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Fundação AIS lança livro para assinalar 70 anos de vida
A elite da Igreja
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Para assinalar os 70 anos do início da Obra, a Fundação AIS decidiu publicar um livro com 70 histórias publicadas aqui, no jornal Voz da Verdade. São histórias de cristãos que, um pouco por todo o mundo, são exemplo da Igreja que sofre, da Igreja perseguida. Todos eles conheceram a violência do ódio e da pobreza. Todos eles são exemplo para nós. Como dizia o fundador da AIS, os Cristãos perseguidos são a elite da Igreja. Cada um deles traz consigo uma Cruz Escondida…

 

Que têm em comum Akash, D. José Aguirre, a Irmã Guadalupe, o Padre Martin Baani, a Rebecca, o Padre Ernest e a Irmã Maria Goretti? As suas histórias, que foram publicadas aqui, no jornal Voz da Verdade do Patriarcado de Lisboa, estão incluídas num livro com o qual a Fundação AIS decidiu assinalar os 70 anos da Ajuda à Igreja que Sofre. Estes sete homens e mulheres são apenas um pequeno exemplo do sofrimento imenso dos Cristãos que é testemunhado todos os dias em tantos países do mundo nos dias de hoje.  Akash é paquistanês. Tinha apenas 20 anos quando agarrou um bombista que se ia fazer explodir numa igreja em Youhanabad. Akash não impediu a explosão. Morreu ali, instantaneamente, mas evitou um massacre terrível. Morreu para salvar os outros. D. José Aguirre, Bispo de Bangassou, na República Centro-Africana, também sabe o que é a violência extrema. E também ele não teve receio de arriscar a vida. Na sua diocese, quando os combates entre grupos rivais, os seleka e os anti-balaka, estavam mais extremados, avançou sozinho para junto de uma mesquita para evitar um banho de sangue.

 

Memórias de guerra

O que têm em comum a Irmã Maria Goretti e a Irmã Guadalupe? Ambas viveram em países mergulhados em guerra, ambas procuraram, de mãos vazias, confortar os enfermos, ajudar as mães e os pais enlutados, ambas procuraram levar uma semente de esperança no meio do caos. A missão da Irmã Maria Goretti levou-a até ao Sudão do Sul, o mais jovem país do mundo que praticamente nunca conheceu um dia de paz. A Irmã Guadalupe estava em Alepo, na Síria, quando rebentou a guerra civil. Ambas testemunharam o medo, o sofrimento, a violência e a morte. “Quase todos os dias há armas que disparam por aqui…” explicava-nos a Irmã Goretti. “Desde o início da guerra que nunca mais pararam os bombardeamentos e os tiroteios” – dizia, por sua vez, a Irmã Guadalupe. “Não me recordo de um só dia em silêncio. É de enlouquecer…”

 

Uma escrava na Nigéria

De enlouquecer foi mesmo a experiência de Rebecca, uma mulher cristã escravizada pelo Boko Haram, na Nigéria. Raptada da aldeia onde vivia, Rebecca foi forçada a assistir à morte de um dos seus filhos e levada para o meio da floresta onde o grupo islamita estava aquartelado. Tudo o que sofreu nesses meses de horror estará sempre presente na sua memória até ao último dos seus dias, como uma ferida que teima em não sarar. Ela não quer mais lembrar o que lhe aconteceu, mas não consegue esquecer os dias de ultraje, a violência e o horror que se abateram sobre si. Rebecca é apenas uma das imensas raparigas e mulheres nigerianas que caíram nas mãos de um dos mais sanguinários grupos terroristas a actuar nos tempos actuais. O Boko Haram pretende instaurar um ‘califado’ no nordeste da Nigéria e não olha a meios para semear o terror, para escandalizar as pessoas, para as amedrontar e coagir. Os Cristãos são um dos seus alvos preferenciais. 

 

Iraque e Albânia

Martin Baani era um jovem seminarista que sonhava com o dia da sua ordenação sacerdotal quando, no Verão de 2014, os jihadistas do auto-proclamado Estado Islâmico irromperam pelo Iraque arrastando tudo em seu redor. Sem ninguém a defendê-los, os Cristãos foram forçados a fugir de suas casas para salvarem a própria vida. Martin estava em Karamlesh quando os jihadistas chegaram. Só teve tempo para salvar o Santíssimo da igreja. Fugiu apenas com a roupa que trazia vestida. Fugiu, tal como milhares de outros cristãos, para o norte do país, para o chamado Curdistão Iraquiano. Fugiu, mas continuou a sonhar. E foi já ordenado sacerdote. Os jihadistas nunca conseguiram afastar Martin Baani do essencial, tal como os guardas nunca conseguiram que o Padre Ernest renunciasse à sua fé em Jesus. Preso na Albânia por mais de 11 mil dias, durante o regime comunista, o Padre Ernest transformou-se num símbolo de resistência, de coragem e de perdão perante os opressores que o obrigaram a trabalhar nas minas e nos esgotos e que o torturaram sem piedade. Que têm em comum Akash, D. José Aguirre, a Irmã Guadalupe, o Padre Martin Baani, a Rebecca, o Padre Ernest, ou a Irmã Maria Goretti? Todos eles fazem parte da “elite da Igreja” de que falava o Padre Werenfried van Straaten, o fundador da AIS. Todos eles trazem consigo uma Cruz Escondida.

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