que “os líderes das nações, neste momento de especial gravidade, se empenhem para evitar uma nova espiral de violência”. O Papa pede-lhes que respondam “com palavras e ações aos desejos de paz, justiça e segurança das populações dessa terra maltratada”.

Cinco dias depois de Donald Trump ter reconhecido Jerusalém como capital de Israel e anunciado a mudança da embaixada para a cidade, o Vaticano defende o respeito pelo estatuto da cidade santa para cristãos, muçulmanos e judeus. “A Santa Sé está atenta a essas preocupações e, recordando as sentidas palavras do Papa Francisco, reitera a sua posição bem conhecida quanto ao carácter singular da Cidade Santa e a necessidade essencial de respeitar o seu estatuto, de acordo com as deliberações da comunidade internacional e pedidos sucedidos das hierarquias das Igrejas e comunidades cristãs da Terra Santa”, sublinha a nota.

 

5. “Mãe, ajuda esta cidade a desenvolver anticorpos contra alguns vírus dos nossos tempos: da indiferença, que diz ‘não me interessa’; da má educação cívica, que despreza o bem comum; do medo do diferente e do estrangeiro; do conformismo disfarçado de transgressão; da hipocrisia de acusar os outros, enquanto se fazem as mesmas coisas; da resignação à degradação ambiental e ética, da exploração de muitos homens e mulheres”, referiu o Papa Francisco, no ato de veneração à Imaculada Conceição da Bem-Aventurada Virgem Maria, situada na Praça de Espanha, em Roma, no passado dia 8 de dezembro.

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